Kim Jong-il (Sibéria, 16 de fevereiro de 1941 – 17 de dezembro de 2011), ditador da Coreia do Norte, esteve à frente da única dinastia comunista hereditária do mundo durante 17 anos, nos quais transformou seu país em uma ameaça nuclear tão hermética quanto empobrecida.
Se seu pai, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte, era o “grande líder” e “presidente eterno”, Kim Jong-il foi o “amado líder” dos norte-coreanos, aos quais governou com mão de ferro e um sólido aparelho de propaganda desde 1994.
Durante seu regime ditatorial, baseado na glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o “amado líder” se consolidou como um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica.
Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis de um regime tão hermético quanto desafiador.
Kim Jong-il, o ditador que fez da Coreia do Norte um enigma nuclear
Kim Jong-il, que morreu dia 17 de dezembro de 2011, aos 69 anos de um infarto, esteve à frente da única dinastia comunista hereditária do mundo durante 17 anos, nos quais transformou seu país em uma ameaça nuclear tão hermética quanto empobrecida.
Desde que em agosto de 2008 sofreu uma apoplexia, as aparições públicas de Kim foram contadas e nelas mostrou uma figura cada vez mais frágil e cansada, embora sempre com seus inseparáveis óculos de sol e o uniforme militar que se transformaram em sua marca registrada.
Se seu pai, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte, era o “grande líder” e “presidente eterno”, Kim Jong-il foi o “amado líder” dos norte-coreanos, aos quais governou com mão de ferro e um sólido aparelho de propaganda desde 1994.
Durante seu regime ditatorial, baseado na glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o “amado líder” se consolidou como um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica.
Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis de um regime tão hermético quanto desafiador.
A apoplexia sofrida há três anos pelo líder norte-coreano lhe deixou sequelas visíveis e a isso se somaram o diabetes e os problemas cardíacos que supostamente também sofria.
Uma saúde delicada que, no entanto, não impediu que Kim realizasse em 2011 duas longas viagens, uma a Pequim e outra ao leste da Rússia, em seu trem blindado (evitava o avião por seu medo de voar) ambos possivelmente programados para falar com os dirigentes destes dois países sobre o processo de sucessão, segundo os analistas.
E foi justamente em um trem onde o ditador, segundo a televisão estatal norte-coreana, morreu neste sábado por causa de “fadiga física e mental”.
Acredita-se que Kim Jong-il tenha nascido no dia 16 de fevereiro de 1941 na Sibéria, onde sua família se exilou durante a Segunda Guerra Mundial e em cujos registros figuraria com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim.
Sua biografia oficial, no entanto, afirma que foi na montanha sagrada norte-coreana de Paektu em 1942 – justo 30 anos depois do nascimento de seu pai – e que foi acompanhado de um duplo arco-íris e uma nova estrela no céu.
Após sua graduação assumiu os departamentos de cultura e propaganda do Partido dos Trabalhadores, onde foi escalando postos conforme recebia formação política.
Em 1980 foi realizado um Congresso do partido no qual Kim foi designado oficialmente o sucessor de seu pai e membro do Comitê Central e do Comitê Militar da formação.
Mas o primeiro posto de poder real lhe chegaria em 1991, quando assumiu as Forças Armadas como Comandante Supremo.
Três anos mais tarde, em julho de 1994, seu pai faleceu e ele se transformou no novo líder dos norte-coreanos, embora formalmente todos os poderes do país stalinista foram assumidos após outros três anos de luto confuciano.
Considerado impaciente e excêntrico, amante da boa mesa e do álcool, Kim Jong-il também ganhou fama de mulherengo, embora sua vida particular tenha transcorrido envolvida em mistério.
Segundo um livro publicado em 2003 pelo que foi um de seus cozinheiros, o japonês Kenji Fujimoto, o líder norte-coreano organizava grandes banquetes e extravagantes festas nas quais não faltavam sushi, caviar e álcool de sua adega, de perto de 10.000 garrafas.
Kim também foi um reconhecido amante do cinema e conta, segundo várias de suas biografias, com uma enorme videoteca com milhares de filmes de ação e espionagem.
O líder norte-coreano teve três filhos homens e pelo menos quatro filhas de mulheres diferentes. Seu primogênito, Kim Jong-nam, é filho da atriz Sung Hye-rim, enquanto a mãe de seus outros dois filhos, Kim Jong-chol e Kim Jong-un, é a dançarina Ko Young-hi.
