Ennio Morricone, autor de trilhas sonoras que marcaram a história do cinema, foi um dos maiores compositores italianos da história

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Maestro e compositor de trilhas sonoras que marcaram a história do cinema

 

 

Ennio Morricone conduz a Orquestra Filarmônica Nacional Húngara em apresentação em julho de 2009 — (Foto: AP Photo/Boris Grdanoski, arquivo)

 

Gênio das trilhas sonoras

 

Ennio Morricone (Roma, 10 de novembro de 1928 – Roma, em 6 de julho de 2020), maestro e compositor, foi um dos maiores compositores italianos da história.

 

Morricone ganhou notoriedade internacional com trilhas dos chamados “faroestes italianos”, principalmente dirigidos por Sergio Leone, como “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por uns Dólares a Mais” (1965), “Era uma Vez no Oeste” (1968) e “Uma Vez na América” (1984), entre outros.

 

Autor de trilhas sonoras que marcaram a história do cinema, Ennio Morricone foi responsável pela composição e arranjo de mais de 500 músicas para filmes e séries de televisão.

 

O músico foi vencedor de dois prêmios no Oscar, um pelo conjunto de sua obra, em 2007, e outro pela trilha sonora original de “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino, em 2016.

 

A Bienal de Veneza, agraciou Morricone com o Leão de Ouro em 1995.

 

Em 2016 venceu o Oscar, pela trilha sonora do filme “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino. Em 2007 já havia recebido um Oscar honorário por sua abundante e elogiada carreira na música.

 

Morricone também compôs a trilha de “Bastardos Inglórios”, de 2009, de Tarantino.

 

Uma de suas faixas, “The Ecstasy of Gold”, ficou conhecida de outro público, o do heavy metal, por ser a música que abre os shows do Metallica – a banda fez uma versão para ela, misturando orquestra e som pesado, no álbum “S&M”.

 

Recentemente, há apenas alguns dias, em 2 de julho, Morricone foi premiado, ao lado do também compositor John Williams, com o prêmio Princesa das Astúrias das Artes na Espanha.

 

O reconhecimento do Oscar

 

Por ironia, o prêmio mais famoso da indústria cinematográfica, o Oscar, foi o último a reconhecer com uma estatueta toda a sua contribuição. Em 2016, ele conquistou o prêmio que faltava pela trilha sonora do filme “Os Oito Odiados”, mais uma de suas parcerias com o diretor norte-americano Quentin Tarantino.

 

Ao receber a estatueta, o italiano não teve dúvidas a quem agradecer: sua esposa, Maria Travia. “Dediquei o Oscar a minha mulher Maria porque ela teve muita paciência para suportar a minha ausência. Fui muito absorvido pela profissão e a distância da família ocorreu nos anos mais intensos da minha carreira. Não era completamente ausente, isso não, mas perdi alguns momentos da vida dos meus filhos. Mas, minha mulher estava lá, sempre esteve e por isso dedico o Oscar a ela”, disse o emocionado maestro.

 

 

 

Ennio Morricone é homenageado com uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood, na presença de Tarantino. (Imagem: AFP)

 

O Oscar pela trilha sonora finalmente chegou na sexta indicação. Ele também ganhou uma estrela na Calçada da Fama.

 

A primeira vez que concorreu ao prêmio foi em 1979, com “Cinzas no Paraíso”. Já em 1986, ele concorreu como favorito pelo filme “A Missão”, mas perdeu a disputa. Um ano depois, também não levou a estatueta pelo trabalho em “Os Intocáveis”. Em 1992, concorreu por “Bugsy” e nove anos depois disputou com o filme “Malenà”, do diretor italiano Giuseppe Tornatore.

 

Mesmo sem ter conquistado a estatueta, Morricone foi homenageado pelo “conjunto da obra” em 2007 e recebeu um prêmio honorário da Academia. De Tarantino, o músico já ouviu diversos elogios que o colocam no hall dos grandes da história.

 

“O maior presente que eu ganhei fazendo esses filmes foi a amizade do maestro Morricone”, disse o diretor norte-americano que diz ter mais álbuns de música do italiano do que de Mozart ou Beethoven.

 

Nascido em Roma no dia 10 de novembro de 1928, o maestro criou composições para filmes, peças de teatro, televisão e rádio, além de fazer concertos com orquestras ao redor do mundo.

