Russell Kirk, pai do movimento conservador americano, conhecido pelo livro “A Mentalidade Conservadora”, influenciando duas gerações de conservadores nos EUA e nos Exterior

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Russell Kirk, o incansável cavaleiro da verdade

Este homem ajudou a ressuscitar o conservadorismo

 

Russell Amos Kirk (Plymouth, Michigan, 19 de outubro de 1918 — Mecosta, Michigan, 29 de abril de 1994), historiador, intelectual e “mestre das letras”, pai do movimento conservador americano. Mais conhecido pelo livro “A Mentalidade Conservadora” (The Conservative), publicado em 1953, influenciando duas gerações de conservadores nos Estados Unidos e nos Exterior.

 

Em 1950, os mais proeminentes intelectuais do país, incluindo o então crítico liberal Lionel Trilling (1905–1975), proclamaram que havia apenas uma tradição na América – a tradição liberal. Trilling descartou o conservadorismo como um movimento sem ideias, exceto por ocasionais e “irritantes gestos mentais”.

 

Quando Kirk publicou seu magistral ‘A Mente Conservadora’, três anos depois, os queixos liberais caíram e a gagueira começou.

 

Eles não podiam negar – e resenhas apaixonadas no The New York Times, na Time e em outras publicações confirmaram – que Kirk havia escrito uma extraordinária história de uma tradição conservadora na América, que remonta a John Adams e à fundação do país, continuando no século 20 com TS Eliot.

 

O proeminente historiador George Nash escreveu que ‘A Mente Conservadora’ “catalisou decisivamente um movimento autoconsciente e descaradamente conservador”. Henry Regnery (1912–1996), que publicou ‘A Mente Conservadora’ e outros trabalhos seminais, disse que Kirk havia dado identidade a uma “oposição dispersa e amorfa” ao liberalismo. Na verdade, Kirk deu nome ao movimento conservador.

 

Em 1951, quando William F. Buckley Jr. (1925–2008) publicou seu controverso best-seller ‘God and Man at Yale’ (‘Deus e o Homem em Yale’, em tradução livre), ele se descreveu como um “individualista”, rejeitando o rótulo de “conservador”. No entanto, ao lançar sua revista National Review, em 1955, dois anos após a publicação de ‘A Mente Conservadora’, ele não apenas disse que a National Review era uma “revista conservadora”, como identificou a si mesmo como “conservador”.

 

Podemos ser gratos a Kirk porque, sem ‘A Mente Conservadora’, poderíamos estar fazendo parte de um “movimento individualista”, uma frase que está longe de soar natural.

 

Tive o privilégio de participar da conferência de New Haven, patrocinada pelo Programa William F. Buckley Jr. em Yale, liderado pela competente Lauren Noble (Yale ’11), que fez do Programa Buckley o centro da “diversidade intelectual” em Yale.

 

Lauren Noble persuadiu diversos palestrantes a vir até Yale, organizou debates acirrados e convidou acadêmicos, como o famoso escritor Stephen Hayward, para ministrarem seminários. Os cerca de 300 membros, em sua maioria estudantes de graduação, podem ser apontados como prova do sucesso do programa, que jamais recebeu um dólar de Yale ou do governo federal.

 

Além de sua impressionante capacidade gerencial, Lauren acabou se revelando uma talentosa angariadora de fundos. Não seria maravilhoso se alunos e ex-alunos de outras universidades tentassem replicar o Programa Buckley em suas escolas?

 

Como já era esperado, o evento em Yale trouxe à tona perguntas sobre o estado atual do movimento conservador. Eu citei Kirk, dizendo que os conservadores devem conciliar o individualismo e o senso de comunidade. Eles precisam abrir os olhos do eleitorado para um conceito central na política – de que as reivindicações de liberdade e exigências de ordem podem ser mantidas em uma tensão saudável, evitando extremos.

 

O veículo político por meio do qual essa tensão pode ser mantida é a Constituição, com seus controles e contrapesos testados pelo tempo. Eu apontei que, em A Mente Conservadora, Kirk propõe alternativas conservadoras ante a panaceia liberal.

