João Baptista Ferri, artista consagrado em obras com realismo e qualidade artesanal

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Ferri: realismo e qualidade artesanal

João Baptista Ferri (São Paulo, 6 de junho de 1896 – São Paulo, 3 de fevereiro de 1978), ex-mestre-de-obras do engenheiro Ramos de Azevedo, vivendo em São Paulo, artista consagrado que permaneceu longo tempo esquecido.

No final do século XIX, a escultura no Brasil era comportada e tinha uma específica função social. Retratava os ilustres, decorava suas casas e túmulos e eventualmente os jardins públicos.

Quando o modernismo descobriu a geometria, alguns escultores experimentaram as silhuetas alongadas em metais menos nobres e também mudaram as formas dos objetos de uso, aplicando-lhes relevos, volumes e enfeites.

Nos anos 30, foi a vez dos imigrantes italianos produzirem uma estatuária realista, que permaneceu fora do circuito dos museus e galerias.

Nasceu em 6 de junho de 1896, na Cidade de São Paulo. Filho dos emigrantes italianos José Ferri e Massimina Ferri, iniciou os seus estudos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, com o professor Viggiani.

Em 1913, com 17 anos fez a sua primeira viagem à Itália, onde estudou na renomada “Scuola e Laboratório Barolo di Arte Applicata all’Industria”, em Varallo Sesia (Piemonte), com o Mestre Giovanni Mauro e ingressando depois, na Academia de  Belas Artes de “Brera” de Milão.

Em 1917, devido a Primeira Grande Guerra Mundial, volta ao Brasil.

De 1919 a 1923, trabalha com o premiadíssimo escultor italiano Ettore Ximenes, no Monumento do Ipiranga e no Monumento a “Amizade sírio-libanesa”- Parque D. Pedro II, doado pela colônia Síria e executo pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Em 1922, participa do 1o. Salão Paulista, organizado por um grupo de jovens e também, da I Exposição de Belas Artes, realizada em São Paulo, no Palácio das Industrias. Em 1923, faz nova viagem a Europa, onde executa 3 monumentos aos Mortos da primeira Guerra, nas Cidades de Prato Sesia, Cavaleiro e Boca.

Em 1924, participa da Quadrienal de Milão.

Em 1925, volta ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo.

Em 1928, exerce a função de Secretário da Comissão Executiva do Salão de Arte organizado por “Muse-Italiche”, onde também expôs. Esta exposição foi realizada, no antigo Palácio das Industrias, em maio, sob o patrocínio da ex-Sociedade Italiana de Cultura.

Neste mesmo ano participa pela primeira vez do Salão Nacional de  Belas Artes, com as obras: Lenda Heroica; Retracto e Índio.

Em 1929, participa pela segunda vez do Salão Nacional de Belas Artes, apresentando as obras: Retrato do Prof.Leopoldo e Silva, Espasmos e Raios de Sol, ganhando com esta última escultura, ao tamanho natural, a Medalha de Prata , a qual foi adquirida pelo Poeta Olegário Mariano.

Em 1932, executa a Herma a Newton Prado, em Leme, e a do Coronel Luiz Dias, em São Jose do Rio Pardo.

Em 1933, realiza a sua primeira exposição individual à rua João Briccola e expõe no Salão Nacional de Belas Artes.

Em 1934, participa do 1o. Salão Paulista de Belas Artes, organizado pelo Governo do Estado de São Paulo, apresentando as obras: Banhista, Nu, Oração ao Sol, Lançador de Peso e Bailarina.

Em 1935, participa do 3o. Salão Paulista de Belas Artes de São Paulo.

Em 1936, fez exposição, juntamente com Hélios Seelinger e Vicente Leite, no Palácio das Arcadas.

Em 1937 ingressa na Escola de Belas Artes de São Paulo, como Professor  de Moldagem, ficando até 1942, e expõe com os quatro irmãos Alípio, João, Pádua e Arquimedes Dutra, no Palácio Arcadas, na Rua Quintino Bocaiúva e visitada pelo então Governador do Estado, Sr. Cardoso de Mello Netto.

Executou em 1938, para o então Prefeito de São Paulo, Prestes Maia, as obras: Índio Caçador, que se encontra na Rua Vieira de Carvalho, Guanabara, na Ladeira Falcão Filho, no Parque do Anhangabaú , e o Tempo na Rua Major Natanael. Para a Prefeitura de Santos: Bacante, no Orquidário Municipal, Monumento a Industria e Comércio e Municipalidade, no centro, na Cidade de Rio Claro, a Herma de Navarro de Andrade e participa do Salão Paulista de Belas Artes.

Expõe ainda, com os Pintores Hélios Seelinger e Paula Fonseca, à Rua Barão de Itapetininga.

Em 1939, participa da Exposição Internacional de New York.

Em 1941, é agraciado com Medalha de Ouro no Salão Nacional de Belas Artes e no ano seguinte, 1942, é um dos fundadores da Associação Paulista de Belas Artes, participa do 8o. Salão Paulista de Belas Artes e da Exposição Internacional de Valparaiso, no Chile, onde recebe a Medalha de Honra.

A convite do Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro realiza uma exposição individual, em 1943, e outra na Cidade de Piracicaba, São Paulo. Neste mesmo ano ganha o premio Prefeitura de São Paulo, no 9o. Salão Paulista de Belas Artes.

Foi membro, em 1944, da Comissão Organizadora que prestou homenagem ao Prefeito Prestes Maia e ao Secretário de Educação de São Paulo, Sr. Sebastião Nogueira Lima, pelo muito que fizeram em prol das Artes Plásticas.

Em 1946, expõe em Buenos Aires, juntamente com Júlio Guerra e Joaquim Rocha Ferreira no Salão do “Circulo de Bellas Artes de Buenos Ayres”, e no ano seguinte faz uma exposição individual.

Participa do 13º. Salão Paulista de Belas Artes, em 1947, com as obras; Maratonista, Nu e Atleta em Descanso, recebendo a Grande Medalha de Ouro, com esta última e adquirida pelo Governo do estado de São Paulo para a Pinacoteca.

Executa em 1949 o Monumento a Valentim Gentil , em Itápolis e em 1951, participa do Salão Baiano de Belas Artes, recebendo a Medalha de Prata e do 16º. Salão Paulista de Belas Artes recebe o Premio Assembleia Legislativa do Estado. De 1954 a 1966 participa de vários Salões Paulista de Belas Artes, acumulando cada vez mais, ao seu currículo diversos prêmios, incluindo o Premio Viagem ao Pais, conquistado no Salão Nacional em 1960.

Em 1977 faz a sua ultima exposição individual no MASP.

Em 3 de fevereiro de 1978 falece Ferri, em São Paulo.

(Fonte: Veja, 24 de março de 1982 – Edição 707 – ARTE/ Por Casimiro Xavier de Mendonça – Pág: 120)

(Fonte: http://www.areliquia.com.br – A RELÍQUIA/ Por Luiz Octávio Louro Gomes – Presidente do Circulo dos Antiquários de São Paulo)

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