Foi pioneira brasileira da música eletroacústica

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Vânia Dantas Leite, pioneira brasileira da música eletroacústica

Compositora carioca fundou na UniRio um estúdio que foi referência para os estudos sobre o tema

 

Vânia Dantas Leite, pioneira brasileira da música eletroacústica (Foto: linda – NME)

 

 

Vânia Dantas Leite (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1945 – Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 2018), compositora, pianista e regente carioca, foi uma pioneira no Brasil da música eletroacústica, à qual se dedicava desde 1965. Graduada em composição pela UFRJ, ela teve uma carreira diversificada, como pianista, cravista e regente, mas principalmente, como compositora.

 

 

Em 1974, Vânia foi estudar música eletrônica no Electronic Music Studio, em Londres, onde adquiriu equipamentos específicos para montar seu próprio laboratório no Rio.

 

 

Em 1977, foi presa pelos militares junto com o grupo Ars Contemporanea, durante a segunda Bienal de Musica Contemporânea Brasileira. A obra que apresentavam utilizava o texto “Como Fazer a Revolução” do norueguês Henrik Ibsen, considerado subversivo.

 

Em 1981, ela ingressou na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), onde fundou o Estúdio de Música Eletroacústica do Instituto Villa-Lobos e lecionou composição e matérias ligadas à música e tecnologia na graduação.

 

 

 

No final dos anos 1980, Vânia aprofundou os conhecimentos em tecnologias de som com Leo Kupper no Studio Eletronic Auditive, em Bruxelas. Já no Brasil, nos anos 1990, compôs “Sforzato/Piano” para meios eletrônicos e acústicos.

 

 

 

Ela ficou responsável pelo Estúdio de Música Eletroacústica até 2012, contribuindo com a formação de jovens compositores. Em maio de 2001, apresentou o concerto multimídia “CaleidoCosmos”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em espetáculo idealizado com Lica Cecato.

 

 

 

Como compositora, a carioca conquistou importantes prêmios: 1º lugar no Concurso Nacional de Composição (1972); 3º lugar no Concurso Internacional de Regência (1973), dedicado às obras de Wolfgang Amadeus Mozart, no Rio de Janeiro; Prêmio Programa de Bolsas RioArte (1996); Prêmio da Rockefeller Foundation (2003); e Prêmio Funarte de Composição Musical (2012), para estreia na vigésima Bienal de Música Brasileira Contemporânea.

 

 

 

Entre 2010 e 2013, Vânia promoveu concertos de alunos no Fórum de Composição, participou da Série Unirio Musical com a obra “Retratos sonoros do Jongo da Serrinha” pelo Projeto Sesc e compôs a peça “Memórias abstratas e abstraídas” (2012/2013)”, para a vigésima Bienal de Música Brasileira Contemporânea.

 

Apesar das múltiplas habilidades como compositora de música contemporânea, Vânia Dantas Leite se considerava uma instrumentista. “Eu toco computador”, costumava dizer.

 

Também pioneira da música eletroacústica no Brasil, a compositora Jocy de Oliveira, disse que Vânia “era principalmente uma pessoa muito livre, uma cabeça muito criativa”.

 

 

 

— É uma emorme perda para a música contemporânea, especialmente entre as mulheres compositoras. Já somos tão poucas! Ela tinha um imenso talento e grande senibilidade. Dedicou-se principalmente ao magistério, foi uma pioneira da música eletroacústica e iniciou o estúdio da Unirio para esse gênero musical.

Vânia Dantas Leite morreu de câncer, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, em 11 de agosto de 2018.

(Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/musica – CULTURA / MÚSICA / POR O GLOBO – 11/08/2018)

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