Larry Kramer, ativista gay e pioneiro da luta contra a aids, autor de ‘The Normal Heart’

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Larry Kramer, autor de ‘The Normal Heart’ e ativista LGBTQ+

 

 

Larry Kramer (Bridgeport, Connecticut, 25 de junho de 1935 – Nova York, 27 de maio de 2020), o autor, dramaturgo, roteirista e ativista conhecido pela peça “The Normal Heart” e por seu trabalho para conscientizar o público sobre a pandemia da HIV/AIDS.

 

Ativista americano pelos direitos dos homossexuais, cujas ações e escritos ousados denunciaram a apatia do governo de seu país frente à crise da aids nos anos 80, Kramer fundou em 1981, a Gay Men’s Health Crisis, primeira organização de apoio a portadores do vírus HIV, mas a abandonou um ano depois, devido a conflitos com os demais organizadores.

 

Em 1987, fundou a Act Up, com a qual liderou manifestações e grandes ações, como invasões surpresa a repartições públicas, à Bolsa de Nova York e até à igreja de St. Patrick durante uma missa, para tentar convencer líderes americanos a combaterem a aids.

Nascido em 25 de junho de 1935, em Bridgeport, Connecticut, Kramer formou-se na Universidade de Yale, em 1957, e alistou-se no Exército. Fez uma incursão pelo cinema e trabalhou, em Londres, nos roteiros de “Dr. Fantástico” e “Lawrence da Arábia”. Era conhecido como um roteirista provocador e, em 1971, foi indicado ao Oscar por sua adaptação do romance de D.H. Lawrence “Mulheres Apaixonadas”.

 

Em seguida, Kramer começou a escrever sobre a homossexualidade e, em 1978, publicou seu primeiro romance, “Faggots”. No começo dos anos 1980, foi um dos primeiros ativistas a reconhecer que a aids era uma doença letal que poderia se propagar e matar milhões de pessoas no mundo, não importando seu gênero.

 

Embora a retórica dura e o estilo combativo de Kramer afastassem alguns, ele canalizou sua fúria com a resposta quase inexistente do governo americano à crise da aids em um ativismo urgente, que transformou o sistema de saúde pública dos Estados Unidos.

 

Entre os escritos de Kramer mais conhecidos está “The Normal Heart”, peça teatral de 1985 que condenava a falta de ação de dirigentes frente à aids e que recebeu três prêmios Tony em 2011, antes de ser adaptada para o cinema.

Começo no cinema

 

Kramer começou sua carreira como roteirista, ganhando uma indicação ao Oscar pelo trabalho em “Mulheres Apaixonadas” (1969), do diretor Ken Russell. Em 1978, lançou o livro “Faggots”, que causou polêmica ao retratar de forma satírica a comunidade LGBTQ+ de Nova York.

 

A trama é protagonizada por um rapaz gay que não se identifica com o que vê como o estilo de vida predominante na comunidade, prezando o sexo, as drogas e a diversão acima de tudo. Na época, livrarias LGBTQ+ se revoltaram contra o retrato duro de Kramer, e boicotaram a obra.

 

“As pessoas literalmente viravam as costas para mim na rua. Sabe qual foi o meu crime? Eu disse a verdade. Isso foi o que eu fiz. Eu disse a maldita verdade para todos que já conheci na minha vida”, comentou Kramer em entrevista de 2002.

 

Ativismo

 

Nos anos 1980, o autor se engajou na luta contra a AIDS, ajudando a fundar a Gay Men’s Health Crisis (GMHC), que se tornou a maior organização privada do mundo a dar assistência a pacientes de HIV.

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Ele também foi um dos ativistas envolvidos na fundação do ACT UP (Coalisão para Liberar o Poder contra a AIDS, na sigla em inglês), que realizou atos de desobediência civil desenhados para chamar a atenção do governo para a pandemia.

 

Em 1988, o próprio Kramer descobriu que era portador da HIV, enquanto estava no hospital por outro motivo. A doença, no entanto, nunca se manifestou no autor.

 

 

‘The Normal Heart’

 

Um dos primeiros membros da comunidade LGBTQ+ a perceber a gravidade da pandemia, Kramer se revoltou com a apatia do governo e de seus amigos. Em 1985, expressou essa frustração em “The Normal Heart”, peça autobiográfica que retrata vários personagens soropositivos.

 

Em 2014, “The Normal Heart” foi transformado em telefilme por Ryan Murphy (“American Horror Story”). Mark Ruffalo, Jonathan Groff, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Matt Bomer e Alfred Molina formaram o elenco do longa, que venceu um Globo de Ouro (para Bomer) e dois Emmys (incluindo melhor telefilme).

 

 

Família

 

Kramer conheceu o seu marido, o arquiteto David Webster (1922-1961), nos anos 1970, quando os dois tiveram um breve relacionamento. A reunião aconteceu em 1991, e o casal seguiu firme até 2013, quando oficializaram o casamento.

 

O autor norte-americano continuou trabalhando em livros, peças e roteiros até a morte — incluindo “The Destiny of Me”, sequência de “The Normal Heart” lançada em 1992; e “An Army of Lovers Must Not Die”, peça ainda inédita que ele revelou ter escrito com inspiração na pandemia do novo coronavírus.

 

“Na medicina americana, há duas eras: antes de Larry e depois de Larry”, disse Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas e líder da luta do governo contra a pandemia do novo coronavírus, à revista “The New Yorker”, em 2002.

 

Larry Kramer faleceu aos 84 anos, em Nova York, em 27 de maio de 2020. O ativista morreu de pneumonia. Ele sofria de várias doenças, era HIV positivo e se submeteu a um transplante de fígado em 2001.

O marido de Kramer, David Webster, confirmou a notícia ao “The New York Times”, citando pneumonia como a causa da morte.

A escritora Susan Sontag o classificou como “um dos perturbadores mais úteis dos Estados Unidos”. “Milhões de pessoas estão vivas graças a Larry Kramer, incluindo eu”, tuitou após a sua morte Corey Johnson, presidente do Conselho Municipal de Nova York, que é homossexual. “Ele não era a pessoa mais fácil e graças a Deus por isso. Era um heroi e se tornou meu amigo.”

(Fonte: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/05/27 – ENTRETENIMENTO / ENTRETÊ / LIVROS E HQS / Do UOL, em São Paulo – 27/05/2020)

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2628 – COMPORTAMENTO / Por AFP – 22/05/2020)

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