“Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos.” Vilanova Artigas
Vilanova Artigas (Curitiba, 23 de junho de 1915 – São Paulo, 12 de janeiro de 1985), mestre do brutalismo paulista, estilo arquitetônico marcado pelo uso expressivo do concreto armado
Artigas, nascido em Curitiba em junho de 1915, se tornou um nome indissociável da paisagem paulistana, com obras como o estádio do Morumbi, o edifício Louveira e a garagem de barcos do antigo clube Santa Paula, na represa de Guarapiranga.
Ao lado de Frederico Kirchgässner e Lolô Cornelsen, é responsável pelas primeiras manifestações modernistas na arquitetura de Curitiba. Graduou-se engenheiro-arquiteto na Escola Politécnica da USP, Artigas, muito embora tenha atuado principalmente em São Paulo, deixou significativas obras na capital, e mesmo no interior paranaense. É dele a antiga estação rodoviária de Londrina, hoje transformada em Museu de Arte.
Paralelamente à atividade de arquiteto, Artigas dedicou-se, ao longo de sua vida, ao magistério; inicialmente na Politécnica de São Paulo, mais tarde, no curso de Arquitetura da USP. Em 1962, quando foi implantado o curso de arquitetura na UFPR, Artigas foi convidado para integrar o corpo docente, mas declinou o convite. Não obstante a recusa, proferiu inúmeras palestras e sua produção influenciou toda uma geração de alunos.
Os quase 700 projetos realizados numa profícua carreira e o contato com profissionais de outros países, deram a Artigas reconhecimento internacional.
Suas obras dos anos 1960, como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e a garagem de barcos, são testamentos do auge de seu poder criativo. Além do uso do concreto, são construções marcadas pela articulação dos espaços em torno de um eixo central e a atenção à transparência, reforçando a sensação de que seus edifícios se entrelaçam com a paisagem ao redor.
Ancorada na beleza da geometria, a garagem de barcos de Artigas, é um dos melhores exemplos de sua busca obsessiva pela perfeição estrutural, com uma laje que desliza sobre pontos de apoio móveis quando se expande ou contrai com as oscilações na temperatura.
Sua obra é referência na arquitetura latino-americana e, seus projetos são temas frequentes de estudos de professores. Sua arquitetura é vigorosa e tem uma posição política. É a ideia de uma sociedade em que os espaços coletivos são mais importantes do que os individuais. Na época do golpe militar, seus edifícios surgiram como espaços de liberdade.
Em 1964, quando ouviu pelo rádio que os militares tomavam o poder em Brasília, Artigas era comunista e tentou fugir. Artigas passou um mês na prisão em setembro do ano do golpe e depois se exilou no Uruguai, de onde voltou no ano seguinte.
Na essência, a grande virtude de Artigas sempre foi a sabedoria de implantar seus prédios de tal forma que o espaço é livre. Seus espaços nunca são contingenciados, constrangidos, o que é chamado de “êxito da técnica”.
Artigas faleceu em janeiro de 1985, aos 69 anos.
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/03/1597096-centenario-de-vilanova-artigas-e-celebrado-com-filme-mostras-e-livros – SILAS MARTÍ DE SÃO PAULO – 03/03/2015)

