Albrecht Dürer (Nuremberg, 21 de maio de 1471 – 6 de abril de 1528), grande mestre alemão da gravura em metal, foi introdutor da arte da representação gráfica em três dimensões, ou seja, em perspectiva, e considerado a figura principal da arte alemã do século XVI.
Além de um grande artista foi também um excelente matemático. Sua principal obra científica foi Unterweisung der Messung mit dem Zirkel und Richtscheit (1525), o primeiro texto matemático a aparecer em alemão.
Dürer, por exemplo, que era filho de ourives, marca toda uma geração, misturando a influência da Reforma e do Renascimento com a herança medieval.
Artistas anônimos, pioneiros da gravura em metal, técnica que substitui com vantagem a gravura em madeira e foi, no início, acessível unicamente aos ourives, a expansão da gravura confundiu-se com a da imprensa.
Embora mais difíceis de serem trabalhadas que a madeira, as chapas metálicas tinham a vantagem de serem mais duráveis. Passando da Alemanha e dos Países Baixos para Florença, outra terra de ourives, a gravura em metal ganhou na Itália uma nova liberdade.
Temas profanos passaram a se misturar com os religiosos até então dominantes. Além disso, os artistas começaram a se interessar também em retratar a realidade so seu redor. Instrumento de registro e divulgação, a gravura não quis ser só artística. O gravador começou a reproduzir os desenhos dos viajantes que acompanhavam a descoberta de um novo mundo. Selvagens, animais raros e frutas entraram no universo fantástico até então reservado aospersonagens da religião e da mitologia.
Consagrada como meio de comunicação acessível a toda sociedade culta, a gravura expande-se como instrumento de artistas e cientistas. Desde o aparecimento e a evolução da técnica, do século XV, no Brasil, ela só aparece depois que dom João VI, aqui chegando, levanta a proibição de imprimir-se, coisa considerada perigosa na colônia.
Sendo outorgada pelo rei, a liberdade passa a exprimir-se de maneira oficial. E os exemplares que, saídos da impressão régia, são a letra do Hino Nacional e reproduções das diversas insígnias da Ordem da Espada: seriam as primeiras manifestações, no século 19, de uma tendência oficialista que iria eclodir mais tarde em coisas tais como a “Hora do Brasil” e o “Gráfico do Congresso”.
Como tantas outras artes, a gravura em metal nasceu da vontade do lucro. Imagens religiosas, cujo trânsito era facilitado pela venda das indulgências – prática que mais tarde ocasionou a revolta de Martinho Lutero e a Reforma -, precusavam ser fabricadas em abundância, assim como as cartas de jogar.
(Fonte: Veja, 21 de julho de 1982 – Edição 724 – ARTE/ Por Marinho de Azevedo – Pág: 142/143)

