Emílio Santiago foi da bossa às baladas de apelo pop com elegância.

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Emílio Santiago (Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946 — Rio de Janeiro, 20 de março de 2013), foi da bossa às baladas de apelo pop com elegância.

Emilio tinha porte de lorde e era formado em direito. Começou cantando bossa, influenciado por João Gilberto. No rádio, ouvia Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto e Anísio Silva e outros. Entrou para a tradição de grandes cantores, do samba ao funk e das baladas de apelo pop.

Em 1977, atingiu um dos pontos altos da carreira com Feito para Ouvir, então pela Philips, reeditado em 2009 pela Dubas Música. O repertório traz músicas que faziam parte do seus shows na noite paulistana e carioca, como Rua Deserta (Dorival Caymmi, Hugo Lima e Carlos Guinle), Olha Maria (Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes) e ainda outras que ele ajudaria a tornar standards, como Beijo Partido (Toninho Horta), O Que É Amar (Johnny Alf) e Tristeza de Nós Dois (Durval Ferreira, Bebeto e Maurício Einhorn) e Maria (Me Perdoe, Maria), de Gilberto Gil.

Destacam-se também os arranjos de Laércio de Freitas e J. T. Meirelles, evidenciando o bom gosto do intérprete e do produtor do disco, Roberto Santanna.

Emílio Santiago, de 75, com seu nome mesmo, também é um registro histórico. Definiu a aproximação do funk com samba com as pedradas Brother (Jorge Ben), Bananeira (João Donato), Batendo a Porta (João Nogueira) e outras.

Mas no imaginário popular, Emílio será mais lembrado por sucessos populares como Saygon (Claudio Cartier/Paulo Feital/Carlão), Lembra de Mim (Pablo Ribeiro) e Verdade Chinesa (Gilson/Carlos de Carvalho Colla).

Em 2010 lançou seu próprio Selo, Santiago Music. Por ele, com distribuição da Biscoito Fino, lançou Só Danço Samba, que em 2012 ganhou versão ao vivo com CD e DVD. Ele definia o trabalho como homenagem ao Rei dos Bailes, ED Lincoln, com faixas como Samba de Verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), Só Danço Samba (Tom e Vinícius), Falaram Tanto de Você (Durval Ferreira/Orlandivo) e ainda olhava para o presente com Tendência (Jorge Aragão/ Dona Ivone Lara) e Chega (Mart”nália/ Mombaça).

A MPB ainda tem “cantores que cantam”? Sim, não é possível ignorar nomes como Luiz Melodia, Ney Matogrosso, Djavan, Seu Jorge, Criolo, Diogo Nogueira, Filipe Catto. Mas Emílio parece encerrar uma era iniciada nos cantores de rádio que ouvia na infância.

(Fonte: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/musica/2013/03/20/321897- MÚSICA/ Fabiano Alcântara – 20/03/2013)

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