Shiro Miyasaka, foi agrônomo que ajudou a introduzir a cultura da soja no Brasil cujo trabalho se tornou referência em sustentabilidade e agroecologia

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Dr. Shiro Miyasaka, agrônomo que ajudou a introduzir a cultura da soja no Brasil

 

Dr. Shiro Miyasaka, agrônomo que ajudou a introduzir a cultura da soja no Brasil

Orientado a resultados: o perfil do agricultor que maximiza a produtividade e o retorno financeiro, principalmente para alcançar maiores lucros e margens (CNA/Senar/Divulgação)  

Nascido no Japão, ele foi o primeiro japonês a se doutorar em agronomia no Brasil e se tornou referência na produção agroecológica

Dr. Shiro Miyasaka (Foto: Reprodução/Facebook)

 

 

Dr. Shiro Miyasaka (nasceu em Hokkaido, no norte do Japão – faleceu em 26 de julho de 2017), foi agrônomo que ajudou a introduzir a cultura da soja no Brasil cujo trabalho se tornou referência em sustentabilidade e agroecologia.

Considerado pela Globo Rural, em 2010, uma das 25 personalidades que revolucionaram os rumos da agropecuária brasileira, foi um dos pioneiros da pesquisa sobre a cultura do soja no Brasil, foi o responsável pelas primeiras variedades de soja provenientes de cruzamentos genéticos.

Na soja, as pesquisas efetuadas por Miyasaka, em meados de 1952, envolveram pela primeira vez, cruzamentos de cultivares que já haviam sido introduzidas no Brasil com outras precedentes dos Estados Unidos.

Nascido na cidade da Hokkaido, no norte do Japão, Shiro Miyasaka chegou ao Brasil aos oito anos de idade. Graduo-se na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) em 1951 e, em 1959, tornou-se o primeiro japonês a se doutorar em agronomia no país.

Shiro trabalhou em instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde se aposentou em 1985. Depois disso, foi durante dois anos professor da Universidade de Tsukuba, no Japão, onde aprofundou ainda mais seu aprendizado sobre agricultura alternativa e sustentabilidade.

Shiro Miyasaka participou da “Campanha de expansão da soja”. Em 1981, ele escreveu o livro A soja no Brasil. Em 2008, no livro Manejo da biomassa e do solo, visando à sustentabilidade da agricultura brasileira, do qual foi coordenador, ele escreveu: “Tenho orgulho de ter participado do trabalho inicial de implantação da soja no Brasil.

Hoje, de um lado, vemos a maravilha do feito dessa cultura na economia brasileira, porém, de outro, vemos que estamos pagando um preço alto por esse sucesso, um alto custo decorrente do esgotamento dos recursos naturais, quais sejam, preciosos solos e águas”. Dr Shiro dizia que a cultura implantada no Sul, Sudeste e Centro-Oeste não tinha sustentabilidade e alertava para o risco da soja para a região Norte do país.

O interesse pela agricultura orgânica veio despois de Shiro assistir a uma palestra da agrônoma Ana Maria Primavesi quando ele trabalhava no IAC, de acordo com o livro Ana Maria Primavesi: histórias de vida e agroecologia, de Virgínia Mendonça Knabben, que traz também a história dos pioneiros da agroecologia.

“Comecei a atuar conforme a minha consciência e a participar de todo o movimento dela. Ao contrário do que diziam, a agricultura orgânica não era empírica, sem base científica. Eu comecei a enxergar através do livro dela, que tinha embasamento científico. A mesma convicção que eu tinha no sucesso da soja, lá atrás, eu tenho hoje em relação à agricultura natural”, disse.

O agrônomo que ajudou a introduzir a soja no Brasil – e foi o primeiro japonês a ser doutor no país

Agrônomo atuou como pesquisador científico no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde chefiou a Seção e a Assessoria Técnica, aposentando-se em 1985

Se a soja é hoje uma das principais commodities brasileiras é porque inúmeros produtores, pesquisadores e profissionais vislumbraram um futuro de abundância para uma cultura que, à primeira vista, parecia inadequada para o Brasil. Um desses profissionais foi Shiro Miyasaka, que apostou no grão e contribuiu de maneira significativa para o crescimento da soja no país.

Miyasaka chegou ao Brasil aos oito anos. Formado em 1951 pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), ele se tornou, em 1959, o primeiro japonês a obter doutorado em agronomia no Brasil.

Miyasaka também coordenou, em 1971, a Primeira Reunião Nacional de Feijão, que reuniu mais de 700 pesquisadores e técnicos do Brasil e de outros países. Ele foi ainda fundador da Associação dos Produtores de Agricultura Natural.

 

Shiro Miyasaka e a Campanha de Expansão da Soja

Um dos maiores feitos de Miyasaka foi sua contribuição para a introdução da soja no Brasil. Ele participou ativamente da Campanha de Expansão da Soja e, em 1981, escreveu o livro A Soja no Brasil.

“Tenho orgulho de ter participado do trabalho inicial de implantação da soja no Brasil. Hoje, de um lado, vemos os maravilhosos resultados dessa cultura na economia brasileira, mas, por outro lado, vemos que estamos pagando um preço alto por esse sucesso”, afirmou o agrônomo na obra Manejo da Biomassa e do Solo, Visando à Sustentabilidade da Agricultura Brasileira, de 2008, na qual foi coordenador.

Segundo o livro Ana Maria Primavesi: Histórias de Vida e Agroecologia, de Virgínia Mendonça Knabben, Miyasaka foi essencial para a introdução e adaptação da soja no Brasil, tornando-se uma referência em agricultura agroecológica.

O interesse de Miyasaka pela agricultura orgânica surgiu após ele assistir a uma palestra da agrônoma Ana Maria Primavesi enquanto trabalhava no IAC.

“Comecei a atuar conforme a minha consciência e a participar de todo o movimento dela. Ao contrário do que diziam, a agricultura orgânica não era empírica, sem base científica”, afirmou Miyasaka em entrevista.

Agricultura regenerativa

Após sua aposentadoria, foi professor por dois anos na Universidade de Tsukuba, no Japão, onde se especializou em agricultura regenerativa e sustentabilidade.

Em 2010, Miyasaka foi destacado como uma das 25 personalidades que revolucionaram os rumos da agropecuária brasileira, em uma enquete organizada pela revista Globo Rural.

Dr. Shiro Miyasaka morreu na quarta-feira (26/7), aos 92 anos. Miyasaka sofreu uma morte natural.

(Direitos autorais reservados: https://www.canalrural.com.br/agricultura – Canal Rural/ AGRICULTURA/ por Radação Canal Rural – 26/07/2017)

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(Direitos autorais reservados: https://exame.com/agro – EXAME Agro/ por César H. S. Rezende/ Repórter de agro e macroeconomia – 19 de abril de 2025)

(Direitos autorais reservados: https://globorural.globo.com/Noticias/noticia/2017/07 – Globo Rural/ Globo Notícias/ Redação Globo Rural – 26 Jul 2017)

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