Paul Erdman, autor do clássico “O Golpe de Um Bilhão de Dólares”, foi amplamente considerado como tendo popularizado a ficção financeira

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Autor de novelas baseadas em finanças

 

Paul Emil Erdman (Stratford, Ontário, Canadá, 19 de maio de 1932 – Condado de Sonoma, Califórnia, 23 de abril de 2007), escritor de romances best-sellers de intrigas financeiras que começou sua carreira literária no conforto de uma prisão suíça, onde estava sendo mantido em conexão com o colapso do banco suíço que administrou.

 

 

Um economista e ex-seminarista luterano, Erdman foi amplamente considerado como tendo popularizado a ficção financeira, um gênero que ele carinhosamente chamava de fi-fi. Entre seus romances mais conhecidos estão “O Golpe de Um Bilhão de Dólares”, “The Crash of ’79” e “The Panic of ’89”.

Ex-manipulador de câmbio, o autor do clássico “O Golpe de Um Bilhão de Dólares”, Erdman capricha nas complicadas artimanhas das altas finanças internacionais e trata o confronto entre o padrão-dólar e o padrão-ouro como um dramático jogo que envolve fabulosos interesses.

A trama fascinante dos vários personagens que se empenham na luta terrível dos grupos interessados em manipular o mercado internacional de câmbio. E até a intervenção da polícia e do governo suíços acabam parecendo ineficaz e amadorística quando comparada com a precisão e frieza com que funcionam os profissionais dos bancos e das companhias de investimentos.

Economia-ficção – O principal manipulador é Stanley Rosen, um americano que tem como atividade normal tratar das contas secretas dos chefões da Máfia, através de discretas companhias sediadas nas Bahamas. Seu plano de ganhar um bilhão de dólares surge quando ele tem a oportunidade de aplicar a fortuna de seus novos clientes árabes.

 

Mas ele não está só. Os russos, em meio a uma rede de desconfianças e suspeitas internas, têm seu próprio esquema para aproveitar a fraqueza da posição do dólar. Alemães, ingleses e suíços também tentam ganhar o grande prêmio na crise desencadeada. Nessa altura, são roubados os documentos que esboçam o plano do governo americano para salvar o dólar, elevando o preço da onça do ouro e desvalorizando a moeda.

 

Ao longo das manobras, Erdman distribui aulas de economia, afinal, o autor começou a escrever seu romance numa prisão suíça, onde passava uma temporada por contrariar as normas que regem o setor. No seu caso, ao contrário do que ocorre no livro, o crime não compensou.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Erdman era, com toda a probabilidade, um dos poucos romancistas cujos livros eram rotineiramente revisados ​​- muitas vezes de forma brilhante – na Business Week e na The American Banker, bem como em publicações convencionais. Seus romances apresentavam locais exóticos, cartéis sombrios e muito dinheiro.

Paul Emil Erdman nasceu em 19 de maio de 1932, em Stratford, Ontário, filho de pais que se mudaram para lá dos Estados Unidos. (O pai de Erdman, um pastor luterano, tinha um púlpito em Stratford.)

Em 1954, Paul Erdman formou-se bacharel em divindade no Concordia Seminary em St. Louis, seguido no ano seguinte por um segundo bacharelado, da Escola de Serviço Estrangeiro da Georgetown University. Depois de uma temporada no The Washington Post, obteve seu doutorado em economia, história europeia e teologia pela Universidade de Basel, na Suíça, em 1958.

Permanecendo na Europa, Erdman trabalhou como economista para a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Em 1965, ele estabeleceu um banco privado na Suíça, o primeiro americano a fazê-lo. Originalmente chamado de Banco Salik, mais tarde tornou-se o United Califórnia Bank, em Basileia.

Em 1970, o banco de Erdman entrou em colapso por causa da especulação não autorizada em futuros de cacau e prata. Perdas foram relatadas em dezenas de milhões de dólares. Erdman, o presidente do banco, foi despachado para uma prisão suíça – uma masmorra do século 17 na Basileia – para aguardar as acusações.

Foi por todas as contas uma masmorra muito boa. Serviço de quarto, completo com vinhos finos, foi fornecido (às custas de Erdman) pelos melhores restaurantes locais. O vinho viria a calhar mais tarde, como ele descobriu.

Erdman também tinha uma Olivetti portátil e, para passar o tempo, decidiu escrever um livro de não-ficção sobre economia. Mas a única coisa que o calabouço não tinha era uma biblioteca de pesquisa, então ele transformou o livro em um romance.

Escrever foi uma luta no começo. Mas a ajuda chegou na forma de um novo recluso, um francês com a reputação de ser o melhor arrombador da Europa.

“Enviei-lhe algumas garrafas de vinho e, em troca, ele me disse uma maneira de um amador quebrar um cofre facilmente com equipamento comum”, disse Erdman ao New York Times em 1981. “Isso se tornou o primeiro, cena no primeiro capítulo do meu primeiro romance.”

A novela, “The Billion Dollar Sure Thing”, ganhou um Edgar Award do Mystery Writers of America em 1974.

 

 

Após cerca de oito meses de prisão, Erdman pediu fiança de US $ 133.000 e voltou para os Estados Unidos. Em 1973, um tribunal suíço condenou-o à revelia de fraude e condenou-o a nove anos de prisão. Ele se recusou a voltar para a Suíça.

 

 

O romance de Paul Erdman, The Silver Bears, tornou-se um filme de Hollywood em 1978, estrelado por Michael Caine, Cybill Shepherd, Martin Balsam e Jay Leno.

Ele também escreveu vários livros de não-ficção sobre tópicos financeiros.

 

Refletindo sobre seu tempo na prisão, Erdman concluiu que, do ponto de vista empresarial, pelo menos, isso foi de grande benefício. Como ele disse ao The American Banker em 1996: “Foi o que você chama de uma mudança de carreira bem-sucedida”.

Paul Erdman morreu em 23 de abril de 2007, em seu rancho em Healdsburg, Califórnia. Ele tinha 74 anos. A causa foi câncer.

(Fonte: Companhia do New York Times – TRIBUTO / MEMÓRIA / Por MARGALIT FOX – 25 DE ABRIL DE 2007)
(Fonte: Veja, 13 de fevereiro de 1974 – Nº 284 – LITERATURA / Por Geraldo Galvão Ferraz – Pág: 87/88)
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