Jean William Fritz Piaget, psicólogo e pedagogo, considerado o pai da moderna psicologia infantil

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Piaget: a criança deve aprender a inventar

O mago da inteligência

Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, Suíça, 9 de agosto de 1896 – Genebra, Suíça, 16 de setembro de 1980), psicólogo e pedagogo suíço. Uma herança de liberdade e fé na inteligência humana. Nasceu em Neuchâtel, no dia 9 de agosto de 1896. Unanimemente como o pai da moderna psicologia infantil. Estudou inicialmente biologia, na Suíça, e posteriormente se dedicou à área de Psicologia, Epistemologia e Educação.

Foi professor de psicologia na Universidade de Genebra de 1929 a 1954; tornando-se mundialmente reconhecido pela sua revolução epistemológica. Licenciado em Biologia, mas pesquisador voraz em Filosofia e Psicologia, com mais de 300 obras publicadas e seis títulos de doutor em universidades inglesas, americanas e francesas, Jean Piaget deixou uma herança tão vasta quanto prática.

 

INVENTOR OU ARQUIVISTA –- O aspecto mais difundido da obra de Piaget –a psicopedagogia, hoje um lugar-comum em inúmeras escolas – surgiu quase casualmente, a partir de observações tomadas entre seus três filhos no período do entre-guerras. Foi então que ele desenvolveu suas teorias sobre as etapas do desenvolvimento da inteligência infantil, que corresponderiam à passagem, até os 4 anos, da forma mais elementar de raciocínio a um pensamento operacional, e deste ao abstrato.

Assim, enquanto uma criança de 4 anos seria universalmente incapaz de representar num desenho o trajeto que faz da escola para casa, uma de 7 já poderia fazer não só esse desenho mas também compreenderia que a quantidade de água de um prato raso pode equivaler-se à de uma taça alta. Piaget partiu do princípio de que o intelecto não é uma caixa vazia que os anos vão recheando de informações mas, sim, uma estrutura pré-programada em alguns degraus de evolução. Ele acreditava que a educação infantil tinha que se valer menos de estímulos externos, como prêmio e punição, e mais das necessidades demonstradas pela própria criança.

O professor suíço subverteu a noção de pedagogia infantil. Descartou a educação tradicional, segundo a qual a criança era ensinada pela sucessão de informações dos adultos, cabendo-lhe, apenas, armazená-las. Nessa linha, uma criança era mais ou menos inteligente se armazenava mais ou menos ensinamentos.

No lugar dessa ideia, elaborou uma teoria segundo a qual o desenvolvimento da inteligência se dá muito mais – e melhor – pelo estímulo da capacidade da própria criança de inventar o máximo de associações com qualquer quantidade de informações. Inimigo das estatísticas e testes de quociente intelectual, suas posições lhe valeram um patrulhamento nos meios intelectuais americanos dominados pelo comportamentalismo, até o início dos anos 60.

 

O HOMEM PENSANTE – Foi estudando o desenvolvimento intelectual da criança que Piaget chegou a sua grande descoberta teórica, a epistemologia genética – uma teoria do conhecimento humano do bê-a-bá infantil ao mais complexo pensamento científico, baseada no desenvolvimento biológico do indivíduo. Foi pensando nessa “base biológica da inteligência” que ele fundou, em 1955, o Centro Internacional de Epistemologia Genética, reunindo biólogos, matemáticos e psicólogos.

Um dos últimos gênios de talhe orgulhosamente científico, pesquisador inveterado desde os 10 anos , data de seu primeiro trabalho sobre um pardal albino, Piaget costumava dizer que havia tido “o raro privilégio de entrever a ciência antes de sofrer as crises filosóficas da adolescência”.

Nos últimos anos, esse renomado cientista viciado em acordar às 4 horas da manhã, em bicicletas e três meses por ano de férias nos Alpes, havia voltado a sua paixão juvenil, a Zoologia e a Botânica – aos mesmos moluscos que lhe haviam inspirado na juventude o sonho olímpico de decifrar os mistérios da mente do homem pelo conhecimento de sua biologia. Como todos os outros sonhos olímpicos, esse desafio sobrevive aos que, como Piaget, o enfrentam, mas, quando o velho professor morreu, uma coisa era certa: depois dele, os mistérios da mente, sobretudo das crianças, diminuíram.

Em março de 1978, a Polícia Federal prendia em Curitiba onze professores e mantinha sob vigilância estrita dezenas de elementos entre 3 e 6 anos de idade, todos frequentadores assíduos da Oca e Oficina, dois dos mais reputados jardins da infância naquela cidade. O crime em questão eram supostas “atividades contrárias à segurança nacional” e o cérebro internacional por trás da operação pedagógica, o psicólogo suíço Jean Piaget, cujo método seria utilizado então para aliciar pais, mestres e crianças.

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Falecido em Genebra na Suíça, no dia 16 de setembro de 1980, aos 84 anos de idade, Jean Piaget a despeito das fantasias dos órgãos de segurança, nunca teve veleidades marxistas, nem mesmo um diploma de psicólogo ou pedagogo, apesar de ser tido como o pai da moderna psicologia infantil.

 

(Fonte: Veja, 24 de setembro de 1980 – Edição 629 – Datas – Pág; 74 –- CULTURA -– Pág; 52)

 

 

 

 

 

 

Morre em 16 de setembro de 1980 o psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget, um dos maiores pedagogos do século 20.

(Fonte: Zero Hora – ANO 51 – Nº 17.872 – 16 de setembro de 2014 – HOJE NA HISTÓRIA – Almanaque Gaúcho/ Por Ricardo Chaves – Pág: 44)

 

 

 

 

 

 

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