Eurípides Ferreira, médico que liderou primeiro transplante de medula óssea da América Latina
Especialista coliderou o procedimento inédito no país em 1979
Procedimento foi em outubro de 1979, no Hospital de Clínicas de Curitiba. Médico contribuiu para transformar Hospital Pequeno Príncipe em centro de referência no tratamento do câncer infantojuvenil.
Eurípides Ferreira, médico pioneiro do transplante de medula no Brasil.
Ele liderou, ao lado do também médico Ricardo Pasquini, a equipe que realizou o primeiro transplante de medula óssea do Brasil e da América Latina.
O procedimento foi em outubro de 1979, no Hospital de Clínicas de Curitiba. O paciente que recebeu o transplante foi Alírio Pfiffer, e o doador compatível foi o irmão dele.
Eurípides também fez parte da equipe que realizou, em 1996, o primeiro transplante de medula óssea entre não parentes. O procedimento aconteceu graças à existência do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). A doadora era Suely Walton e a cirurgia ajudou a salvar a vida de uma criança de 11 anos.
Em entrevista à RPC em 2023, o médico contou que passou a dedicar a vida aos pacientes que dependem do transplante de medula a partir de uma promessa feita em 1966.
“Eu fui chamado para atender uma criança com leucemia, que tinha 6 anos de idade, o Henrique. Naquele tempo, não tinha quimioterápico eficaz. Em uma tarde, eu virei para o Henrique e disse: ‘Como você está?’. Ele disse: ‘Tudo bem, tio. Tio, o senhor faz um favor para mim? Deixa eu morrer em casa?'”.
“Naquele dia eu fiz uma promessa para mim mesmo: vou fazer todo o esforço para poder curar essas crianças”, relembrou emocionado.
O Dr. Eurípides atuou por 57 anos no Hospital Nossa Senhora das Graças.
O médico também foi responsável pela implantação dos serviços de Oncologia, Hematologia e Transplante de Medula Óssea no maior hospital pediátrico do país, o Hospital Pequeno Príncipe.
Além disso, contribuiu para transformar a instituição em um centro de referência no tratamento do câncer infantojuvenil.
“Eu sempre sonhei em ser útil nessa vida, porque, dentro de toda minha formação, eu creio que temos nesse mundo uma passagem e que temos de oferecer o nosso melhor. Nunca estou satisfeito, quero sempre mais, mas creio que eu tenha contribuído um pouco para minha cidade e para meu país”, afirmou o médico em 2020.
O Hospital Nossa Senhora das Graças destacou o profundo conhecimento, zelo, humanidade e carinho que o médico dedicava no cuidado com cada paciente.
“Seu legado permanece vivo na medicina, na história de nosso hospital e na vida de todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”, publicou o hospital.
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/04/03 – Globo Notícias/ PARANÁ/ NOTÍCIA/ Por Mariah Colombo, g1 PR — Curitiba – 03/04/2026)

