Astrid Varnay, soprano sueca, a cantora foi grande intérprete de Isolda e Brünhilde

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Astrid Varnay, soprano wagneriana (Foto: www.peerie.com/Reprodução)

Astrid Varnay, soprano wagneriana (Foto: www.peerie.com/Reprodução)

 

Astrid Ibolyka Maria Varnay (Estocolmo, 25 de abril de 1918 – Munique, 4 de setembro de 2006), soprano sueca, a cantora foi grande intérprete de Isolda e Brünhilde. Fez parte de uma época que criou referências de interpretação com as quais se dialoga ainda hoje. Foi a geração que nos ensinou a ouvir Wagner – e que perde agora mais um de seus pilares, a soprano sueca Astrid Varnay.

Foi com Wagner que Astrid Ibolyka Maria Varnay deu os primeiros passos da carreira. Nascida em Estocolmo, em abril de 1918, filha de um tenor e de uma soprano húngaros, ela começou os estudos com a mãe nos anos 30, quando a família se mudou para os Estados Unidos. E foi lá que teve sua primeira chance, no Metropolitan Opera, de Nova York. Em dezembro de 1941, fez sua estréia profissional, substituindo, sem ensaios, a soprano Lotte Lehmann em uma récita de “A Valquíria”, interpretando, sob regência de Erich Leinsdorff, sua primeira Sieglinde.

Mesmo 60 anos depois, mesmo depois de ver tudo que Varnay eventualmente faria ao longo da carreira, ainda soa impensável enfrentar assim no susto um papel das proporções de Sieglinde. O que dizer, então, de substituir Helen Traubel, apenas seis dias depois, no papel de Brünhilde, um dos mais temidos do repertório para soprano. Detalhe: Lotte Lehmann e Helen Traubel eram as grandes intérpretes wagnerianas da época no Metropolitan.

Substituí-las não deve ter sido fácil. Mas o risco valeu a pena. “A soprano sueca atuou com a técnica e a graça que são possíveis apenas àqueles com um talento natural”, escreveu o crítico do “New York Times” após a apresentação. E, nos anos seguintes, Varnay faria cerca de 200 apresentações no teatro.

A seqüência seria interrompida apenas por uma rusga com o diretor do Met nos anos 50, Rudolf Bing. E ela partiria, então, para a Europa, assinando contratos com o Covent Garden, a ópera real inglesa, e a Ópera de Munique. De 1951 a 1968, participou do Festival de Bayreuth, interpretando Brünhilde e Isolda. Muitas de suas atuações no festival wagneriano foram gravadas e estão disponíveis em CD. Há, por exemplo, uma Isolda de 1963, regida por Eugen Jochum (selo Melodram). Do “Anel”, há algumas opções, mais notadamente os ciclos de Clemens Krauss (selo Naxos) e Hans Knappertsbusch (selo Testament).

Em Strauss, dois entre muitos registros preciosos: a “Elektra” gravada com Richard Krauss na Alemanha (o mesmo disco, lançado pelo selo Gala, tem trechos de um “Cavaleiro da Rosa” gravado com Fritz Reiner em Nova York). Da “Jenufa”, de Janacek, vale a pena ouvir a sua Kostelnicka na gravação de Rafael Kubelik (Myto Records). No repertório italiano, dois belos exemplos: “Macbeth” (regência de Vittorio Gui, selo Great Opera) e “Cavalleria Rusticana” (regência de Wolfgang Sawallisch, selo Myto). Uma outra opção é a coletânea “Opera Scenes and Orchestral Songs”, caixa recente da Deutsche Grammophon. É um começo, que vai fazer seus ouvidos saírem à cata de mais e mais gravações.

Astrid Varnay faleceu em 4 de setembro de 2006, aos 88 anos, em um hospital de Munique.

(Fonte: http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2006 – ARTE e LAZER – CADERNO 2 – MÚSICA – Agencia Estado, 6 de Setembro de 2006)

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