Na Europa, no final da década de 10 e com mais intensidade nos anos 20, desenvolve-se uma interação entre cinema e vanguardas artístico-literárias, principalmente na França e Alemanha. Na Rússia, o cinema é dirigido para as questões políticas e sociais. Nos países nórdicos, a produção cinematográfica, desvinculada desses movimentos, é marcada por grande lirismo e beleza plástica, com o dinamarquês Carl Dreyer (O martírio de Joana D’Arc), o finlandês Mauritz Stiller (A saga de Gosta Berling) e o sueco Victor Sjöstrom (Vento e areia).
AVANT-GARDE FRANCESA
Movimento de renovação cinematográfica que se desenvolve entre 1921 e 1931. Os filmes – abstratos e de crítica à sociedade – procuram expressar sentimentos e idéias para além da dimensão narrativa do cinema clássico, através de sugestões criadas por artifícios técnicos de enquadramento, montagem e ritmo. As temáticas se baseiam em fatos comuns, mas livres de qualquer lógica, dentro de um contexto poético.
A luminosidade e a plasticidade da pintura impressionista inspira cineastas como Louis Delluc (A mulher de parte alguma), Abel Gance (Napoleão), Jean Epstein (Coração fiel), Marcel L’Herbier (A desumana) e Germaine Dulac (A festa espanhola). O cinema experimental de Man Ray (O retorno à razão) e René Clair (Entreato) é influenciado pelo dadaísmo e pelo cubismo.
Surrealismo – Um cão andaluz (1928), de Luis Buñuel, escrito em parceria com Salvador Dalí, é considerado o manifesto do cinema surrealista. Em 1930 Buñuel produz A idade do ouro, outro marco do movimento. Os filmes não revelam preocupação com enredos ou histórias. As imagens expressam desejos não racionalizados e desprezo pela ordem burguesa. Em 1932 Jean Cocteau faz Sangue de um poeta.
Luis Buñuel (1900-1983) nasce na Espanha, em uma família católica, estuda com jesuítas e, posteriormente, freqüenta a Universidade de Madri. Em 1920 funda o primeiro cineclube da Espanha. Muda-se para Paris em 1925, onde se envolve com o movimento vanguardista. Em 1947, no México, dá continuidade a sua produção cinematográfica. Mesmo com a dificuldade da surdez, produz obras-primas do cinema contemporâneo, como A bela da tarde (1967), O estranho caminho de São Tiago (1969), O discreto charme da burguesia (1972), O fantasma da liberdade (1974) e Esse obscuro objeto de desejo (1977).

