É o primeiro Nobel da Paz a morrer privado da liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky

– Prominente dissidente intelectual Liu Xiaobo em 5 de março de 1995. (REUTERS/Will Burgess/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY)
Liu Xiaobo, famoso dissidente chinês, ele defendeu durante toda a sua vida, o direito individual de viver, de falar e a liberdade do controle autoritário e da censura estatal, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2010. Crítico literário e ativista dos Direitos Humanos e pró-democracia, Liu Xiaobo foi distinguido com o prêmio Nobel da Paz em 2010, “pela sua longa e não-violenta luta pelos direitos humanos fundamentais na China”, como registrou a Academia Sueca.

A foto de Liu Xiaobo e a cadeira vazia na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel, em Oslo, em 10 de dezembro de 2010. (Foto: HEIKO JUNGE/Scanpix Norway/ REUTERS)
O ativista dos direitos humanos, é o primeiro vencedor do Nobel da Paz a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, morto em 1938 em um hospital quando estava detido pelos nazistas.
O ativista ganhou o Nobel da Paz concorrendo com a União Europeia e Helmut Kohl — que ajudaram a reunificar a Alemanha, 20 anos atrás, após a queda do Muro de Berlim — e a afegã Sima Samar, ativista dos direitos das mulheres em seu país. A concessão do prêmio a Liu desagradou a Pequim, pelo fato de chamar a atenção para a questão dos direitos humanos na superpotência econômica asiática no momento em que ela procurava exercer um papel maior nos assuntos internacionais.
Quando o prêmio foi concedido a Liu e no dia da entrega, o governo chinês bloqueou as notícias sobre o Nobel na internet e a mídia estatal não divulgou a informação. A China também chamou seu embaixador na Noruega, em protesto contra a decisão, e incentivou o boicote de 19 países aliados à cerimônia. Em Oslo, Liu foi representado por uma cadeira vazia, marcando a primeira vez que nenhum representante de um homenageado preso pode comparecer à cerimônia desde 1935, quando von Ossietzky foi detido pelo regime nazista de Adolf Hitler.
Ex-professor de literatura, Liu ganhou notoriedade como um dos líderes de uma greve de fome realizada durante os protestos estudantis da praça da Paz Celestial em 1989, quando houve um massacre no local. Posteriormente, ele passou 20 meses preso e outros três anos num campo de “reeducação pelo trabalho”, na década de 1990. Ficou também vários meses sob prisão domiciliar informal.

Foto concedida pela família mostra Liu Xiaobo em 14 de março de 2005 no sul da China – (Foto: LIU FAMILY / AFP)
Um defensor dos direitos humanos
Liu Xiaobo tinha 61 anos e era opositor do governo chinês. Considerado um dissidente, ele foi detido em dezembro de 2008 e condenado em 2009 a 11 anos de prisão por “incitar à subversão”, após ter ajudado a redigir um manifesto político, conhecido como Carta 08, que pedia reformas democráticas, respeito aos direitos contemplados na Constituição chinesa e a realização de eleições livres.
Em outubro de 2010 ele recebeu o prêmio Nobel da Paz, que lhe foi atribuído “pela sua longa e não violenta luta pelos direitos humanos fundamentais da China”. Como estava preso, ele não pôde receber o prêmio pessoalmente e foi representado por uma cadeira vazia.
Para muitos chineses, ele era considerado um herói da democracia e durante todo o tempo em que esteve preso e doente, uma batalha de ativistas dos direitos humanos do mundo todo foi mantida contra a China.
Os simpatizantes que viam no governo chinês uma tentativa de tentar silenciar Liu para que seu legado desaparecesse se mobilizaram para tentar garantir os direitos que ele sempre defendeu, a liberdade de expressão e a garantia dos direitos individuais.
Petições e manifestações a favor da liberdade de Liu Xiaobo foram realizadas nos últimos dias de vida do Nobel da Paz.

Liu Xia segura foto dela e de seu marido, Liu Xiaobo. (Foto: Ng Han Guan – 6.dez.2012/AP)
Liu estava preso desde 2009 após ser condenado a 11 anos de prisão por “subversão” depois de assinar um documento, a carta 08, que pedia mais liberdade e reforma política na China, incluindo o fim do poder concentrado em apenas um partido. A prisão do dissidente gerou condenação da ONU, União Europeia, Estados Unidos e grupos de defesa dos direitos humanos.
Segundo Mo Shaoping, advogado do ativista, a doença foi diagnosticada em maio de 2017 e Liu Xiaobo foi libertado poucos dias depois. O chinês foi transferido da prisão para um hospital na cidade de Shenyang para o tratamento da doença. Liu vinha sendo tratado dos efeitos colaterais da sua doença, incluindo uma acumulação de líquido no estômago causada por cicatrizes hepáticas.
Na quarta-feira (12/07), a família do dissidente rejeitou que ele fosse submetido a uma respiração artificial. Liu, além de insuficiência respiratória, tinha uma falência múltipla dos órgãos. A China se opôs ao tratamento de Liu no exterior, alegando que seu estado de saúde impedia a saída. Dois médicos estrangeiros que visitaram o paciente avaliaram que ele teria condições de deixar o país.

Vídeo mostra o vencedor do Nobel preso na China, Liu Xiaobo, deitado em uma cama recebendo tratamento médico – (Foto: Andy Wong / AP)
Liu Xiaobo morreu em 13 de julho de 2017 de falência múltipla dos órgãos, no Hospital Universitário N.º1 de Shenyang, do nordeste da China, após ser libertado da prisão no mês de junho em decorrência de um câncer terminal no fígado. Tinha 61 anos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, respondeu que os outros países deveriam respeitar a soberania judicial chinesa e “não interferir nos assuntos internos da China sob pretexto de um caso individual”.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/mundo – MUNDO/ PEQUIM / POR O GLOBO / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS – 13/07/2017)
(Fonte: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral – INTERNACIONAL/ Por EFE e AFP – PEQUIM – O Estado de S.Paulo – 13 Julho 2017)
(Fonte: https://www.publico.pt/2017/07/13/mundo/noticia – MUNDO/ Por SOFIA LORENA – 13 de Julho de 2017)

