PIONEIRISMO DE PORTUGAL

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Um conjunto de fatores favoráveis explica a dianteira dos portugueses na expansão marítima do século XV. Os mais importantes são a precoce centralização política do reino, posição geográfica, rápida formação de uma burguesia comercial e, o mais significativo, uma dinastia que aposta na expansão comercial.
Centralização política de Portugal – O surgimento de Portugal como nação independente está vinculado às lutas travadas na península Ibérica pela expulsão dos muçulmanos. Antecipando-se aos demais países europeus, Portugal já é uma nação centralizada políticamente em torno de um único monarca no século XII. O primeiro rei de Portugal, Afonso I, assume o trono pelas armas em 1139. Ele inaugura a dinastia dos Borgonha, reconhecida pelo papa em 1179.
Vocação comercial e marítima – Na porta de saída do Mediterrâneo para o Atlântico, os portos de Portugal são pontos de passagem obrigatória para as embarcações que percorrem a rota entre as cidades italianas e os mercados do norte da Europa. Cedo surgem ricos comerciantes e armadores, e os marinheiros portugueses conhecem todos os portos da Europa e do norte da África.
A dinastia de Avis – Na época das grandes navegações e descobrimentos, reina em Portugal a Casa de Avis, dinastia fundada por dom João I, o Mestre de Avis, em 1385, após uma crise sucessória no reino. Ele conquista a Coroa pelas armas, apoiado pela pequena nobreza, camponeses, comerciantes, armadores e ricos representantes dos ofícios urbanos. Todos têm um interesse em comum: a expansão comercial e marítima.
ESCOLA DE SAGRES

A busca de uma nova rota para o Oriente exige o aperfeiçoamento das técnicas de navegação até então conhecidas. Portugal faz isso sob a direção do infante dom Henrique, irmão do rei dom João I. O infante reúne no promontório de Sagres, no Algarve, os maiores especialistas em navegação, cartografia, astronomia, geografia e construção naval. Forma, assim, o mais completo e inovador centro de estudos náuticos da época.
Tecnologia marítima portuguesa – Os especialistas de Sagres aperfeiçoam instrumentos de navegação, como a bússola, o astrolábio, o quadrante, a balestilha e o sextante. Desenvolvem a cartografia moderna e são os primeiros a calcular com precisão a circunferência da Terra em léguas, numa época em que poucos acreditavam que o planeta fosse redondo.
Caravela latina – Em Sagres nasce a caravela latina: robusta para poder enfrentar mar alto e tempo ruim, pequena para explorar litorais recortados e ágil para navegar com ventos contrários. Com essa embarcação exclusiva dos portugueses, os navegadores do reino enfrentam os perigos e surpresas do “mar Oceano”, exploram o litoral da África e encontram o caminho marítimo para o Oriente.
EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA

A tomada de Ceuta, no norte da África, em 1415, marca o início da expansão portuguesa rumo à África e à Ásia. Em menos de um século, Portugal domina as rotas comerciais do Atlântico sul, da África e da Ásia. Sua presença é tão marcante nesses mercados que, do século XVI ao XVIII, o português é usado nos portos como língua franca – aquela que permite o entendimento entre marinheiros de diferentes nacionalidades.
Financiamento das viagens – A expansão ultramarina envolve somas milionárias. Para financiá-la, a Coroa portuguesa aumenta impostos, recorre a empréstimos junto a grandes comerciantes e banqueiros, inclusive italianos, e aos recursos acumulados pela Ordem de Cristo, herdeira da antiga Ordem dos Templários.
Templários – Braço armado da Igreja, a Ordem dos Templários enriquece com os saques realizados no Oriente Médio durante as cruzadas, nos séculos XII e XIII. Com hierarquia própria, homens armados e muito dinheiro, transforma-se em um poder paralelo dentro da Igreja. Dissolvida pelo papa, os integrantes da ordem são perseguidos por toda a Europa. Portugal acolhe os templários e suas fortunas durante o reinado de dom Diniz, de 1279 a 1325. Eles fundam a Ordem de Cristo. Dom Henrique, membro da ordem e administrador de seus recursos, usa essa riqueza para financiar o projeto ultramarino.
Conquista da costa africana – Entre 1421 e 1434 os lusitanos chegam aos arquipélagos da Madeira e dos Açores e avançam para além do cabo Bojador. Em 1436 atingem o Rio Douro e começam a conquista da Guiné. Ali se apropriam da Mina, centro aurífero explorado pelos reinos nativos em associação aos comerciantes mouros, a maior fonte de ouro de toda a história de Portugal. Em 1441 os portugueses chegam ao cabo Branco. Em 1444 atingem a ilha de Arguim, onde instalam a primeira feitoria em território africano, e iniciam a comercialização de escravos, marfim e ouro. Entre 1445 e 1461 descobrem Cabo Verde, navegam pelos rios Senegal e Gâmbia e avançam até Serra Leoa. De 1470 a 1475 exploram a costa de Serra Leoa até o cabo Santa Catarina. Em 1482 chegam a São Jorge da Mina e avançam até o rio Zaire, o trecho mais difícil da costa ocidental africana. Cinco anos mais tarde, em 1487, Bartolomeu Dias atinge o cabo das Tormentas, no extremo sul do continente – que passa a ser chamado de cabo da Boa Esperança –, e atinge o Índico. Conquista, assim, o trecho mais difícil do caminho para as Índias.
Cristóvão Colombo em Sagres – Na época em que os portugueses atingem a foz do rio Zaire, Cristóvão Colombo trabalha para Portugal e integra a equipe de pilotos de Sagres. Ali elabora seus cálculos – errados – sobre a circunferência da Terra em léguas: imagina as Índias muito mais próximas da Europa. Em 1483 oferece ao rei de Portugal dom João II seu projeto de alcançar as Índias pelo ocidente. Como os portugueses já têm seus próprios planos – chegar às Índias contornando a África –, rejeitam a proposta de Colombo, mais tarde bancada pela Espanha
(Fonte: Conhecimentos Gerais – Google – 15/12/01 – Pesquisa pioneiros

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