Willard Libby, conhecido pela pesquisa sobre carbono-14
Willard Frank Libby (17 de dezemebro de 1908 – Los Angeles, 8 de setembro de 1980), químico americano que ganhou um Prêmio Nobel por sua descoberta do “relógio atômico” – o método que determina a idade de descobertas arqueológicas através da radioatividade.
Willard F. Libby, que ganhou o Prêmio Nobel de Química por seu método de usar a radioatividade para determinar a idade de objetos antigos, foi membro do Projeto Manhattan, que construiu a bomba atômica, e serviu na década de 1950 na Comissão de Energia Atômica dos EUA, onde foi creditado como uma força motriz no programa Átomos pela Paz.
Além de seu “relógio atômico” ou “calendário atômico”, que se tornou indispensável na arqueologia e na história antiga, o Dr. Libby – conhecido pelos amigos como “Wild Bill” – foi um líder no esforço para aproveitar a energia nuclear para propósitos pacíficos.
Reconhecido por sua ampla imaginação e curiosidade, o Dr. Libby foi professor de química na UCLA por muitos anos e também dirigiu o instituto de geofísica da universidade antes de se aposentar em 1976.
O famoso “calendário atômico” do Dr. Libby depende essencialmente da capacidade dos cientistas de medir com precisão o lento decaimento do Carbono-14, um isótopo radioativo de carbono encontrado em muitos objetos antigos.
Utilizada por geólogos, geofísicos e por especialistas em diversas áreas além da arqueologia, a técnica de datação por carbono 14 possibilitou muitas descobertas sobre o homem antigo e seu ambiente ao longo de um período que remonta a 50 mil anos.
Primeiro através de argumentos teóricos, depois através de experiências, o Dr. Libby demonstrou que o carbono radioativo seria incorporado em toda a matéria viva em concentrações relativamente fixas.
Quando a planta ou animal morre, não consegue mais assimilar o isótopo de carbono e a concentração existente diminui lentamente. Através do processo de decaimento radioativo, metade da concentração de carbono-14 é perdida a cada 5.750 anos. Ao usar um contador Geiger para medir a radiação emitida por uma amostra, os cientistas podem dizer há quanto tempo o decaimento continuou e, portanto, medir a idade da amostra.
Natural de Grand Valley, Colorado, o Dr. Libby foi criado na fazenda de frutas de sua família, perto de Sebastopol, Califórnia, e obteve o bacharelado e o doutorado em química pela Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Após 10 anos lecionando em Berkely, ele se juntou ao Projeto Manhattan, ajudando a desenvolver o método de difusão gasosa para separar o isótopo físsil do urânio.
O trabalho que levou ao Prêmio Nobel foi realizado no corpo docente da Universidade de Chicago, após a guerra. Foi nomeado para a Comissão de Energia Atômica em 1954, para um mandato de cinco anos.
Depois, retornou à Califórnia como professor de química na UCLA, onde era conhecido por sua vontade de combinar o ensino fundamental com a pesquisa avançada.
Após a eleição de 1968, houve indícios de que a Dra. Libby, que havia apoiado Richard Nixon, poderia ser nomeada conselheira científica do novo presidente. Os relatórios suscitaram fortes protestos privados de muitos cientistas que se queixaram de que o Dr. Libby era demasiado conservador politicamente para mobilizar a comunidade científica do país.
Além do prêmio Nobel de 1960, a Dra. Libby, que morava em Santa Monica, recebeu uma grande variedade de honrarias e prêmios acadêmicos e científicos, incluindo uma dúzia de títulos honorários, a medalha Joseph Priestly e a medalha Albert Einstein.
Willard Libby faleceu dia 8 de setembro de 1980, aos 71 anos, de embolia pulmonar, em Los Angeles, Estados Unidos.
Sua morte, que se seguiu a uma breve doença, foi atribuída a um coágulo sanguíneo no pulmão, complicado por pneumonia.
(Direitos autorais: https://www.washingtonpost.com/archive/local/1980/09/10 – Washington Post/ ARQUIVOS/ Por Martin Bem – 10 de setembro de 1980)
© 1996-2001 Washington Post
(Fonte: Veja, 17 de setembro de 1980 – Edição 628 – DATAS – Pág; 114)
A prova do Carbono 14
A técnica do carbono-14 foi descoberta nos anos quarenta por Willard Libby. Ele percebeu que a quantidade de carbono-14 dos tecidos orgânicos mortos diminui a um ritmo constante com o passar do tempo. Assim, a medição dos valores de carbono-14 em um objeto fóssil nos dá pistas muito exata dos anos decorridos desde sua morte.
Esta técnica é aplicável à madeira, carbono, sedimentos orgânicos, ossos, conchas marinhas – ou seja todo material que conteve carbono em alguma de suas formas. Como o exame se baseia na determinação de idade através da quantidade de carbono-14 e que esta diminui com o passar do tempo, ele só pode ser usado para datar amostras que tenham entre 50 mil e 70 mil anos de idade.
A radioatividade do carbono 14
Libby, que era químico, utilizou em 1947 um contador Geiger para medir a radioatividade do C-14 existente em vários objetos. Este é um isótopo radioativo instável, que decai a um ritmo perfeitamente mensurável a partir da morte de um organismo vivo. Libby usou objetos de idade conhecida (respaldada por documentos históricos), e comparou esta com os resultados de sua radiodatação. Os diferentes testes realizados demonstraram a viabilidade do método até cerca de 70 mil anos.
O C-14 se produz pela ação dos raios cósmicos sobre o nitrogênio-14 e é absorvido pelas plantas. Quando estas são ingeridas pelos animais, o C-14 passa aos tecidos, onde se acumula. Ao morrer, este processo se detêm e o isótopo começa a desintegrar-se para converter-se de novo em nitrogênio-14. A partir desse momento, a quantidade de C-14 existente em um tecido orgânico se dividirá pela metade a cada 5.730 anos. Cerca de 50 mil anos depois, esta quantidade começa a ser pequena demais para uma datação precisa.
Depois de uma extração, o objeto a datar deve ser protegido de qualquer contaminação que possa mascarar os resultados. Feito isto, se leva ao laboratório onde se contará o número de radiações beta produzidas por minuto e por grama de material. O máximo são 15 radiações beta, cifra que se dividirá por dois por cada período de 5.730 anos de idade da amostra.
(Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna – CIÊNCIA – 30 de maio de 2003/ atualizado em 04 de junho de 2003)
- Willard Libby
- Willard Libby ganhou um Prêmio Nobel por sua descoberta do “relógio atômico”.



