Jean-Claude Brisseau, cineasta francês, autor de uma dúzia de filmes, incluindo “Boda Branca”

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Cineasta francês Jean-Claude Brisseau – Personalidade controversa no cinema

 

Jean-Claude Brisseau (Paris, 17 de julho de 1944 – 11 de maio de 2019), cineasta francês, autor de uma dúzia de filmes, incluindo “Boda Branca”

 

Personalidade controversa no cinema, por sua trajetória e temáticas, ele foi condenado em 2005 pelo assédio sexual de duas jovens atrizes e, no ano seguinte, por apelação, por agressão sexual a uma terceira atriz. Em novembro de 2017, a Cinémathèque Française adiou uma retrospectiva em sua homenagem.

 

O diretor e roteirista Brisseau foi preso em 2002, sob a acusação de assédio sexual depois que três mulheres apareceram acusando-o de persuadi-las a realizar atos sexuais diante das câmeras, prometendo-lhes um papel no cinema. Ele acabou sendo considerado culpado, multado e recebeu uma sentença suspensa de um ano de prisão.

 

Depois de ser condenado em 2005 por assédio sexual, a recente irrupção do movimento de denúncia feminista #metoo levou a Cinemateca Francesa a cancelar uma retrospectiva que havia sido preparada sobre o cineasta no final de 2017.

 

“Boda Branca”, de 1989, foi seu maior sucesso, com mais de 1,8 milhão de espectadores. Antes disso, Brisseau realizou “De Bruit y de Fureur”, outra filme impactante, com Bruno Cremer.

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“Boda Branca”, de 1989, foi seu maior sucesso, com mais de 1,8 milhão de espectadores. Foi ele quem dirigiu pela primeira vez Vanessa Paradis, que ganhou o César de melhor revelação feminina para este longa. Na trama, François é professor de filosofia em Saint-Etienne e sua mulher gerencia uma livraria. A vida em comum do casal é harmoniosa até que ele se envolve com uma aluna, interpretada pela atriz que mais tarde ganharia o mundo, enquanto a ajuda na rotina dos estudos e acaba se apaixonando. Quando ele confronta seu trabalho com a realidade decide continuar vivendo com sua esposa. Mas a menina não aceita. Anteriormente, ele havia dirigido “De Barulho E de Fúria”, outro filme de choque, com o fiel Bruno Cremer.

 

Brisseau abriu o século 21 com um dos filmes mais ousados da história do cinema: “Coisas Secretas”, no qual propõe uma reflexão sobre a hipocrisia, a fruição da violência pelo sexo e a ambição humana pelo poder. O título narra a história de Nathalie, uma mulher audaciosa e ingênua que se vê entregue a um mecanismo de forças que só poderia gerar a danação completa. Em parceria com uma amiga, a qual toma como aprendiz, ensinando-a a ter independência sexual, Nathalie busca a ascensão social através da utilização do sexo.

 

Quis fazer com o sexo o que Alfred Hitchcock fez com o medo. Em entrevista à revista Cahiers du Cinéma nº 572, outubro 2002, ele comentou que o ponto de partida era equivalente ao de “Psicose”. “O espectador sabe que uma velha senhora assassina vagueia por uma casa. Na segunda parte do filme, Lila (Vera Miles) perambula pela casa e estamos sempre a nos perguntar se a velha não vai surgir com uma faca após Lila abrir uma porta. O espectador dramatiza o vazio. Tive a vontade de fazer a mesma coisa com o sexo. Quis mostrar duas moças que não tivessem o sexo estampado no rosto, mas de quem soubéssemos que são capazes, não importa onde e não importa quando, de alcançar o êxtase”.

 

Em 2012, “A Garota de Lugar Nenhum” rendeu-lhe o “Pardo d’oro” (Leopardo de Ouro) do Festival de Locarno. Nele, Michel, um professor de matemática aposentado, vive sozinho desde a morte de sua esposa e ocupa seu tempo escrevendo. Um dia ele se depara com Dora, uma jovem sem-teto, que aparece ferida em sua porta e a coloca em pé até se recuperar. Sua presença é nova na vida de Michel, mas gradualmente se torna o local de acontecimentos misteriosos. “Que o diabo nos leve”, sobre uma mulher santa, Clara, que orienta três conhecidos recentes em uma jornada de autodescoberta com a ajuda de Tonton, um homem mais velho que alcançou um estado aprimorado de conexão com o universo, é o seu mais recente filme, lançado no início de 2018, com Fabienne Babe.

Brisseau morreu em Paris aos 74 anos, em 11 de maio de 2019 em um hospital depois de uma doença que se estendeu por muitos anos.

(Fonte: https://istoe.com.br – EDIÇÃO Nº 2576 – ENTRETENIMENTO / CULTURA / Por AFP – 10/05/2019)

(Fonte: https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda – ARTE & AGENDA / Por Correio do Povo e AFP – 11/05/2019)

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