 

Morricone estudou no Conservatório Santa Cecília, de Roma, onde se formou no trompete. Apesar de começar a compor trilhas sonoras ainda em 1946, foi na década de 1950 que sua carreira começou a decolar, levando para o mundo da sétima arte em 1961, no filme “Il Federale”, de Luciano Salce. A partir de então, centenas de grandes películas contaram com a destreza e as músicas do compositor.

 

Morricone também já fez apresentações para o papa Francisco. Ao relatar sua grande capacidade de trabalhar com o cinema, o diretor explicou que gosta de ter liberdade.

 

“Há diretores que pedem coisas razoáveis e, neste caso, eu os ouço. Mas, depois, coloco minha assinatura, a minha atenção criativa. Não é passiva essa aceitação dos pedidos dos diretores”, destacou o italiano afirmando que “Tarantino não me pediu muito para o filme e eu me senti completamente livre”. “Quando te dizem isso [de ser livre], devo assumir uma responsabilidade ainda maior, mas ao fim, as melhores coisas que fiz vieram mesmo destes casos, quando me deram carta branca”, ressaltou. Apesar do Oscar ter chegado apenas aos 87 anos, Morricone teve uma carreira premiada pelos maiores eventos mundiais do cinema.

 

É quase impossível fazer uma lista das melhores trilhas sonoras criadas pelo maestro italiano Ennio Morricone. Em seus quase 70 anos de carreira, foram mais de 500 músicas criadas para filmes no cinema, programas de televisão e de rádio.

 

Mas, selecionamos as 10 mais importantes – e mais belas – que fazem parte do imaginário coletivo e possuem uma herança que não é possível datar:

 

“Era uma Vez na América” (1984)

 

Com direção de Sergio Leone, as músicas de Morricone são oníricas e acompanham na tela as imagens da recordação. Uma partitura que nunca perderá a sua “beleza mística”, em uma das composições mais desafiadoras, complexas e importantes de sua carreira.

 

“Cinema Paradiso” (1988)

 

Com uma trilha sonora inesquecível, que ajudou Giuseppe Tornatore a conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a criação do italiano é repleta de delicadeza e usa a nostalgia. É a antítese entre os tempos vividos na pureza da infância e a consciência da idade adulta. A música é uma espécie de abraço quente, que envolve o espectador em uma melodia que mais parece uma poesia.

 

“Por um Punhado de Dólares” (1964)

 

O assovio por excelência se torna inconfundível, icônico e tão célebre como a obra de Sergio Leone. A capacidade de saber trabalhar sem orquestra, com pouco dinheiro, transformando um assovio, um trompete e um tiro de revólver na síntese mais formidável do cinema de faroeste. Um tema que entrou para a história e que, no início da carreira, foi assinado com o pseudônimo de Dan Savio.

 

“Os Intocáveis” (1987)

 

Ainda na atmosfera gângster dos Estados Unidos na época do proibicionismo, dessa vez foi Brian De Palma a confiar sua obra a Morricone. Uma trilha sonora que vai do suspense tradicional para o jazz, fazendo com que o público seja transportado para uma atmosfera tenebrosa da sombria Chicago dos anos 1930.

 

“Quando Explode a Vingança” (1971)

 

Aqui aparece toda a arte do maestro italiano: um comovente tema lírico que se apoia no som do piano do norte-americano Burt Bacharach.

 

“1900” (1976)

 

Clarinetes que contam histórias: sejam elas de amor, de guerra, de amizades ou de contrastes e que depois explodem no caos de uma orquestra. Tonalidades que conseguem mostrar através do som a odisseia e a mudança de uma época.

 

“Os Oito Odiados” (2015)

 

Primeiro Oscar depois de cinco derrotas no mais famoso prêmio cinematográfico do mundo. Chamado por Quentin Tarantino, após fazer a trilha de outro filme do diretor, “Django Livre”, é repleto de sons qualificados. Oboé e piano, acompanhados por sons de uma caixa de música, fundem-se em um ar lúgubre para acompanhar a ansiedade, o terror e os calafrios criados pelo diretor. Essa foi uma volta de Morricone ao gênero faroeste depois de 35 anos, e mistura – e ao mesmo tempo se opõe – a modernidade de Tarantino com o tom clássico das suas criações.

