O Impressionismo puro.
Claude Monet, impressionista e popular
Claude Monet (Paris, 14 de novembro de 1840 – Giverny, 5 de dezembro de 1926), foi considerado um dos mais importantes pintores da escola impressionista.
Mestre impressionista, o pintor das flores e paisagens campestres, do famoso quadro medalhão de Monet, como a marinha Impressão – Sol Levante, que acabou por nomear o movimento impressionista.
Monet deixou um acervo de respeito, em que predominam telas da maturidade do pintor. Entre elas despontam quadros de grande qualidade, como as Ninféias, plantas aquáticas cultivadas em Giverny, e quatro quadros da célebre série A Ponte Japonesa, em que a pintura de Monet, quase cego, vítima de catarata, está na fronteira da abstração.
São a última fase da obra do pintor, comprovam que, mesmo na velhice, Monet continuou um revolucionário, tendo nos anos 50 do século XX influenciado pintores americanos como Jackson Pollock. Propositadamente, Monet pintou a ponte, a água e as plantas como um turbilhão de cores difusas.
Nas obras de seu início de carreira, como A Canoa sobre o Epte, realizado em 1890, quando o pintor já atingira a maturidade, o quadro exibe um passeio de barco de uma enteada de Monet e uma amiga. Nessa tela, ele concilia um apurado senso de composição com o voluntarismo típico de sua produção juvenil.
Bem-amado – Excecrado pela crítica e pela burguesia na juventude, quando militava na linha de frente do impressionismo, Monet conseguiu, ainda em vida, ser digerido e celebrado pelo gosto popular. Pôde então desfrutar a fortuna e o status de celebridade tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, onde expunha com alguma constância.
Seu grande feito foi ter abandonado a penumbra do ateliê para fincar o cavalete ao ar livre, fosse debaixo do sol, da chuva, junto às ondas do mar e até na neve. Sempre ao relento, Monet pintou paisagens de sedução visual irresistível.
Pintando quase sem parar por mais de sessenta anos, Monet criou tanto algumas das obras-primas da arte moderna quanto pinturas melosas, de gosto duvidoso. Ao final da vida, deprimido, o próprio Monet foi bastante severo consigo próprio, considerando seu sucesso “ilusório e imerecido”. Quando se aborrecia com o trabalho, não raro rasgava e queimava seus quadros.
Decidido a ser artista desde pequeno, Oscar-Claude Monet teve de enfrentar a oposição do pai, um abastado comerciante, para seguir a carreira artística. Na infância, sua diversão predileta na sala de aula era preencher as páginas de seus cadernos com promissoras caricaturas dos professores, um passatempo que veio a se transformar numa fonte de rendimentos que pagaria suas lições de pintura. O Monet caricaturista pode ser admirado em trabalhos como Velho Normando de Perfil, de 1857.
Monet casou-se duas vezes. A primeira mulher, Camille, tornou-se modelo de algumas de suas primeiras obras-primas. Com a segunda, Alice, mudou-se para sua famosa residência em Giverny, onde ficou até a morte, aos 86 anos. Que, mais tarde o lugar, transformado em museu, é mantido exatamente como o pintor o deixou.
Fica na residência de Giverny o famoso jardim que ele retratou à exaustão em seus últimos quadros, com as ninféias e a ponte japonesa. Monet construiu o jardim depois de ter visto um igual na casa de um amigo na Itália.
A terra natal de Monet é, como se sabe, o país que mais fatura em cima de seu patrimônio cultural. Conforme o crítico americano Clement Greenberg, “somente bem no início e bem no final de sua carreira Monet realizou obras-primas. As demais eram simplesmente pinturas começadas de manhã e terminadas no entardecer.”
Para o crítico italiano Giulio Carlo Argan,a invenção pictórica de Monet está na tradução visual da luz, da transparência atmosférica e da água em notas cromáticas puras, marcadas por largas pinceladas que desprezavam a técnica renascentista do claro-escuro.
O Museu Nacional de Belas Artes inaugurou em 11 de março, uma exposição com 33 telas e desenhos do mestre impressionista. Uma caprichada e ambiciosa mostra dedicada a um único artista já montada no país – em qualquer época.

Claude Monet viveu de 1883 a 1926, ou seja 43 anos, em sua casa em Giverny na Normandia, hoje museu. Tombada como monumento histórico. (ABC Turismo)
1840 – 1862
Claude Oscar Monet nasceu em Paris, na França, em 1840. Quando tinha cinco anos a família se mudou para Le Havre, uma cidade portuária na desembocadura do rio Sena.
Tanto os pais como os professores o consideravam um menino indisciplinado. Gostava muito de desenhar e na escola fazia caricaturas dos professores. Aos quinze anos já ganhava algum dinheiro com isso: cobrava 10 francos por cada desenho.
Um dia conheceu o pintor Boudin e os dois se tornaram grandes amigos. Boudin viu seus desenhos e o encorajou a pintar. Com Boudin, Monet aprendeu também a pintar ao ar livre.
Entusiasmado com a ideia de ser pintor Monet foi para Paris com o propósito de estudar pintura, matriculando-se na Académie Suisse. Em Paris conheceu Pissaro e Coubert, que também estavam começando a pintar. O serviço militar o obrigou a interromper os estudos. Foi enviado para a Argélia, no norte da África, onde permaneceu por quase um ano, até que uma tia conseguiu o seu desligamento. Porém ela exigiu uma condição: que completasse seus estudos.
