O prêmio Nobel Jacob: em defesa da liberdade da ciência
François Jacob (Nancy, na França, 17 de junho de 1920 – 21 de abril de 2013), geneticista francês é autor do livro O Rato, a Mosca e o Homem, onde aborda continuamente esse tema ao recontar, de forma clara e quase sempre acessível, a história da genética.
François Jacob dividiu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia com Jacques Monod e André Lwoff, em 1965, por suas descobertas sobre a estrutura genética e reprodução das bactérias. Para ele, o aspecto mais sensacional da genética moderna é a unificação que ela traz aos seres vivos.
Todos os animais são produto de uma mesma estrutura, representada por grupos de genes que reaparecem em praticamente todas as espécies. As diferenças óbvias entre, o rato, a mosca e o homem são devidas a processos de diferenciação que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião, controlados por reações químicas.
A engenharia genética, que engloba as técnicas de manipulação da estrutura genética dos seres vivos, é produto dessa nova biologia. Ela traz consigo benefícios para a humanidade, desde vacas que produzem mais leite e tomates gigantes até a possibilidade de uma medicina capaz de curar vários tipos de câncer.
Jacob defende, de modo apaixonado e às vezes empolgante, a liberdade do cientista. Por outro lado, argumenta que o cientista tem uma enorme responsabilidade social e moral. Ele tem o dever de informar a sociedade sobre suas descobertas e de suas consequências e perigos.
(Fonte: Veja, 29 de julho de 1998 – ANO 31 – N° 30 – Edição 1557 – LIVROS/ Por Marcelo Gleiser – Pág; 135)