 

“Três Homens em Conflito” (1966)

 

Talvez a trilha mais célebre de Morricone para o último capítulo da “trilogia do dólar”. Voltam os inconfundíveis assovios, entre trompetes que destacam as cavalgadas nas pradarias desoladas do faroeste selvagem. Daí também saiu “The Ecstasy of Gold”, usada nos shows da banda Metallica.

 

“A Missão” (1986)

 

Morricone deixa sua marca também nesse filme de Roland Joffé. Entre religiosos e missionários na América do Sul do século 18, o maestro liberta sua veia para concertos e sinfonias, envolvendo o filme com sua música e com uma insistência calculada.

 

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“Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita” (1970)

 

Cinema de denúncia assinado por Elio Petri, possui uma outra trilha sonora inesquecível. A música de Morricone se funde com a inspiração acusatória do diretor e do protagonista Gian Maria Volontè.

 

Veja as trilhas mais famosas do italiano:

 

 

1964: “Por um Punhado de Dólares” de Sergio Leone

 

1965: “Por uns Dólares a Mais” de Sergio Leone

 

1966: “Três Homens em Conflito” de Sergio Leone

 

1966: “A Batalha de Argel” de Gillo Pontecorvo

 

1968: “Teorema” de Pier Paolo Pasolini

 

1968: “Era uma Vez no Oeste” de Sergio Leone

 

1969: “Os Sicilianos” de Henri Verneuil

 

1970: “O Pássaro das Plumas de Cristal” de Dario Argento

 

1971: “Quando Explode a Vingança” de Sergio Leone

 

1971: “Decameron” de Pier Paolo Pasolini

 

1971: “A Classe Operária vai para o Paraíso” de Elio Petri

 

1971: “Sacco e Vanzetti” de Guiliano Montaldo

 

1974: “Medo sobre a Cidade” de Henri Verneuil

 

1975: “Saló ou os 120 Dias de Sodoma” de Pier Paolo Pasolini

 

1976: “1900” de Bernardo Bertolucci

 

1978: “Cinzas no Paraíso” de Terrence Malick

 

1978: “A Gaiola das Loucas” de Edouard Molinaro

 

1981: “O Profissional” de Georges Lautner

 

1984: “Era uma Vez na América” de Sergio Leone

 

1986: “A Missão” de Roland Joffé

 

1987: “Os Intocáveis” de Brian de Palma

 

1987: “Busca Frenética” de Roman Polanski

 

1989: “Cinema Paradiso” de Giuseppe Tornatore

 

1989: “Ata-me!” de Pedro Almodóvar

 

1989: “Pecados de Guerra” de Brian de Palma

 

1991: “Bugsy” de Barry Levinson

 

1992: “A Cidade da Esperança” de Roland Joffé

 

1998: “A Lenda do Pianista do Mar” de Giuseppe Tornatore

 

2000: “Vatel, um Banquete para o Rei” de Roland Joffé

 

2000: “Missão: Marte” de Brian de Palma

 

2015: “Os Oito Odiados” de Quentin Tarantino

 

Ennio Morricone faleceu em Roma, em 6 de julho de 2020, aos 91 anos. Morricone estava internado em uma clínica da capital italiana, onde foi hospitalizado após uma queda que levou à fratura de um fêmur.

Inúmeras personalidades da política e do mundo das artes lamentaram a perda de um dos maiores compositores italianos da história.

“A morte de Ennio Morricone nos priva de um artista ilustre e genial. Musicista que unia o refinado e o popular, deixou uma marca profunda na história da música na segunda parte dos anos 1900. Através de suas trilhas sonoras, contribuiu grandemente para difundir e reforçar o prestígio da Itália no mundo. Desejo que chegue à família do maestro os meus profundos pêsames e sentimentos de afetuosa proximidade”, afirmou o presidente da Itália, Sergio Mattarella.

 

Também o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, se manifestou pelo falecimento e destacou que o artista “sempre será lembrado, com infinito reconhecimento, o gênio” que ele era. “Nos fez sonhar, nos emocionou, nos fez refletir escrevendo notas memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema”.

 

(Fonte: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/ansa/2020/07/06 – ENTRETENIMENTO / NOTÍCIAS / Por Claudia Fascia / Em Roma – 06/07/2020)

(Fonte: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/06 – ENTRETENIMENTO / NOTÍCIAS / ENTRETÊ / FILMES E SÉRIES / Do UOL, em São Paulo* – 06/07/2020)

Com informações das agências AFP, Ansa e RFI

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