Jaime Ortega, cardeal cubano que teve papel-chave na aproximação com os EUA

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Cardeal cubano Jaime Ortega, peça-chave em reaproximação com EUA

 

 

25.dez.1997 – Cardeal Jaime Ortega entra a Catedral de Havana para celebrar a missa de Natal. (Imagem: Reuters)

Era arcebispo emérito de Havana e teve um papel crucial na normalização da relação entre o Vaticano e Havana e mediou as negociações entre Raúl Castro e Barack Obama.

 

O cardeal foi mediador do degelo entre Cuba e EUA

O cardeal Jaime Lucas Ortega y Alamino (Jagüey Grande, 18 de outubro de 1936 – Havana, 26 de julho de 2019), arcebispo Emérito de Havana, líder da Igreja Católica em Cuba, atuou como mediador na aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos.

 

 

Liderada por Raúl Castro e o ex-presidente norte-americano Barack Obama, que levou ao restabelecimento formal das relações em julho de 2015 após décadas de hostilidade.

 

 

O cardeal cubano foi perseguido pelo Governo comunista e, depois, foi uma figura chave na normalização da relação entre Havana e os Estados Unidos, Ortega foi ordenado sacerdote 1964, mas o seu ministério foi interrompido um ano depois, ao ser chamado para as Unidades Militares de Ajuda à Produção, que existiram até 1968 e onde o Governo de Fidel Castro juntava religiosos, homossexuais e os não aptos para o serviço militar.

 

 

Foi depois bispo de Pinar del Río e, em 1981, foi nomeado para a arquidiocese de Havana. Presidiu à Conferência de Bispos Católicos Cubanos e, diz o seu perfil no Facebook, “apesar das restrições em Cuba, a 8 de Setembro de 1993, junto com o arcebispo de Santiago de Cuba, Pedro Claro Meurice Estiú, e os bispos das dioceses, redigiu a Carta Pastoral O Amor Espera Tudo, que lhe valeu duras críticas por parte do Governo e ataques da imprensa oficial, que nunca publicou o documento”.

 

Peça-chave na histórica reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, o cardeal cubano Jaime Ortega nasceu em 18 de outubro de 1936, em Matanzas, Jaime Lucas Ortega Alamino foi considerado um homem promotor de consensos, que liderou a Igreja católica em Cuba por 35 anos.

 

Ingressou em 1956 no seminário diocesano San Alberto Magno dessa província do oeste da ilha, onde estudou Filosofia e Humanidades. Em 1960, foi enviado para o Canadá para estudar Teologia.
Em 1966, sua atividade sacerdotal foi interrompida por oito meses. Nesse período, foi recrutado pelas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAP), que funcionavam como campos de “internato” para religiosos, homossexuais e outros malvistos, em substituição ao serviço militar obrigatório.
Ao completar 75 anos em 2011, apresentou sua renúncia como arcebispo de Havana, conforme as regras estabelecidas pelo Vaticano. Seu amigo, o papa Francisco, recusou sua renúncia até um ano depois de visitar a ilha em 2015.

O ex-arcebispo de Havana se converteu em uma peça-chave na reaproximação entre EUA e Cuba após transmitir mensagens secretas entre o papa Francisco, Castro e Obama em 2014.

 

 

Ortega atuou como facilitador das longas conversas secretas com os Estados Unidos. Essas negociações levaram ao histórico degelo entre ambos os países em 2014, após mais de meio século de inimizade e de confronto político.

 

 

A esta reaproximação, acompanhada por uma troca de presos políticos entre esses dois inimigos da Guerra Fria, seguiu-se a visita à ilha do então presidente americano, o democrata Barack Obama, em 2016.

 

 

À missão que lhe foi entregue pelo papa argentino, Ortega dedicou o livro “Encontro, diálogo e acordo” (em tradução livre), publicado em 2017, mesmo ano em que Donald Trump venceu as eleições e as relações entre Cuba e Estados Unidos entraram em retrocesso.

 

 

Sobre o cardeal Ortega, o arcebispo García se lembrou “de seu amável sorriso, sua inteligência clarividente e o testemunho de um sacerdócio de entrega e muitas vezes sofrido”.