 

Em vez do secularismo, o conservador busca uma ordem transcendente que oriente a sociedade, assim como a consciência pessoal. Ao contrário do socialismo, o conservador declara que a liberdade e a propriedade privada estão inextricavelmente ligadas.

 

Em vez de uma mudança radical, o conservador diz que a sociedade deve mudar, mas com prudência, para não perder o que conquistou através dos tempos. (Eu já tinha explorado esses mesmos cânones kirkianos em uma palestra no início do ano, na Heritage Foundation.)

 

O caminho para uma nação livre e de responsabilidade individual, afirmou Kirk, é através da crença em algo maior do que qualquer um de nós.

 

Com relação à cultura, ele insistiu que “uma civilização não pode sobreviver por muito tempo à extinção de uma crença em uma ordem transcendente que tenha produzido a própria existência a cultura”.

 

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No entanto, o palestrante principal, o colunista George Will, discordou da ênfase de Kirk em um ser transcendente, argumentando que os Pais Fundadores mais proeminentes eram deístas, não cristãos. Will disse que eles eram criaturas do Iluminismo, que buscavam, como orientação, a razão do homem, em vez da inspiração direta de Deus. Ele usou várias citações de Washington, Jefferson, Madison – e até Adams – para provar sua tese.

 

Formado em Oxford, e com um doutorado pela Universidade de Princeton, Will é um dos mais bem-preparados comentaristas públicos, mas se ele tivesse passado alguns minutos com o The Founders ‘Almanac, da Heritage Foundation, certamente teria ouvido outras citações dos Fundadores que poderiam persuadi-lo a reconsiderar sua tese deísta.

 

 

Exemplos: 

 

Sozinhas, religião e moralidade podem estabelecer os princípios sobre os quais a liberdade pode ser assegurada.” – John Adams, 1776

 

É dever de todas as nações reconhecer a providência de Deus Todo-Poderoso, obedecer Sua vontade, serem gratas por Seus benefícios e implorar humildemente por Sua proteção e favores.” – George Washington, Proclamação de Ação de Graças, 1789

 

A crença em um Deus, todo poderoso, sábio e bom, é tão essencial para a ordem moral do mundo e para a felicidade do homem, que argumentos que fazem valer tal crença não podem ser encontrados de um grande número de fontes...” – James Madison, 1825

 

Religião e moralidade são as fontes mais importantes de caráter, disse Washington, porque ensinam aos homens suas obrigações morais e criam as condições para políticas decentes.

 

Esse foi o caso de Kirk. Em seu último livro, The Sword of Imagination, escreveu que, em sua vida, havia procurado três coisas: defender as coisas permanentes e criar um patrimônio de ordem, justiça e liberdade; levar uma vida de independência decente, “organizada e não poluída”, não devotada à obtenção e ao gasto; e casar “por amor” e criar filhos que viriam a saber que “o serviço de Deus é a perfeita liberdade”.

 

Por meio de seus próprios esforços, e com a ajuda do que ele chamou de “uma misteriosa Providência”, seus desejos foram concedidos, e um modelo de conduta foi estabelecido para os membros da geração seguinte, que estão procurando heróis para servir de exemplo.

 

 

 

Já se passaram quase 3 décadas desde a morte do historiador, intelectual e “mestre das letras” Russell Kirk, mas sua influência, longe de diminuir, parece estar aumentando.

 

Como em 2018 foi seu 100º aniversário, houve celebrações em Washington, DC, Nova York, New Haven, no estado de Connecticut, e em sua cidade natal, Plymouth, no Michigan, na qual líderes conservadores reconheceram suas notáveis contribuições para o moderno movimento conservador americano.

 

Eles encontrarão o que procuram em Russell Kirk.

 

Russell Kirk faleceu na sua casa em Mecosta, Michigan, em 29 de abril de 1994, aos 75 anos de idade.

(Fonte: https://portalconservador.com)

(Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias – IDEIAS / Por Lee Edwards – 28/11/2018)

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Lee Edwards é pesquisador do pensamento conservador do B. Kenneth Simon Center for Principles and Politics da The Heritage Foundation. Um dos principais historiadores do conservadorismo americano, Edwards já publicou 25 livros, incluindo Just Right: A Life in Pursuit of Liberty.

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