Filósofo da mente
Hilary Whitehall Putnam (Chicago, Illinois, 31 de julho de 1926 – Boston, Massachusetts, 13 de março de 2016), filósofo e teórico americano
Em sua prolífica carreira, o teórico desenvolveu estudos em diferentes campos, como lógica, ética e teoria política, mas foram seus estudos da mente humana que fizeram dele conhecido mundialmente.
No Brasil, há pelo menos duas obras de Putnam disponíveis nas livrarias. Corda Tripla, lançado originalmente em 1999, expõe a problemática relação entre percepção e realidade. Já O Colapso da Verdade, de 2002, é uma reunião de ensaios em que o autor questiona a disparidade entre ricos e pobres na sociedade humana.
Nascido em Chicago, em julho de 1926, de pais ateus e esquerdistas, Putnam se tornou PhD na Universidade da Califórnia em 1951, estudando criticamente o positivismo, corrente filosófica à qual não se filiava. Em 1965, foi para Harvard, onde se tornou professor emérito, dando aulas até os últimos anos de sua vida.
Hilary Putnam e a filosofia como modo de vida
Hilary Putnam fez a ponte entre duas afirmações de Ludwig Wittgentstein, que se encontram no seu caderno Denkbewegungen publicado em 1997: a primeira diz, “Sem alguma valentia, não é possível escrever nem um só comentário sobre si mesmo”; e a segunda, “Creio às vezes”. Putnam ficou conhecido inicialmente como um filósofo analítico hard, com contribuições para filosofia da matemática e defendendo uma posição de materialismo científico. Porém, viu sua vida mudar quando seu filho pediu para fazer o Bar Mitzvá. Para realizar este desejo do filho o casal Ruth e Hilary Putnam aceitou frequentar a congregação judaica durante um ano. Depois deste tempo, viu-se religioso -retomou suas raízes judaicas – e precisou pensar quais as consequências isso teria para sua filosofia.
Não por acaso tornou-se pragmatista e, recentemente, escreveu um livro com o título A filosofia judaica, um guia para a vida, em que analisa a contribuição de Rosenzweig, Bubber, Levinas e um pouco de Wittgenstein, para pensar a filosofia como forma de vida (seguindo Pierre Hadot). A filosofia judaica e a religiosidade para Putnam ligavam-se com um compromisso reflexivo constante.
Putnam foi um filósofo em sentido pleno, que não deixou que a sombra de sua celebridade o prendesse em dogmatismos ou ceticismos; tomou sempre a vida como maior que a filosofia (afinal, ela tem sempre razão): mudou suas posições constantemente, estando sempre aberto para o diálogo e a revisão de seu pensamento.
Hilary Putnam morreu em 13 de março de 2016, aos 89 anos, vítima de câncer.
Foi saudado por Martha Nussbaum como um dos maiores pensadores norte-americanos: num momento em que a filosofia é desdenhada como “pouco lucrativa”
(Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/03 – ANO 52 – NOTICIAS – TRIBUTO – 15/03/2016)
(Fonte: http://filosofiapop.com.br – FILOSOFIA POP / por Marcos Carvalho Lopes – 15 de março de 2016)



