Togo Heihachiro, almirante japonês, foi comandante das forças japonesas na Batalha de Tsushima

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O ALMIRANTE

Togo Heihachiro (Foto: Reprodução)

Togo Heihachiro (Foto: Reprodução)

Togo Heihachiro (Kagoshima, Japão, 27 de janeiro de 1848 – Tóquio, 30 de maio de 1934), almirante japonês, foi comandante das forças japonesas na Batalha de Tsushima

“Ordenei toda a frota a entrar em ação e às 13h55 enviei este sinal para todos os navios ao alcance: ‘O destino do Império depende desse acontecimento. Que cada homem faça o seu melhor'”. Assim, o almirante, comandante das forças japonesas na Batalha de Tsushima, descreveu o início dos combates com os russos em seu relato publicado pela Marinha Imperial Japonesa.

Nascido em janeiro de 1848 em uma família com linhagem militar de quase 2 mil anos, Togo tornou-se o almirante mais respeitado da Marinha do Japão após comandar a vitória contra a Rússia em uma disputa marcada por um cerco marítimo feroz à cidade de Port Arthur – hoje, Lushunkou, pertencente ao território chinês – onde forças russas se concentravam.

Togo assumiu os riscos de confrontar a experiência dos almirantes do Czar enquanto conduzia tudo a bordo do Mikasa, construído em estaleiro britânico e ‘aperfeiçoado’ por técnicos navais japoneses. Os laços do almirante com a Grã-Bretanha remontam a parte de sua formação militar como aprendiz em Southampton entre 1871 e 1878. Mais tarde, o japonês voltou a terras britânicas para estudar matemática em Cambridge.

De volta à Marinha Imperial, Togo participou das batalhas da Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894–95) e comandou o ataque que resultou no naufrágio de um navio mercante britânico que levava tropas chinesas. Promovido ao fim da guerra, passou a comandar o Colégio Naval japonês até chegar ao posto de almirante e ser nomeado, em 1903, comandante supremo das frotas combinadas do país. No ano seguinte, liderava os combates marítimos contra os russos.

Após a guerra, Togo foi reconhecido como um dos mais brilhantes comandantes militares do Japão e alçado ao posto de conselheiro e tutor do futuro imperador Hirohito, que tinha apenas quatro anos de idade quando os combates entre japoneses e russos cessaram. Togo morreu em maio de 1934, cinco anos após Hirohito ser coroado.

O navio Mikasa, nau capitânia da Marinha Imperial japonesa na guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e base flutuante do almirante Togo Heihachiro durante as batalhas navais mais importantes do conflito – chegando à mais decisiva de todas elas, a batalha de Tsushima, que selou a derrota russa.

Danificado por bombardeios americanos durante a 2.ª Guerra, o Mikasa foi restaurado e reinaugurado como um museu no dia 27 de maio de 1961.

O navio Mikasa, nau capitânia da Marinha Imperial japonesa na guerra Russo-Japonesa (1904-1905)

O navio Mikasa, nau capitânia da Marinha Imperial japonesa na guerra Russo-Japonesa (1904-1905)

O monstro de metal de 15 mil toneladas com seus quatro canhões de 305 milímetros foi feita por japoneses. 

A vitória do Japão contra os russos em 1905 em Tsushima consolidou o país como potência naval, intimidou potências como Grã-Bretanha e França sobre seus interesses na região e abriu caminho para a invasão da Manchúria, em 1931, início do conflito sino-japonês -, o início “informal” da 2.ª Guerra no Pacífico.

Construído pelo estaleiro britânico da companhia Vickers e entregue ao Japão em 1902, o Mikasa foi a base de onde o almirante Togo comandou a batalha de Tsushima e sua “manobra em T”, ação que o consagrou como mestre da batalha naval – a ação consistia em interceptar a frota russa pelo meio, cruzando sua linha mestra, permitindo aos japoneses abrir fogo com ambos os lados de seus navios, enquanto os russos utilizavam apenas metade dos canhões disponíveis pela posição em relação aos inimigos.

