“Os brasileiros são entusiastas do belo ideal, amigos da sua liberdade, e mal sofrem perder as regalias que uma vez adquiriram. Obedientes ao justo, inimigos do arbitrário, suportam melhor o roubo que o vilipêndio. Ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talento por natureza: de imaginação brilhante.” José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), Patriarca da Independência, Pensamentos e Notas, sem data

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Diálogo sobre as grandezas do Brasil

Interlocutores de diversas épocas discutem o país

“O país, no dizer de todos, é rico, tem todos os minerais, todos os vegetais úteis, todas as condições de riqueza, mas vive na miséria.” (Lima Barreto, escritor, Os Bruzundangas, 1922)

“O brasileiro é um homem que deseja apaixonadamente morar em Paris.”  Conde de Gobineau (1816-1882), escritor, diplomata, e filósofo francês, embaixador no Brasil entre 1869 e 1870.

“O Brasil não tem povo.”  Louis Couty (1854-1884), biólogo francês, em “A Escravidão no Brasil” (1881).

Louis Couty (Foto: Wikiwand/Reprodução)

Louis Couty (Foto: Wikiwand/Reprodução)

 

“Apesar disso o Brasil passou a ser uma nação mais ou menos independente, tendo como imperador o barão de Rothschild.” José Madeira de Freitas (1893-1944), desenhista, caricaturista, médico, escritor e pintor. Publicou várias de suas obras com o pseudônimo de Mendes Fradique.

“Os brasileiros são entusiastas do belo ideal, amigos da sua liberdade, e mal sofrem perder as regalias que uma vez adquiriram. Obedientes ao justo, inimigos do arbitrário, suportam melhor o roubo que o vilipêndio. Ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talento por natureza: de imaginação brilhante, e por isso amigos das novidades que prometem perfeição e enobrecimento; generosos, mas com bazófia; capazes de grandes ações, contanto que não exijam atenção aturada, e não requeiram trabalho assíduo e monotônico; apaixonados do sexo por clima, vida e educação. Empreendem muito, acabam pouco. Serão os atenienses da América, senão forem comprimidos e tiranizados pelo despotismo.” José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), Patriarca da Independência, Pensamentos e Notas, sem data

“Numa terra radiosa vive um povo triste. Legaram-lhe essa melancolia os descobridores que a revelaram ao mundo e a povoaram. O esplêndido dinamismo dessa gente rude obedecia a dois grandes impulsos que dominam toda a psicologia da descoberta e nunca foram geradores de alegria: a ambição do ouro e a sensualidade livre e infrene que, como culto, a Renascença fizera ressuscitar.” Paulo Prado (1869- 1943), escritor, em Retrato do Brasil (1928)

“O Brasil  é um deserto de homens e ideias.” Oswaldo Aranha, político e diplomata, 1933

“O Brasil  é um vasto hospital.” Miguel Couto (1864-1934), médico e escritor

“Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são.” Mário de Andrade, escritor, pela boca do personagem-título de Macunaíma, 1928

(Fonte: Veja, 8 de setembro de 2004 – ANO 37 – N° 36 – Edição 1870 – ENSAIO/ Por Roberto Pompeo de Toledo – Pág: 154)

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