Chico de Oliveira, foi um dos fundadores do PT e era professor aposentado da USP, ganhou Prêmio Jabuti em 2004

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Sociólogo, professor da USP, fundador do PT e ganhou Prêmio Jabuti em 2004

 

 

O sociólogo Chico de Oliveira, em entrevista de 2013 ao Roda Viva, da TV Cultura — (Foto: Reprodução/TV Cultura)

 

Mestre da dialética, sociólogo foi nome influente das ciências sociais ajudou a fundar PT, mas se decepcionou com partido após Lula assumir

 

 

Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira (Recife, 7 de novembro de 1933 – São Paulo, 10 de julho de 2019), ensaísta, escritor, sociólogo e fundador do PT Chico de Oliveira, um dos principais sociólogos do Brasil, era formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco e professor da FFLCH desde 1988.

 

Chico Oliveira nasceu em Recife em novembro de 1933, onde também graduou-se em Ciências Sociais pela antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco, em 1956. Nesse período, foi um dos fundadores do Movimento Estudantil Socialista de Pernambuco.

Em 1988, se tornou docente no departamento de Sociologia da FFLCH, onde atuava na área de Planejamento Urbano e Regional, Estudos Industriais e Economia Regional. Foi também coordenador-executivo do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedi).

Sem oportunidades na área em que havia se formado, passou a atuar como economista. Trabalhou na Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), sob a orientação de Celso Furtado, que o influenciou decisivamente nesta época.

O golpe militar em 1964 levou Oliveira à prisão no Recife, onde permaneceu por quase dois meses. Depois de ser solto, deixou o país e viveu três anos entre Guatemala e México.

 

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, mas rompeu com o partido em 2003 por discordar de posições do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de quem se tornou crítico ferrenho, e compôs a 1ª Diretoria Executiva da Fundação Wilson Pinheiro, instituída pelo PT em 1981, antecessora da Fundação Perseu Abramo. Também esteve no núcleo de criação do PSOL em 2004, porém, logo se desencantou com a sigla.

 

O sociólogo participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), compondo a 1ª Diretoria Executiva da Fundação Wilson Pinheiro. Posteriormente, deixou o partido por divergências e colaborou para a criação do PSOL.

 

Um dos mais influentes nomes das ciências sociais no Brasil a partir da década de 1960, Oliveira lançou ensaios que se tornaram referências, como “Crítica da Razão Dualista” (1972), “Elegia Para uma Re (li) gião” (1977), e “Ornitorrinco” (2003).

 

Teve presença notável em instituições como a USP e o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Em 1970, dois anos depois de voltar ao Brasil, Oliveira foi convidado a integrar o Cebrap em São Paulo. O centro de pesquisas havia sido criado em 1969 por um grupo de professores afastados das universidades pela ditadura, como Fernando Henrique Cardoso, Elza Berquó e Paul Singer.

 

 

Foi nesse período que ele se aproximou da corrente marxista das ciências sociais, como contam Fabio Mascaro Querido e Ruy Braga na apresentação do livro “Brasil: Uma Biografia Não Autorizada”, lançado por Oliveira em 2018.

 

 

Como a ditadura militar mantinha a vigilância, ele voltou a ser preso em 1974, quando participava de um grupo de estudos de “O Capital”. Levado ao Dops, onde permaneceu por dois meses, foi torturado no pau de arara.

 

 

Não houve sequelas, no entanto, o que lhe permitiu manter as atividades no Cebrap, ao qual esteve ligado até 1995. Foi ainda professor de economia na PUC-SP até se transferir para a sociologia da USP em 1988. Tornou-se titular em 1992 e emérito em 2008.

 

 

O ano de 2003 é determinante para a compreensão da trajetória intelectual e política de Oliveira. Foi nesse período em que publicou um de seus textos fundamentais, o ensaio “O Ornitorrinco”.

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Grosso modo, o bicho – meio réptil, meio mamífero – é como a sociedade brasileira, não mais subdesenvolvida, embora sem condições para um arranjo capitalista moderno, menos desigual.

 

 

É também nesse ensaio que ele chama a atenção para uma “nova classe social”, formada pela elite sindical que comanda os fundos de pensão. O livro que reuniu os ensaios “Crítica à Razão Dualista” e “O Ornitorrinco” ganhou o prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas.

 

 

Em 2004, recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Ciências Humanas, pelo livro Crítica à razão dualista/ O ornitorrinco, da editora Boitempo.

 

Além disso, em 2003, meses depois de Lula assumir a Presidência, o sociólogo se afastou do PT e tornou-se cada vez mais crítico das medidas tomadas pelo partido que havia fundado. “Lula não tem objetivos porque não tem inimigos de classe”, escreveu em ensaio publicado na revista Piauí em 2007. Com iniciativas como o Bolsa Família (“um desastre”), o líder petista “despolitiza a questão da pobreza”.

 

 

Em 2010, à Folha, voltou a criticar o presidente do PT: “O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Colo ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.”

 

Os últimos anos foram marcados por um acentuado ceticismo em relação à política e à economia do país. No livro “Brasil: Uma Biografia Não Autorizada”, o mais longo ensaio tinha como título “O Adeus do Futuro ao País do Futuro”.

 

O sociólogo também recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pelo instituto de Economia da UFRJ, e em 2010, da Universidade Federal da Paraíba. Desde 2008, é professor emérito da FFLCH-USP.

 

Chico de Oliveira faleceu em 10 de julho de 2019, em São Paulo, aos 85 anos.

(Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/brasil – NOTÍCIAS / BRASIL – 10 JUL 2019)

(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07- PODER / Por Naief Haddad – SÃO PAULO – 10.jul.2019)

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