Poeta, editor e crítico odiava o efêmero, foi um dos mais notáveis poetas do Brasil
Régis Bonvicino, escritor e poeta reconhecido internacionalmente
O poeta pós-concreto, de inventividade rara, traduziu com mestria Oliverio Girondo e Jules Laforgue
Conhecido internacionalmente por conta de traduções de sua obra, autor tinha o ambiente urbano como principal tema
Régis Bonvicino, em retrato de 2019. (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Eduardo Anizelli/ Folhapress ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)
“O mundo literário hoje é distorcido, injusto. Vivemos um empobrecimento intelectual no qual os artistas se acham melhores do que os outros e a arte perdeu o confronto para se tornar decorativa.” — Régis Bonvicino, numa entrevista à “Folha de S. Paulo”, em 2019
Régis Bonvicino (nasceu em São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955 — faleceu em Roma, em 5 de julho de 2025), foi poeta, editor, crítico e tradutor, era referência na poesia brasileira após o movimento concretista. Ele começou no mundo literário em 1975, escrevendo como colunista em jornais e revistas, incluindo a Folha.
Bonvicino fez parte de uma geração de autores brasileiros que surgiu com o declínio da poesia concreta. Seu trabalho reflete sobretudo a condição precária da vida urbana contemporânea e foi reconhecido internacionalmente.
Ele participou de diversos eventos literários e teve livros publicados em outros países, traduzido para línguas como inglês, espanhol e mandarim. Uma seleção de seus poemas foi publicada em inglês, em 2017: “Beyond the Wall: New Selected Poems”.
Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Décio Pignatari, Haroldo de Campos — mais do que Augusto de Campos —, T. S. Eliot, Jules Laforgue, Oliverio Girondo, e tantos outros “aparecem” na poesia de Régis Bonvicino — como presenças reais e fantasmais. Mas há um Régis Bonvicino único, original. Um Régis Bonvicino que buscou outros para ser ele mesmo.
O poeta paulistano Bonvicino se formou em Direito, mas já escrevia poemas antes mesmo da graduação. Publicou sua primeira obra de poesia, Bicho Papel, em 1975. Com o passar dos anos, publicou diversas outras coletâneas de poemas. De acordo com o próprio autor, seus escritos “refletem igualmente a condição precária dos seres urbanos contemporâneos nessas décadas”.
Em 2010, 35 anos após sua estreia na poesia, publicou o volume Até Agora, reunião de toda sua produção poética. Na época do lançamento, disse que o livro era seu “testamento”. “Agora, posso atirar minha garrafa ao mar”, afirmou, em entrevista a VEJA. O trabalho foi lançado no mercado americano em 2017. Suas obras eram publicadas de forma consistente no estrangeiro.
Sua produção é elogiada por críticos como o professor de literatura da USP João Adolfo Hansen, autor do posfácio de Até Agora, e o professor de teoria literária da Unicamp Alcir Pécora, para quem o poeta possui, juntamente com Nelson Ascher, outro egresso do concretismo, “uma das poucas produções relevantes hoje”.
“Acredito que ele esteja entre os poetas que seguem experimentando, descontente consigo próprio, sem preocupação excessiva de conservar o que já obteve”, disse Pécora a VEJA em 2010. “Paradoxalmente, graças a esse despojamento contínuo do poético e da poesia, a esse começar de novo sem garantias, em bases rigorosas, conseguiu estabelecer uma obra própria e consistente. No conjunto da poesia reunida em Até Agora, certamente acerta mais do que erra”, afirmou o professor.
Além da poesia, teve atuação fundamental como editor. Ao lado de Ascher e Michael Palmer, publicou a coletânea Nothing the Sun Could Not Explain, em 1997, volume que fez com que o trabalho de poetas como Paulo Leminski (1944—1989) e Torquato Neto (1944—1972) fosse conhecido fora do Brasil. Amigo pessoal de Leminski, editou as cartas que recebeu do poeta no livro Envie meu Dicionário (Cartas e Alguma Crítica), cuja edição mais recente é de 1999, e que está esgotada.
Sua obra mais recente é A Nova Utopia, lançada em 2023. O trabalho reúne 67 poemas recentes, em que retoma a observação da metrópole urbana e a falta de perspectiva dos moradores da cidade.
Seu trabalho mais recente foi “A Nova Utopia”, de 2022. Em 2019, ele havia publicado “Deus Devolve o Revólver”, álbum sonoro com 20 poesias inéditas declamadas por ele. Ele publicou livros como “Até Agora”, de 2010, reunião de suas obras, e “Estado Crítico”, de textos inéditos, em 2013, no qual abordava o cotidiano em colapso com humor cáustico.
Régis Rodrigues Bonvicino nasceu em São Paulo, Capital, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito Universidade de São Paulo (USP), em 1978, e ingressou na Magistratura em março de 1990.
Judicou nas comarcas de Casa Branca, Jundiaí, Porangaba, Franco da Rocha e Capital. Em 2019 tornou-se juiz substituto de 2ª Instância e foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, em junho de 2024.
Livros do poeta Régis Bonvicino
Bicho Papel (1975, a estreia em livro)
Régis Hotel (1978)
Sósia da Cópia (1983)
Num Zoológico de Letras (1994, livro infantil)
Envie Meu Dicionário: Cartas e Alguma crítica (correspondência com o poeta Paulo Leminski)
Até Agora (2010)
Estado Crítico (2013)
Deus Revolve o Revólver (2020)
A Nova Utopia (último livro, de 2022)
Foi também colunista e crítico de VEJA e de outros veículos importantes da imprensa brasileira.
Régis Bonvicino morreu no sábado, 5, aos 70 anos. Ele estava na Itália, de férias com a família.
Ele estava de férias com a família em Roma, onde sofreu uma queda e havia ficado internado por uma semana. A informação foi confirmada por sua mulher, a psicanalista Darly Menconi.
Os integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo comunicam e lamentam a morte do desembargador Régis Rodrigues Bonvicino, ocorrida na madrugada de (5), em Roma. Informações sobre o sepultamento serão comunicadas oportunamente. A Presidência do TJSP, que decretou luto oficial de 3 dias a partir de segunda-feira, em comunhão com toda a Família Forense, solidariza-se com os entes queridos neste momento de luto, ressaltando o legado por ele deixado à Magistratura paulista e ao Poder Judiciário.
Integrante da 23ª Câmara de Direito Privado, em sua posse solene, o orador em nome do Tribunal, desembargador Carlos Eduardo Pachi, ressaltou as suas qualidades como homem “voltado às letras e à literatura, reconhecido por seu brilhantismo intelectual no meio com trabalhos publicados no Brasil e no exterior”. Nesse dia, o desembargador Régis Rodrigues Bonvicino falou do papel do magistrado em um mundo tão desafiador. “O dever que assumi há 34 anos, quando tomei posse no cargo de magistrado, e que nesse marco da carreira reafirmo, é o de fazer justiça, agora em um mundo mais complexo.”
(Créditos autorais reservados: https://www.tjsp.jus.br/Noticias — Tribunal de Justiça de São Paulo/ NOTÍCIAS — 5/07/2025)
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