Em 1851, Monet entrou para a escola secundária de artes e acabou se tornando conhecido na cidade pelas caricaturas que fazia. Nas praias da Normandia, Monet conheceu, por volta de 1856, Eugène Boudin, um artista que trabalhava extensivamente com pintura ao ar livre nessas mesmas praias, e que lhe ensinou algumas técnicas ao ar livre.
1862 – 1883
Novamente em Paris, Monet voltou a estudar, desta vez no estúdio Gleyre, onde conheceu Bazille, Renoir e Sisley, com quem formou o grupo dos Impressionistas.
Mais tarde se juntaram Manet, Degas, e Morisot. O escritor Zola era amigo do grupo e sempre os apoiava. Da primeira exposição do grupo participaram também Boudin, Pissaro e Cézanne entre outros. A terceira mostra do grupo contou com a presença de Gaugin.
Em Paris também conheceu Camille Doncieux por quem se apaixonou. A ajuda que seu pai lhe enviava foi cortada quando ele descobriu que Monet e Camille estavam morando juntos. Foram tempos difíceis, de pouco dinheiro. As pressões e as dificuldades foram tantas que o casal acabou se separando. Em 1867 Camille dá à luz o primeiro filho do casal: Jean. No ano seguinte, vivendo miseravelmente, Monet tenta o suicídio.
Apesar das dificuldades, Monet e Camille se reencontram e casam. Com o início da Guerra Franco-Prussiana Monet refugia-se na Inglaterra para não ter que se alistar. Camille segue depois. Em Londres, pinta suas cenas londrinas, entre elas a série do Parlamento. Conhece Durand-Ruel, que atraído pela pintura impressionista passa a investir no no grupo. Com o fim da guerra, Monet retorna à França, indo morar em Argenteuil onde recebe a notícia que seu amigo Bazille morrera em combate.A derrota da França dá início a um período de instabilidade política que marca o fim do império e a volta ao sistema republicano.
Em 1874 Monet e seus amigos realizam uma Claude Monet. Self-Portrait. Detail.exposição que marca o início do movimento impressionista. O evento não é bem recebido, os quadros são ridicularizados. A crítica chamou o grupo de Impressionistas. Uma ironia em relação a um quadro de Monet chamado Impressão: o Sol se levanta. Com isso queriam dizer que os quadros não passavam de uma primeira impressão, um rascunho. Sem conseguir vender seus quadros, Monet e sua família vivem na pobreza. No ano seguinte os Impressionistas promovem uma venda pública de seus quadros no Hotel Drouot, sem muito sucesso.
Em 1876 Monet conhece Ernest Hoschedé e sua esposa Alice, que se tornam seus admiradores. Neste ano Durand-Ruel organiza a segunda mostra dos impressionistas em sua galeria mas os colecionadores ainda não aceitavam aquele novo estilo de pintura e a exposição resultou em novo fracasso. Em 1877 os negócios de Hoschedé quebram. Ele foge para a Bélgica deixando a mulher e os filhos
Em 1878 nasce o segundo filho, Michel. Monet e sua família mudam-se para Vétheuil juntamente com Alice. Surgem as primeiras críticas favoráveis ao movimento impressionista. Os anos de pobreza haviam arrasado a saúde de Camille que tendo contraído tuberculose veio a falecer em 1879. O prestígio de Monet continuava crescendo e no ano seguinte Durand-Ruel realizou com sucesso uma exposição dos impressionistas em Nova York.
1883 – 1900
Depois de ter experimentado anos de extrema pobreza, Monet começa a prosperar. Em 1883 aluga uma casa em Giverny. Em 1887 expõe novamente em Nova York. Em 1890 a casa é comprada e em 1891 Monet conclui Os Montes de Feno e a série de paisagens do rio Epte. Nesse mesmo ano morre Ernest Hoschedé. Em 1892 Monet e Alice casam-se. Cuidar do jardim torna-se uma de suas atividades preferidas, são contratados seis jardineiros para ajudá-lo nesse trabalho. É 1893 é comprado também um terreno vizinho onde Monet constrói o jardim aquático, que seria sua grande fonte de inspiração nos anos seguintes. Em 1894 conclui a série da Catedral de Rouen e durante o verão de 1896-97 pinta paisagens do Rio Sena, retomando um tema do início de sua carreira.
1900 – 1926
No início do século, Monet visita vários países europeus. Na Inglaterra onde já estivera, pinta uma série de paisagens do Rio Tâmisa. A partir de 1907 tem problemas com a visão. Com a evolução da doença suas telas tornam-se quase abstratas
Em 1911 morre Alice e três anos mais tarde Jean, seu primeiro filho. Tem início a Primeira Grande Guerra. Em sua casa em Giverny Monet dedica-se exclusivamente à pintura. Seu tema preferido passa a ser o seu jardim. Com a construção de um estúdio em 1916 ele começa a pintar as Ninféias. Com o fim da guerra, em 1918, Monet doa as telas ao governo francês. Estes quadros são expostos num espaço construído especialmente para eles no Museu de Orangeries, em Paris. Em 1923 Monet está quase cego, é operado da catarata e passa a usar óculos. Em 5 de dezembro de 1926 morre, em Giverny.
(Fonte: http://www.tci.art.br/monet/biografia)
(Fonte: Veja, 12 de março de 1997 – ANO 30 – N° 10 – Edição 1486 – ARTE/ Por Angela Pimenta – Pág: 130/132)
- Claude Monet, o mais célebre entre os pintores impressionistas.




