Thomas Bernhard; sua última peça enfureceu os austríacos
Thomas Bernhard (nasceu em Heerlen, Países Baixos, em 9 de fevereiro de 1931 – faleceu em Gmundem, Áustria, em 12 de fevereiro de 1989), foi dramaturgo e romancista austríaco cuja última obra teatral provocou manifestações e uma disputa com a censura quando foi encenada em Viena há alguns meses, escritor austríaco nascido na Holanda que escrevia em alemão, já foi comparado a ninguém menos que Thomas Mann, um dos pilares da literatura germânica do século XX. Bernhard estudou música no Mozarteum, na Áustria.
O romancista e dramaturgo austríaco foi um dos mais furiosos críticos do tradicionalismo da sociedade vienense. Entre os romances que se destacam estão “Die Kaelte”, o conto “Kalkwerk” e o poema “Hoelle und Erde”.
O crítico americano Harold Bloom colocou-o em pé de igualdade com o autor de A Montanha Mágica ao fazer um listão dos escritores que representariam o que de melhor a literatura produziu desde a Antiguidade.
O Náufrago, romance de 1983, pode não ser uma “sinfonia literária”, como as que Thomas Mann costumava compor, mas é um “romance de câmara” sem rivais entre seus contemporâneos.
A peça “Heldenplatz” (“Praça dos Heróis”) do Sr. Bernhard enfureceu autoridades públicas e outras pessoas por acusar os austríacos de serem antissemitas. A peça estreou no Burgtheater, teatro estatal, em novembro. A peça foi considerada implicitamente crítica ao presidente da Áustria, Kurt Waldheim, que a chamou de “um insulto ao povo austríaco”. Conta a história de um professor judeu que emigrou quando os nazistas invadiram a Áustria em 1938, retornou em seus últimos anos e cometeu suicídio por sentir que, em 1988, os austríacos mal haviam mudado sua atitude em relação aos judeus. Os críticos da peça questionaram se o Estado deveria subsidiar a arte que criticasse a Áustria. Outras Controvérsias
Em “Heldenplatz”, o velho professor diz: “Há mais nazistas agora”. A peça inclui um verso sobre “uma nação de 6,5 milhões de idiotas vivendo em um país que está apodrecendo, caindo aos pedaços, governado por partidos políticos em uma aliança profana com a Igreja Católica”.
Esta não foi a primeira vez que a obra do Sr. Bernhard incitou as autoridades. Em 1973, ele retirou a peça “Die Beruehmten” (“Os Famosos”) do Festival de Salzburgo, depois que os organizadores se recusaram a deixá-lo apagar todas as luzes durante a apresentação. Em 1984, a polícia austríaca apreendeu seu romance “Lenhadores” por considerá-lo um insulto a uma conhecida figura cultural vienense.
Em uma resenha de ”Woodcutters” no The New York Times Book Review, Mark Anderson escreveu que era ”um livro polêmico que ataca não apenas as instituições culturais mais queridas da Áustria, mas também os próprios artistas contemporâneos não tão famosos do Sr. Berhard. . . . Seu retrato de uma sociedade em dissolução tem uma escuridão escandinava que lembra Ibsen e Strindberg.”
Entre seus outros romances publicados em inglês estão “Gathering Evidence”, “Gargoyles”, “The Lime Works”, “Correction”, “Concrete” e, este ano, “Wittgenstein’s Nephew” (Knopf). Ele produziu mais de 30 obras de ficção, drama e poesia.
MÃOS À OBRA – A exemplo de Árvores Abatidas e O Sobrinho de Wittgenstein, os dois outros romances de Bernhard lançados no Brasil, 1991 e 1992, respectivamente), O Náufrago foi escrito numa prosa densa.
Harold Bloom criou o conceito de “angústia da influência” – aquela pesada e inevitável sombra que certos escritores derramam sobre a produção literária que lhe segue.
Se os protagonistas de O Náufrago sucumbiram à “angústia da influência” de Gould, Bernhard fez o contrário. Pôs mãos à obra e chegou à sua perfeição.
Deixou uma obra considerável que inclui várias novelas, entre obras teatrais entre uma lista formidável de livros breves ou autobiográficos.
Bernhard tem laços com a cidade St. Veit, vila próxima a Pongau, na província de Salzburgo. Ele ficou internado com tuberculose no Sanatório Grafenhof de St. Veit. No final dos anos 70, Bernhard passou a frequentar a cidade como visitante, e lá fez muitos amigos.
Thomas Bernhard morreu de ataque cardíaco no domingo 12 de fevereiro de 1989, em sua casa em Gmunden, perto de Salzburgo. Ele tinha 58 anos.
Peter Fabjan, seu meio-irmão, disse que o Sr. Bernhard pediu para ser enterrado antes que sua morte fosse anunciada, e ele foi.
(Direitos Autorais Reservados: https://www.nytimes.com/1989/02/17/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do New York Times/ Por Herbert Mitgang – 17 de fevereiro de 1989)
(Fonte: Revista Veja, 22 de maio de 1996 – ANO 29 – N° 21 – Edição 1445 – Literatura/ Por Rinaldo Gama – Pág; 133)
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/6/07/ilustrada – Folha de S.Paulo/ ILUSTRADA / Por LUÍS ANTÔNIO GIRON DO ENVIADO ESPECIAL A VIENA – São Paulo, 7 de junho de 1994)
O jornalista LUÍS ANTÔNIO GIRON viajou à Áustria a convite da agência Austríaca de Turismo e da Lufthansa.
- Thomas Bernhard