 

 

– Inédito diálogo -“A Igreja, diante de toda realidade, não pode ser espectadora passiva”, disse este homem de sorriso permanente, tom suave e paciência infinita, que também teve um papel crucial no restabelecimento do diálogo entre a Igreja e o Estado cubano.

 

 

Durante o período de forte liderança de Fidel Castro (1959-2006), o governo e a Igreja, única instituição legal distante ideologicamente do governo comunista, mantiveram relações tensas. O início foi marcado pela expulsão de padres e pelo confisco de propriedades.

 

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Após a histórica visita de João Paulo II em janeiro de 1998 e sob a tutela de Ortega, a Igreja mudou a confrontação pelo diálogo e conseguiu se consolidar como único interlocutor do governo.

 

 

“Agradeço às autoridades do meu país por todas as possibilidades de superar períodos críticos e momentos difíceis e por terem sido capazes de avançar sem retrocesso por um caminho de diálogo”, disse Ortega, durante sua última missa como arcebispo de Havana, em 2016.

 

 

Ordenado padre aos 28 anos, bispo aos 34 e empossado cardeal aos 58, Ortega instalou, em 2010, um inédito diálogo com Raúl Castro, cujo resultado mais concreto foi a soltura de cerca de 130 presos políticos.

 

 

Esse diálogo “entre cubanos”, como ele o definiu, também levou à ampliação do espaço para a prática religiosa, ao trabalho social da Igreja e a alçar a voz para apoiar as reformas econômicas, assim como para criticar a gestão oficial. Oficialmente, estes gestos foram vistos como uma contribuição para “a unidade da nação”.

 

 

Reconhecido no informe de 2010 do Departamento de Estado americano sobre liberdade religiosa, seu trabalho recebeu ácidas críticas de opositores radicais e do exílio anticastrista de linha dura. Foi acusado de formar uma aliança com o governo comunista e de promover o “desterro”, já que a maioria dos ex-detentos seguiu para a Espanha.

 

 

Ao expressar suas condolências pela morte de Ortega, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, tuitou que é “inegável seu aporte ao fortalecimento das relações entre a Igreja Católica Romana e o Estado cubano”.

 

O jornal Granma, por sua vez, do Partido Comunista (único), destacou que seu “trabalho pastoral incansável e seu amor a Cuba o levaram a fortalecer decisivamente” estes vínculos.

 

 

Mais recentemente, diz o Diário de Cuba, foi mediador entre o Papa Francisco, Raúl Castro e Barack Obama, no processo de pacificação das relações entre Cuba e os Estados Unidos. Teve um papel crucial na libertação de cem presos políticos em 2010. Quando na Primavera de 2013 o Presidente norte-americano autorizou o arranque de conversações secretas com Havana para pôr fim à política de isolamento da ilha comunista que nenhum dos seus antecessores quis mudar, o Vaticano apresentou-se como intermediário privilegiado, fruto do pragmatismo que João Paulo II e Bento XVI) adotaram em relação a Cuba, que ambos visitaram, em 1998 e 2012tal como o Papa Francisco, em 2015.

 

Em 2016 o Papa Francisco aceitou a sua renuncia, nomeando Juan de la Caridad García Rodríguez, para a diocese de Havana.

 

Ortega faleceu nesta sexta-feira, aos 82 anos, em decorrência de um câncer no fígado.

“Acaba de falecer às 6h16 da manhã de hoje o cardeal”, disse à Reuters o secretário pessoal de Ortega, Nelson Crespo, que ajudou a autoridade religiosa durante a doença.

 

Dezenas de fiéis assistiram na tarde de sexta-feira (26/07) a primeira das onze missas de corpo presente que foram celebradas em homenagem a Ortega até o domingo (28/07) na Catedral de Havana.

(Fonte: https://www.publico.pt/2019/07/26/mundo/noticia – MUNDO / NOTÍCIA / CUBA / PÚBLICO – 26 de Julho de 2019)

(Fonte: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/07/26 – ÚLTIMAS NOTÍCIAS / INTERNACIONAL / Por Nelson Acosta / Havana / Por AFP – 26 Jul 2019)
(Fonte: https://www.terra.com.br/noticias – NOTÍCIAS – 26 JUL 2019)
Reuters – Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters.
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