Frans Jansz Post, ele é um caso único na história da arte. Foi o primeiro europeu a pintar a paisagem dos trópicos

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Frans Jansz Post (Haarlem, Holanda, 1612 – Haarlem, Holanda, 1680), pintor holandês, que destacou-se com pinturas de paisagens. Ele é um caso único na história da arte. Foi o primeiro europeu a pintar a paisagem dos trópicos.

 

Durante o tempo em que permaneceu no Brasil a serviço de Maurício de Nassau durante a invasão holandesa à costa nordestina, no século XVII, entre 1637 e 1644, Post pintou apenas dezoito telas a partir da observação direta da paisagem do Novo Mundo. Todo o restante de sua produção sobre a flora, a fauna e os habitantes brasileiros compõe-se dos chamados capricci, ou paisagens imaginárias feitas pelo pintor na Holanda a partir do que ele havia visto na América.

 

Não se trata apenas de um detalhe geográfico. As pinturas de Post feitas no Brasil revelam um frescor e um senso de liberdade singulares. Na vista paraibana, tais qualidades do paisagista se evidenciam na luminosidade difusa do céu e no detalhe quase agreste das árvores e bichos pintados em primeiro plano.

 

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No pacote doado por Nassau a Luís XIV estavam todas as dezoito pinturas “brasileiras” de Post, além de mais nove ou dez produzidas por ele na Holanda e recompradas de colecionadores particulares por Nassau.

 

De certa maneira, a aventura que Post viveu no século XVII, o Brasil com suas selvas e índios era um lugar tão desconhecido quanto mítico para a Europa. Filho de um artesão, nascido na cidade de Haarlem, Frans era um jovem de 29 anos quando aceitou o convite de Nassau. Depois de seu retorno à Europa, mesmo diante da expulsão dos holandeses do Brasil, tornou-se um artista requisitado, produzindo de encomenda registros de memória do Novo Mundo para seus colegas de expedição e burgueses endinheirados.

 

Mas a partir do final da década de 1650 a obra de Post tornou-se mecânica, tediosa, com céus muito azulados e composições edulcoradas da geografia brasileira. Pouco antes de Nassau resolver presentear Luís XIV, o primeiro nome escalado para viajar a Paris foi o de Post, que poderia explicar suas pinturas ao rei. Àquela altura, contudo, Post tornara-se alcoólatra, irritadiço e cambaleante, não podendo viajar. Sabe-se que, mesmo sem as devidas explicações, Luís XIV adorou o presente, ordenando que as telas ficassem expostas no Louvre, então sua residência parisiense.

 

A paisagem A Cidade e o Castelo de Frederik na Parayba, de 1638, por encomenda de Maurício de Nassau durante a invasão, foi encontrado num castelo da Baviera, no sul da Alemanha. Essa obra foi leiloada em janeiro de 1997, em Nova York. No verso do quadro, um detalhe que elevou ainda mais seu pedido. É o número 443, a marca pessoal que o rei francês Luís XIV mandava imprimir em seu acervo artístico. O quadro foi doado ao rei por Nassau, junto com outras 41 telas, em 1679.

Essa paisagem paraibana pertenceu a uma família de nobres alemães, integrou o quinhão mais valioso das quase duas centenas de pinturas feitas por Post. Outros quatro quadros pertencem ao Museu do Louvre, de Paris, um quinto quadro está no museu Mauritshuis e o sexto, A Vista de Antonio Vaz, foi comprado nos anos 20 pelo diplomata brasileiro Joaquim de Souza Leão. Em 1994, os herdeiros de Souza Leão leiloaram o quadro por 3,5 milhões de dólares, preço recorde para uma obra de Post. A pintura pertence à galeria americana French and Company.

(Fonte: Veja, 16 de outubro de 1996 – ANO 29 – Nº 42 – ARTE/ Por Angela Pimenta – Pág: 140/141)

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