O jovem Kim Jong-un, de cuja vida não se sabe praticamente nada, desponta como o sucessor de seu pai, depois que o primogênito caiu em desgraça após ser detido no Japão quando tentava entrar com um passaporte falso para visitar o parque Disneylândia de Tóquio.
Kim Jong-un, que se acredita que tenha 29 anos, parece ter sido chamado para se transformar na terceira geração a liderar o isolado regime comunista da Coreia do Norte.
O líder norte-coreano, que nasceu em 16 de fevereiro de 1942, tinha fama de gostar de charutos, conhaque e da boa mesa.
De acordo com as informações da TV estatal, Kim Jong-il morreu em virtude de excesso de trabalho “mental e físico”, disse a BBC. Ele teria sofrido um ataque cardíaco. Kim tinha 69 anos.
O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, morreu no último sábado durante uma viagem de trem, de acordo com a rede estatal de TV local. A informação foi confirmada por agências internacionais. A morte dele foi anunciada em uma “transmissão especial” da TV por uma apresentadora “vestindo roupas pretas”. Nas imagens, ela parece estar nervosa e emocionada.
A correspondente da rede britânica na Coreia do Sul disse que a morte do líder norte-coreano causa uma “onda de choque” no país vizinho. Os militares sul-coreanos estariam em estado de alerta desde que souberam da informação sobre a morte do ditador, que estava no poder desde que o pai dele, Kim Il-sung, morreu, em 1994.
(Fonte: www.estadao.com.br – PYONGYANG – 19 de dezembro de 2011)
(Fonte: veja.abril.com.br – Seul, 19 dez (EFE)- Sociedade)
Kim Jong-il, que teria 69 anos, governava a Coreia do Norte de forma autoritária há 17 anos através de um regime comunista de inspiração estalinista, baseado no culto da personalidade. Era oficialmente chamado de Querido Líder e não admitia qualquer laivo de oposição ao poder absoluto, posição que lhe deu fama internacional como o chefe de estado mais totalitário e irredutível do mundo.
Depois de uma apoplexia em 2008 e de aparições em público cada vez mais raras, começaram os rumores sobre a sua sucessão que – sabe-se agora – vai recair no filho mais novo, Kim Jong-un, cuja idade exacta se desconhece (terá 29 anos). Jong-Un terá sido nomeado general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar central do Partido dos Trabalhadores em 2010. Sabe-se igualmente que o sucessor de Kim Jong-il foi educado na Suíça e que é filho de uma das mulheres favoritas do pai, Ko Yong-hui (já falecida).
A agência noticiosa estatal da Coreia do Norte, a KCNA, apelou ao povo norte-coreano que se mantenha unido em torno do sucessor do Querido Líder. Todos os membros do partido, os militares e o público deverão seguir fielmente a liderança do camarada Kim Jong-un e proteger e fortalecer ainda mais a frente unificada do partido e do Exército, adiantou a mesma agência.
Em Maio deste ano, Kim Jong-il, cujas imagens de marca eram o uniforme militar e os óculos de sol, deslocou-se no seu comboio blindado à China, aliado estratégico do regime, e em Agosto escolheu o extremo oriente russo para aquela que terá sido a sua última viagem ao estrangeiro.
O Governo de Pyongyang anunciou que as cerimónias fúnebres acontecerão no dia 28 de Dezembro e Kim Jong-un estará à frente da organização das exéquias, segundo informaram os meios de comunicação norte-coreanos citados pelas agências internacionais.
À semelhança do que se prepara para acontecer agora, também Kim Jong-il herdou do pai (Kim Il-sung) a liderança da Coreia do Norte. Pouco depois de ter subido ao poder, uma grave fome – causada por reformas económicas ineficientes e más condições de armazenamento – terá provocado dois milhões de mortos.
O regime da Coreia do Norte há muitas décadas que é criticado pelos abusos aos direitos humanos e pelo isolacionismo internacional resultante da vontade de Pyongyang em se dotar de armas atómicas.
Foi sob a liderança de Kim Jong-il que a Coreia do Norte levou a cabo os seus primeiros testes nucleares, em 2006. As negociações multilaterais com o objectivo de desarmar o país estão num impasse há vários meses.
(Fonte: www.publico.pt/Mundo – 19.12.2011 – Por Sérgio B. Gomes)
- Kim Jong Il em foto de 2010


