RICHARD W. TULLY, DRAMATURGO
Autor de ‘Bird of Paradise’, foi o vencedor em notável processo por plágio.
Carreira jurídica interrompida. Decisão revertida.
O Sr. Tully nasceu em Nevada City, Califórnia, filho de Richard Whiteside Tully e da Sra. Louisa Jane Hinds Tully. Seu pai foi um dos pioneiros do setor bancário na região do Pacífico e figura proeminente no desenvolvimento inicial da Califórnia, tendo sido prefeito de Stockton.
Ele estudou nas escolas primária e secundária de Stockton e, posteriormente, trabalhou no rancho de seu pai, onde aprendeu a criar cavalos e desenvolveu uma paixão por esportes ao ar livre de todos os tipos.
Enquanto estudava na Universidade da Califórnia, venceu, em 1899, o Concurso Júnior de Farsa com sua primeira obra de literatura dramática.
Carreira jurídica deixada de lado
Ele se formou em Direito em 1901, mas abandonou a carreira jurídica para se especializar no estudo do teatro. Durante vários anos, dedicou-se de corpo e alma à escrita de peças, e sua obra “A Rosa do Rancho” foi encenada com sucesso.
Sua peça seguinte, ambientada nas Ilhas Havaianas, foi “O Pássaro do Paraíso”. Ela é geralmente considerada uma das primeiras a popularizar a música, os trajes e a atmosfera havaiana nos Estados Unidos.
Outra peça de grande sucesso foi “Omar, o Fabricante de Tendas”, que ficou em cartaz por quase mil apresentações. “O Pássaro do Paraíso”, que lhe trouxe tanto sucesso, foi encenada no Teatro Daly dois anos antes da Primeira Guerra Mundial, com Laurette Taylor (1883 – 1946) no papel principal.
Pouco depois da estreia da peça, Grace Fendler, de Los Angeles, entrou com um processo alegando plágio de sua obra “In Hawaii”, que ela declarou ter submetido ao produtor Oliver Morosco (1875 – 1945) em 1910.
O litígio se arrastou até que, em 1928, a Suprema Corte do Estado confirmou a decisão do árbitro, que concedeu a ela US$ 608.361 contra o Sr. Tully e US$ 173.529 contra o Sr. Morosco.
A decisão foi revertida
No ano seguinte, sob ameaça de ser declarado em desacato ao tribunal, o Sr. Tully foi obrigado a ceder todos os seus direitos autorais das produções teatrais e cinematográficas de sua peça à Sra. Fendler.
Contudo, em 1930, a sentença foi revertida por uma ordem do Tribunal de Apelações, que determinou que a Sra. Fendler pagasse a Tully e Morosco uma indenização de US$ 2.338 a título de honorários advocatícios.
A principal alegação de defesa do Sr. Tully era que ele havia concluído a peça em 1907, durante uma visita à fazenda californiana da Sra. Phebe A. Hearst, mãe de William Randolph Hearst.
A acusação da Sra. Fendler era de que ambas as peças apresentavam um médico que estava no Havaí em busca de uma cura para a lepra e que, em ambos os casos, o médico havia sido atraído de forma semelhante – pela dança havaiana, pelo surfe e pela música – por uma jovem nativa. Dizia-se que a peça havia sido fundamental para popularizar o ukulele nos Estados Unidos.
Richard Walton Tully de 50 West Eighty-seventh Street morreu na noite de quarta-feira 1º de fevereiro de 1945 no Columbia-Presbyterian Medical Center. Ele tinha 67 anos.
O Sr. Tully casou-se duas vezes. Em 1914, divorciou-se de Eleanor Gates Tully, autora da peça “A Pobrezinha Rica”. No mesmo ano, casou-se com a Srta. Gladys C. Hanna, membro de uma família proeminente de Toronto. Ela sobreviveu a ele. Ele também deixa uma filha, Maya.
https://www.nytimes.com/1945/02/02/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times – 2 de fevereiro de 1945)

