Frans Post, paisagista que registrou sua época com rigor e precisão

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Ouro dos trópicos

Frans Janszoon Post (Haarlem, Holanda, 1° de junho de 1612 – Haarlem, Holanda, 1680), pintor, desenhista e gravador holandês.

A maioria dos paisagistas que pintaram as paisagens brasileiras entre o século XVI e o começo do XX, como o holandês Frans Post e o paraibano Aurélio de Figueiredo (1854-1916), registrou sua época com rigor e precisão. A maior parte de suas obras é formada por verdadeiros documentos sobre os costumes e a natureza do país.

Houve momentos, entretanto, em que esse artista se permitiu soltar a imaginação para compor temas livres a partir da geografia, da gente e dos bichos brasileiros.

O marco zero de sua coleção desconhecida do grande público, são duas magníficas pinturas realizadas em 1660, durante a época em que Post serviu como pintor oficial da corte de Maurício de Nassau, comandante da ocupação holandesa em Pernambuco.

O Post mais célebre é o paisagista rigoroso, que retratou com minúcia e exatidão os engenhos de cana-de-açúcar nos sete anos que passou no Brasil, de 1637 e 1644.

Já no quadro Aldeia e Capela com Varanda, o pintor se permitiu fundir na mesma cena diversos elementos presentes em vários de seus quadros documentais. Contra um céu azul esmaecido, que ocupa mais da metade horizontal da tela, Post colocou em primeiro plano um grupo de escravos africanos em trajes de festa.

Ao fundo, exercitando uma característica de sua linguagem, que é a um só tempo clássica e artesanal, Post colocou uma vila margeada por um rio sinuoso.

Pintadas em pequenos formatos, essas paisagens primam pela rapidez e segurança do artista, que obtém pinceladas vigorosas e espontâneas.

 

Ouro dos trópicos

Holandês de nascimento, Post se tornou o mais caro nome da história da arte associado ao Brasil.

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Primeiro pintor a retratar o Novo Mundo, Frans Post, que viveu por sete anos no Brasil empregado pelo conquistador e explorador Maurício de Nassau (1604-1679), morreu alcoólatra e pobre na Holanda.

Além do pioneirismo, o valor de sua pintura está no frescor e no senso de liberdade experimentado por um europeu nos trópicos. Pintou cerca de 170 quadros, dos quais dezoito foram produzidos em território brasileiro. Os demais, os chamados capricci, foram pintados de memória, quando o pintor já havia retornado à Europa. Os quadros pintados no território brasileiro costumam ser os mais valorizados. Entre eles está a de uma paisagem pintada em 1638 na Paraíba, “A Cidade e o Castelo de Frederik na Parayba”.

O quadro, que já pertenceu ao rei Luís XIV da França e que há mais de um século estava num castelo bávaro alemão, onde o quadro se encontrava nos últimos 150 anos, parte do lote de 42 obras doadas em 1639 por Maurício de Nassau a Luís XIV. No pacote de presentes de Nassau ao Rei Sol estavam todas as dezoito pinturas “brasileiras”. Quatro dessas telas, que trazem o número 443 no verso – a marca pessoal de Luís XIV -, estão no Museu do Louvre, em Paris. Um quinto quadro está na Holanda, no Museu Mauritshuis, em  Haia.

Desses quadros que pertenceram ao rei francês, onze estão desaparecidos. Podem tanto ter sido destruídos como continuar escondidos, como era o caso de “A Cidade e o Castelo de Frederik na Parayba”.

Depois de amargar algumas décadas de baixas cotações no mercado internacional, dos anos 80 para cá Post voltou a brilhar. Em 1994, a baronesa Thyssen – a ex-miss Espanha Carmen Cervera – comprou o seu por cerca de 2 milhões de dólares.

Em 1995, a galeria americana French and Company arrematou uma tela “brasileira” do pintor por 3,5 milhões. No Brasil, possuir uma obra de Post é sinal de prestígio, fortuna e, sobretudo, de bom gosto. O mais valioso deles, “Convento Franciscano de Iguaçu”, foi arrematado num leilão em julho de 1995 por 855 000 reais.

Ao contrário dos Estados Unidos, cuja memória paisagística tem apenas cerca de 200 anos, o Brasil é um país rico nesse quesito. Embora os próprios colonizadores portugueses não tenham nenhum destaque nessa área, de Post aos paisagistas italianos do século XIX, como é o caso do italiano Giovanni Battista Castagneto (1851-1900), o Brasil foi retratado por várias levas de pintores viajantes, geralmente europeus aventureiros em busca de imagens inéditas para suas obras. Graças em grande parte a Frans Post, o passado pictórico do Brasil é o mais rico dos primórdios das Américas.

Depois do pintor holandês, o paisagista alemão Johann Moritz Rugendas é o mais valorizado. No final de dezembro de 1996, Yolanda Queiroz, matriarca do grupo cearense Edson Queiroz e sogra do governador cearense Tasso Jereissati, arrematou num leilão carioca a paisagem “Vista do Rio de Janeiro Tomada do Aqueduto”, de Rugendas. Pagou, na ocasião, o equivalente a 450 000 dólares.

(Fonte: Veja, 7 de setembro de 1994 – ANO 27 – N° 36 – Edição 1 356 – ARTE/ Por Angela Pimenta – Pág: 130/131)

(Fonte: Veja, 5 de fevereiro de 1997 – ANO 30 – Nº 5 – Edição 1481 – Arte / Por Eurípedes Alcântara e Angela Pimenta – Pág: 98/100)

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