Gérard Philipe, ator; estrela do cinema e do teatro francês
Notável pelo seu papel de estudante em ‘O Diabo na Carne’ — visto em duas peças na Broadway
Gerard Philipe (nasceu em Cannes, em 4 de dezembro de 1922 — faleceu em Paris, em 25 de novembro de 1959), foi um dos mais populares atores de teatro e cinema franceses.
O garoto pin-up dos fãs de cinema
O esbelto e romântico herói de alguns dos filmes franceses de maior sucesso do pós-guerra, era um ator que sabia atuar e também tinha a beleza que ajuda e estimula um protagonista. Ele era o pin-up boy dos seus fãs de cinema francês e um ídolo de matinê no teatro. Adepto da comédia e do drama, M. Philipe era um espadachim alto, moreno e bonito que andava por aí a partir o coração das mulheres cinematograficamente. Ele se sentia tão à vontade com os figurinos dos séculos passados quanto com as roupas atuais.
Os nova-iorquinos talvez se lembrem melhor de M. Philipe como o estudante de 17 anos envolvido em um trágico caso de amor com a jovem esposa de um soldado em “O Diabo na Carne”, o drama francês ambientado na Primeira Guerra Mundial. Ele tinha 24 anos quando o filme foi feito em 1947. Levou dois anos para ser liberado pela censura local para sua apresentação no Teatro de Paris em 1949.
M. Philipe havia sido visto em Nova York no ano anterior como o príncipe em “O Idiota”, de Dostoiévski, no qual contracenou com Edwige Feuillère (1907-1998). Ele foi aclamado na época como um jovem ator sensacional.
Nascido em Cannes, M. Philipe tentou o teatro aos 19 anos, após abandonar o curso de Direito. Estreou-se em Nice na comédia “Une Grande Fille Toute Simple”, que lhe rendeu um convite para ir a Paris.
Aclamado como uma estrela
Lá, estreou como Anjo em “Sodoma e Gomorra” e foi aclamado como astro após uma única apresentação. Aos 21 anos, iniciou sua carreira cinematográfica como protagonista. Após seis filmes, M. Philippe tornou-se o ídolo mais jovem das francesas. Ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Bruxelas em 1947.
Entre seus filmes de sucesso exibidos em Nova York estava “Corrente”, no qual interpretava um homem de 20 anos atormentado por memórias de sua própria juventude infeliz e pela voz do homem que assassinou. Um ano depois, em 1952, ele arrasou nas telas locais como o jovem Fausto em “A Bela e o Diabo”, que também contava com Michel Simon como o velho Fausto e o Diabo.
Depois veio “Fanfan, a Tulipa”, em que M. Philipe interpretava o palhaço que se tornou herói militar por amor a Gina Lollobrigida, a filha do sargento na comédia de época. Ele coestrelou com ela novamente em 1955 em “Belezas da Noite”.
Um ator eloquente com um rosto assustadoramente trágico, M. Philipe foi aclamado por sua interpretação de Georges, o francês bêbado que abandonou a carreira médica para ser um vagabundo no México no drama “The Proud and the Beautiful”. O filme foi feito no México com Michele Morgan (1920 – 2016) como protagonista.
Emparelhem-se novamente
O casal voltou a se encontrar mais tarde naquele ano em “A Grande Manobra”, cujo elenco também contava com Brigitte Bardot. M. Philippe adornou o rosto com um bigode fino para seu papel como o arrojado oficial da Primeira Guerra Mundial na comédia romântica.
Entre suas outras aparições, esteve o papel do guarda orgulhoso em “La Ronde”, uma exploração filosófica das ilusões do amor ilícito. Este filme também teve que superar problemas com a censura antes de sua estreia. Outras aparições cinematográficas foram “Royal Affairs in Versailles” e “Le Rouge et Noir”, baseado no romance de Stendhal. Neste último filme, M. Philipe interpretou Julien Sorel, um libertino com um charme peculiar.
Em 1958, a Broadway viu M. Philipe pessoalmente como a estrela de duas peças apresentadas pelo Théâtre National Populaire de Paris. Tratava-se de “Lorenzaccio”, o drama de Alfred de Musset, no qual ele interpretava o fraco e decadente Lorenzo, cujo discurso sobre os horrores de sua carreira maligna levou o público às lágrimas. Em “Le Cid”, ele interpretou Rodrigue, o conquistador juvenil.
Gerard Philipe morreu em 25 de novembro de 1959, de ataque cardíaco. Ele teria completado 37 anos em 4 de dezembro.
M. Philipe, estava doente há vários dias em sua casa. A doença, que não foi divulgada, teria sido considerada leve até o ataque.
Deixa sua viúva, Anne Navaux, com quem se casou em 1951, e dois filhos: uma menina, Anne-Marie, de 5 anos, e um menino, Olivier, de 3 anos.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1959/11/26/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do New York Times/ Especial para o The New York Times/ PARIS, 25 de novembro – 26 de novembro de 1959)
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