Fernando del Paso, escritor mexicano expansivo
O romancista mexicano Fernando del Paso em uma foto sem data. Ele ganhou o Prêmio Miguel de Cervantes, o mais prestigiado prêmio literário de língua espanhola, em 2015. (Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Richard Izarra, via U. P. I. ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)
Fernando del Paso (nasceu em 1º de abril de 1935, Cidade do México, México — faleceu em 14 de novembro de 2018, Guadalajara, México), foi escritor mexicano de romances barrocos que em 2015 ganhou o Prêmio Miguel de Cervantes, o mais prestigiado prêmio literário em língua espanhola.
Ele era diretor da Biblioteca Ibero-Americana Octavio Paz da Universidade de Guadalajara.
Os extensos romances do Sr. del Paso eram baseados em história e cheios de digressões, alusões e metáforas empilhadas sobre metáforas; suas frases podiam se estender por uma página ou mais.
Uma frase, retirada de seu segundo romance, “Palinuro do México” (1977), que acompanha as peregrinações e romances de um estudante de medicina, diz em parte (traduzido por Elisabeth Plaister):
“A sorte do avô Francisco começou a minguar e, finalmente, ele afundou de forma repentina e espetacular — como navios e transatlânticos afundam, como o Titanic e o Lusitânia afundaram — e suas glórias finais coincidiram, mais ou menos alguns anos, com a explosão apocalíptica dos poços de petróleo de Meriwether e Morrison, que em certa época, ou, mais especificamente, por conta da Primeira Guerra, fizeram de Tampico o maior empório de petróleo deste orbe.”

Um crítico disse que o segundo romance do Sr. del Paso, “Palinuro do México”, era “ficção incomum para leitores com gosto verdadeiramente refinado, sede de risadas intelectuais e muita concentração”.
Crédito…Fundo de Cultura Econômica
Os críticos reagiram à vastidão da obra do Sr. del Paso com admiração e frustração, às vezes na mesma resenha. O autor e professor de literatura Alan Cheuse, falando no programa “All Things Considered” da NPR em 1996, disse que “Palinuro” “tinha toda a ambição de ‘Ulisses’, mas nada do enredo”.
O romance, ele acrescentou, era “ficção incomum para leitores com gosto verdadeiramente refinado, fome de risadas intelectuais e muita concentração”.
O primeiro romance do Sr. del Paso, “José Trigo” (1966), em que um narrador anônimo procura um homem em um acampamento ferroviário, é frequentemente interrompido por comentários sobre eventos históricos, como a greve ferroviária mexicana de 1959; seu terceiro, “Notícias do Império” (1987), conta a história de dois membros da realeza europeia que tentaram estabelecer uma monarquia no México em meados do século XIX, com resultados desastrosos. Mas as sinopses dos enredos pouco transmitem o alcance da obra do Sr. del Paso.
Fernando del Paso Morante nasceu em 1º de abril de 1935, na Cidade do México. Exerceu diversas funções como diplomata, jornalista e redator publicitário, tendo vivido em Paris e Londres por muitos anos. Também foi pintor.
Como escritor, publicou volumes de ensaios e poesias, além de romances. Seu primeiro livro publicado foi uma coletânea de sonetos, “Sonetos de lo Diario” (1958).
Fernando del Paso faleceu em 14 de novembro em Guadalajara, México. Ele tinha 83 anos.
Sua morte, em um hospital, foi anunciada em uma publicação no site da Universidade de Guadalajara.
Seus sobreviventes incluem sua esposa, Socorro Gordillo, e três filhos, Alejandro, Adriana e Paulina.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2018/11/19/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ por Daniel E. Slotnik –
Uma versão deste artigo foi publicada em 22 de novembro de 2018 , Seção A , Página 29 da edição de Nova York, com o título: Fernando del Paso, foi Escritor Mexicano Expansivo.
© 2018 The New York Times Company

