Norman Gimbel, compositor premiado com o Oscar e o Grammy, foi autor da versão em inglês de ‘Garota de Ipanema’

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Foi autor da versão em inglês de ‘Garota de Ipanema’

 

Americano também era letrista de ‘Killing me softly’, sucesso de Roberta Flack

Premiado compositor foi o responsável pelo tema da série de TV da Mulher-Maravilha

Norman Gimbel (Brooklyn, Nova York, 16 de novembro de 1927 – Califórnia, no dia 19 de dezembro de 2018), compositor premiado com o Oscar e o Grammy, letrista de “Killing me softly with his song” e da versão em inglês de “Garota de Ipanema”.
Nascido no Brooklyn, Gimbel ganhou um Oscar de melhor canção original com o coautor David Shire por “It Goes Like It Goes”, de Jennifer Warnes, no filme de 1979 “Norma Rae”.

Vencedor do Oscar e do Grammy, além de membro do Hall da Fama de Compositores, Norman Gimbel assina grandes hits, como “Killing Me Softly”, canção famosa na voz de Roberta Flack. Na sua longa lista de composições ainda estão o tema da série de TV da Mulher-Maravilha e a versão em inglês de “Garota de Ipanema”.

 

 

Ele ganhou o Oscar em 1980 pela canção original do longa Norma Rae, “It Goes Like It Goes”. Mas também foi indicado, na década de 1970, pelas músicas originais que escreveu com seu parceiro de longa data Charles Cox para os filmes Golpe Sujo e Uma Janela para o Céu.

Letrista novaiorquino que encontrou cedo a fórmula do sucesso, Norman Gimbel teve uma carreira de prêmios, reconhecimento e fortuna. Famoso por ser coautor de “Killing me softly with his song” (com Charles Fox), sucesso na voz de Roberta Flack pelo qual foi premiado com um Grammy em 1973, o criador também tinha no currículo um Oscar de melhor canção original — por “It goes like it goes”, com David Shire, do filme de 1979 “Norma Rae”. Ele entrou para o Hall da Fama dos Compositores em 1984.

Mas foi também com versões de canções estrangeiras que ele garantiu boas cifras ao longo da vida. Em 1964, foi o responsável por transformar “Les parapluies de Cherbourg”, tema de Michel Legrand para o filme “Os guarda-chuvas do amor”, em “I will wait for you”. Na mesma época, a letra em inglês de Gimbel para “Garota de Ipanema” (“The girl from Ipanema”), premiada com Grammy em 1965, ajudou a transformá-la em uma das músicas com mais versões de todos os tempos.

 

Sobre ela, algumas curiosidades: Tom Jobim precisava verter letras para o inglês, a fim de gravar suas canções nos Estados Unidos. Recorreu a uma editora, que lhe indicou Gimbel. O compositor teve que defender a manutenção da palavra Ipanema no título, e mesmo nos versos. Para o americano, Ipanema (pronunciava “ai-pa-ni-ma”) era uma palavra esquisita, lembrando “Ipana”, marca de uma pasta de dente. No fim, chegaram a um consenso, com o nome do bairro soando como “ipanima”.

Não foi a única incursão pela bossa nova. Pelas mãos de Norman Gimbel, “Meditação” virou “Meditation”, “Insensatez”, “How insensitive”, e “Água de beber”, “Drinking water”. Com isso, junto com o canadense Gene Lees (1928-2010) e o americano Ray Gilbert (1912-1976), foi o principal “tradutor” do gênero musical brasileiro para o mundo.

 

Como seus colegas, descobriu nas músicas latino-americanas uma mina de ouro. Um de seus maiores sucessos foi “Sway”, na voz de Dean Martin, na verdade “Quién será?”, mambo do mexicano Pablo Ruiz.

 

 

Briga na Justiça

 

 

Por décadas, Gimbel recebeu uma pequena parcela dos direitos de execução de “The girl from Ipanema”, com Tom e Vinicius levando 20% cada um. O restante ficava com a editora (depois incorporada ao grupo Universal). Mas em 1995, um ano após a morte de Tom, o letrista renovou o copyright da canção como sendo originalmente sua. Com a manobra, passou a ter direito às porcentagens dos autores brasileiros, e também a ganhar em cima das versões em outras línguas.

 

Os herdeiros de Tom e Vinicius travaram uma batalha na Justiça americana para reverter a decisão. Viúva de Tom, Ana Lontra Jobim chegou a dar entrevistas denunciando a “má-fé” do tradutor. Só em 2010, conseguiram uma sentença favorável que levou a Universal a repor o que originalmente cabia aos verdadeiros criadores.

 Norman Gimbel morreu aos 91 anos, em sua casa em Montecito, na Califórnia, no dia 19 de dezembro de 2018.

 

Robert Folk, que colaborou com Gimbel em 15 músicas, disse em um post no Facebook que “Norman tinha um talento incrível, era brilhante em todos os sentidos, que tocou com sucesso todos os gêneros”. “Lembro-me de quando (…) ele me disse: ‘Nunca diga como esse trabalho é fácil para nós e como nos divertimos ou nunca vão nos pagar todo esse dinheiro!’”.

(Fonte: Zero Hora – ANO 55 – N° 19.284 – 31 dezembro 2018 E 1° de janeiro de 2019 – TRIBUTO / MEMÓRIA – Pág: 33)

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/musica – CULTURA / MÚSICA / Por O Globo – 29/12/2018)

(Fonte: https://www.omelete.com.br/musica – MÚSICA / Por MARIANA CANHISARES – 28.12.2018)
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