Tinha desejo de espaço, de viagem, levou a produção artística a uma escala inédita na sua relação com a natureza.
Walter de Maria (Califórnia, 1° de outubro de 1935 – Nova York, 25 de julho de 2013), artista plástico norte-americano que iluminou o deserto.
Um dos nomes mais conhecidos da land art, um dos artistas que expandiu o campo da escultura, inscreveu a sua assinatura na história da produção cultural e artística da segunda metade do seculo XX, antes de iniciar um período de reclusão que o afastou das principais instâncias de divulgação e mediatização da arte.
De Maria foi um dos maiores nomes do minimalismo e do movimento que ficou conhecido como land art, que pregava grandes intervenções na paisagem natural e em lugares públicos das grandes cidades.
Começou por estudar História e Arte em São Francisco, inclinando-se para a pintura, mas o contacto com as obras do músico La Monte Young e da coreógrafa Simone Forti desviaram-no na direção da escultura. Nesse período, desenvolve trabalhos que integram linguagem, instruções, texto, e que apontam para afinidades com o conceptualismo, mas expõe pouco.
Em 1960 aterra em Nova York e começa a usar pequenas formas geométricas e materiais como alumínio e aço, expondo em apartamentos e galerias, participando em happenings, fazendo filmes. Imerso na cena downtown da cidade, reaviva, por um curto e intenso período, o seu interesse pela música.
Integra como baterista os The Primitives, a banda que seria a antecâmara dos Velvet Underground, ensaia com Don Cherry, e grava em 1964 e 1968, respectivamente, Cricket Music e Ocean Music, discos que misturam sons naturais e provindos de instrumentos; e que, depois de uma reedição limitada em 2002, continuam indisponíveis.
Começou sua carreira nos anos 1960, influenciado pela dança e pela performance na Califórnia, onde nasceu. Mais tarde, mudou-se para Nova York, onde trabalhou como escultor minimalista. Entre suas obras mais famosas está The Lightning Field, ou Campo dos Trovões, uma intervenção de 1977 em que fincou 400 hastes metálicas num perímetro de uma milha por um quilômetro no deserto do Novo México. Esse retângulo geométrico atrai descargas elétricas durante as tempestades na região, criando um espetáculo luminoso natural.
Em outubro de 2012, ocupou uma sala inteira do Los Angeles County Museum of Art com 2 mil barras brancas que criavam diferentes percepções no espaço com a mudança nas condições de luz e do clima do lado de fora do museu.
Em julho de 2013 o artista plástico tem uma obra exposta em cartaz na Bienal de Veneza. Sua instalação fecha a exposição principal da mostra italiana.
Walter de Maria morreu em 25 de julho de 2013, em Nova York. Aos 77 anos, foi vítima de um derrame.
(Fonte: Zero Hora – ANO 50 – N° 17.458 – 27 de julho de 2013 – TRIBUTO – Pág; 38)
(Fonte: http://www.publico.pt/cultura/noticia – CULTURA/ Por José Marmeleira – 27/07/2013)
- The Lightning Field: 400 hastes metálicas dispostas numa área de 1 km no deserto do Novo México (DR)
- Walter De Maria o artista que iluminou o deserto. (DR)