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Área do confronto Área do confronto

 

Tentando retomar as águas próximas a Port Arthur após o cerco imposto pela Marinha japonesa, a Rússia decidiu enviar sua Frota do Báltico, que navegaria desde o Golfo de Riga até águas do extremo oriente. Um problema essencial surgiu no caminho: os britânicos decidiram fechar o Canal de Suez à passagem dos russos, obrigando-os a circundar a África para completar seu objetivo – uma rota que aumentou o percurso para extenuantes 33 mil quilômetros. Ainda em Madagascar, chegou aos russos a informação da queda definitiva de Port Arthur, mudando os planos dos comandantes continuar a viagem, passar por águas japonesas e chegar a Vladivostok, porto russo mais próximo da região de Tsushima, onde os navios e tropas seriam reabastecidos e recompostos. Decidido a atravessar o Estreito de Tsushima, o almirante russo Zinovy Rozhestvenski conduziu suas forças até ser interceptado pelos navios de Togo Heihachiro. Apenas uma das embarcações russas chegou a Vladivostok.

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CONCLUSÃO

A Batalha de Tsushima selou a vitória japonesa na guerra contra a Rússia e teve como consequências, ainda, duas imposições: externamente, a do Japão como potência naval e, internamente, a da Marinha Imperial Japonesa como arma mais prestigiada entre as Forças Armadas do país.

O fim da guerra foi consolidado com o tratado de Portsmouth, assinado em setembro de 1905. Seis dias após a assinatura, o Mikasa afundou após um incêndio em um depósito de munições – o acidente matou 251 marinheiros e foi atribuído, de início, a uma sabotagem orquestrada por militares inconformados com o fim dos combates. A hipótese nunca foi comprovada.

Quase um ano após o naufrágio, o Mikasa foi trazido de volta à superfície e transformado, posteriormente, em navio-museu. O memorial, destruído pela 2.ª Guerra e restaurado pelos esforços conjuntos de grupos japoneses e do almirante Nimitz, está aberto a visitação na cidade de Yokosuka.

Barack Obama tornou-se, em 27 de maio de 2016, o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar Hiroshima. A viagem foi mais um dos símbolos que têm marcado a sólida aliança entre os ex-inimigos no Pacífico. Outro momento crucial nessa reaproximação foi conduzido, em parte, pelo próprio comandante militar que liderou as forças americanas na vitória contra os japoneses na 2.ª Guerra Mundial.

Quase 16 anos após comandar as forças dos Estados Unidos na vitória sobre o Japão no front do Pacífico da 2.ª Guerra, o almirante Chester W. Nimitz (1885-1966) participou de um dos esforços mais importantes da época para restaurar os laços entre os dois países: a segunda restauração do navio Mikasa, nau capitânia da Marinha Imperial japonesa na guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e base flutuante do almirante Togo Heihachiro durante as batalhas navais mais importantes do conflito – chegando à mais decisiva de todas elas, a batalha de Tsushima, que selou a derrota russa.

Danificado por bombardeios americanos durante a 2.ª Guerra, o Mikasa foi restaurado e reinaugurado como um museu no dia 27 de maio de 1961. A arrecadação de fundos para a recuperação do monstro de metal de 15 mil toneladas com seus quatro canhões de 305 milímetros foi feita por japoneses, mas a campanha se espalhou nos Estados Unidos graças à iniciativa do próprio Nimitz, que enxergou uma oportunidade de reaproximar as nações menos de duas décadas após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Na raiz do confronto que levou Nimitz, seus navios, aviões e tropas ao Pacífico, segundo muitos historiadores militares, estava o próprio Mikasa. A vitória do Japão contra os russos em 1905 em Tsushima consolidou o país como potência naval, intimidou potências como Grã-Bretanha e França sobre seus interesses na região e abriu caminho para a invasão da Manchúria, em 1931, início do conflito sino-japonês – segundo o historiador Antony Beevor, o início “informal” da 2.ª Guerra no Pacífico.

(Fonte: http://infograficos.estadao.com.br/internacional/guerra-no-oriente – INTERNACIONAL – GUERRA NO ORIENTE – 30/05/2016)

EXPEDIENTE

EDITOR DE INTERNACIONAL Roberto Lameirinhas
TEXTO E EDIÇÃO Felipe Corazza
DIREÇÃO DE ARTE Fabio Sales
EDIÇÃO DE INFOGRAFIA Glauco lara & William Mariotto
ILUSTRAÇÃO 3D E ANIMAÇÃO Jonatan Sarmento
WEBDESIGN Tiago Henrique
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