Cantora e compositora Sueli Costa, uma das maiores e mais sensíveis melodistas do Brasil

Sueli Costa (1943 – 2023) intérprete de canções como ‘Alma’, ‘Coração ateu’, ‘Face a face’ e ‘Jura secreta’ — (Foto: Arthur Rangel / Divulgação / Reprodução Facebook Biscoito Fino)
Sueli Correa Costa (Rio de Janeiro (RJ), 25 de julho de 1943 – Rio de Janeiro (RJ), 4 de março de 2023), cantora e compositora, foi um dos grandes nomes da MPB. Ela teve canções de sua autoria regravadas e ou interpretadas por ícones da música, como Elis Regina Angela Ro Ro, Ney Matogrosso, Simone, entre outros.
Colaboradora de João Bosco, Gonzaguinha e Aldir Blanc, nos anos 1970, Sueli Costa nasceu em uma lar de músicos. A mãe pianista era, também, regente de um coral. Foi em casa, observando a família, que a menina aprendeu a treinar o ouvido e se tornou, primeiramente, uma ouvinte de diversos gêneros, como a Bossa Nova, popular na época.
No final dos anos 1960, a compositora conheceu Nara Leão, então voz do espetáculo Opinião, no Rio. Foi a primeira das muitas estrelas que teve contato, compondo, nos anos 1970, faixas icônicas da MPB, como ‘Coração Ateu’, interpretada por Maria Bethânia. Nos 50 anos de carreira, Sueli Costa deixa um legado na voz, no piano e na literatura musical, com 6 álbuns e diversos singles.
Artista carioca de vivência mineira, criada em Juiz de Fora (MG), Sueli Costa fez a primeira música, Balãozinho, em 1960 e se impôs a partir da década de 1970 como uma das melhores e mais refinadas melodistas do Brasil.
Compositora de alta estirpe, parceira de letristas poetas como o já mencionado Abel Silva, Cacaso (1944 – 1987), Tite de Lemos (1942 – 1989), Aldir Blanc (1946 – 2020) e Paulo César Pinheiro, Sueli era intérprete de obra associada primordialmente às grandes cantoras da MPB.
Se a poesia vinha dos homens, a melodia sensível de Sueli Costa sempre pareceu mesmo mais vocacionada para vozes de mulheres. Tanto que fica difícil esmiuçar as discografias de Elis Regina (1945 – 1982), Maria Bethânia, Nana Caymmi e Simone sem esbarrar algumas (ou muitas) vezes no nome de Sueli Costa.
Maria Bethânia foi a primeira cantora a enfatizar o talento da compositora ao incluir nada menos do que três músicas da então desconhecida Sueli Costa no roteiro do consagrador espetáculo Rosa dos ventos – O show encantado (1971), sendo seguida por Elis Regina (1945 – 1982), intérprete de Vinte anos blue (Sueli Costa e Vitor Martins, 1972) e, mais tarde, de petardos afetivos como Altos e baixos (Sueli Costa e Aldir Blanc, 1979).
Foi pela voz de Bethânia que as primeiras músicas de Sueli começaram a ganhar o Brasil. Coração ateu (1975) – em gravação feita para a trilha sonora da versão original da novela Gabriela (Globo, 1975) – e Amor, amor (Sueli Costa e Cacaso, 1976) fizeram sucesso em época em que a MPB dava as cartas no mercado fonográfico, com a ressalva de que Amor, amor tinha sido apresentada um ano antes, em 1975, na voz da cantora Marília Barbosa.
Simone chegou depois, mas logo se tornou a intérprete mais popular das músicas de Sueli Costa, lançando pérolas aos povos como Face a face (Sueli Costa e Cacaso, 1977), Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977), Medo de amar nº 2 (Sueli Costa e Tite de Lemos, 1978), Cordilheira (Sueli Costa e Paulo César Pinheiro, 1979), Música, música (Sueli Costa e Abel Silva, 1980) e Alma (Sueli Costa e Abel Silva, 1982).
Paralelamente à supremacia popular de Simone, Nana Caymmi foi se impondo em nichos como uma das grandes intérpretes de Sueli Costa ao dar voz a músicas como Fingidor (1977), Pérola (Sueli Costa e Abel Silva, 1980), Nem uma lágrima (1981), Voz e suor (Sueli Costa e Abel Silva, 1983), Primeiro altar (Sueli Costa e Abel Silva, 1988) e Sabe de mim (música de 1979 propagada pela cantora no álbum Bolero, de 1993).
Também instrumentista e cantora, Sueli Costa deixa oito álbuns lançados entre 1975 e 2018. Os cinco álbuns feitos pela artista na gravadora Odeon – Sueli Costa (1975), Sueli Costa (1977), Vida de artista (1978), Louça fina (1979) e Íntimo (1984) – concentram o suprassumo da obra da compositora de inspiração sobressalente.
Mas é nas vozes das intérpretes, grandes cantoras e mulheres da música brasileira, que fica eternizado o cancioneiro de Sueli Costa, dona de obra imortal que desde sempre embala, faz chorar e ensina muito sobre o amor. Canções em cujas asas Sueli Costa voa agora para o infinito.
Sueli Costa faleceu no sábado, 4, aos 79 anos no Rio de Janeiro.
(Crédito: https://www.msn.com/pt-br/musica/noticias – MÚSICA/ NOTÍCIAS/ por ESTADÃO CONTEÚDO – 04/02/23)
(Crédito: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/03/04 – POP & ARTE/ MÚSICA/ por Mauro Ferreira – 04/02/23)

