Richard Condon, romancista político
Richard Condon (nasceu em 18 de março de 1915, em Manhattan, Nova Iorque, Nova York – faleceu em 9 de abril de 1996, em Dallas, Texas), foi romancista e satirista político diabolicamente inventivo que escreveu “O Candidato da Manchúria”, “O Inverno Mata” e “A Honra de Prizzi”, entre outros livros.
Romancista é uma palavra limitada demais para abranger o mundo do Sr. Condon. Ele também era um visionário, um mágico de humor negro, um estudioso da mitologia americana e um mestre em teorias da conspiração, como vividamente demonstrado em “O Candidato da Manchúria”. Esse romance, publicado em 1959, tornou-se posteriormente um clássico cult do cinema, dirigido por John Frankenheimer. Nesta história fascinante, Raymond Shaw, um prisioneiro de guerra americano (interpretado no filme por Laurence Harvey), sofre lavagem cerebral e se torna um agente comunista e assassino.
Quando o filme de 1962 foi relançado em 1988, Janet Maslin escreveu no The New York Times que era “indiscutivelmente a mais arrepiante obra de paranoia da Guerra Fria já filmada, mas agora já desenvolveu uma espécie de inocência”.
O Sr. Condon foi um romancista popular que recebeu grande atenção da crítica, embora nem sempre recebesse críticas favoráveis. Sua resposta: “Sou um homem do mercado, além de artista”. E acrescentou: “Sou um penhorista de mitos”. Embora outros afirmassem que seus romances eram proféticos, ele admitia apenas que eles estavam “às vezes cerca de cinco minutos e meio à frente de seu tempo”.
Em “Winter Kills”, um presidente, evidentemente inspirado em John F. Kennedy, é assassinado em uma conspiração envolvendo a Agência Central de Inteligência (CIA) e o submundo. Obcecado por política, o Sr. Condon disse certa vez: “Todos os livros que escrevi tratam de abuso de poder. Tenho uma opinião muito forte sobre isso. Gostaria que as pessoas soubessem o quanto seus políticos as prejudicam.” Esse abuso pode ter ocorrido na vida contemporânea ou já no século XV, como em seu romance “Um Tremor Sobre Roma”.
Políticos como o senador Joseph R. McCarthy e o presidente Richard M. Nixon apareceram em vários disfarces em sua obra, com Nixon como Walter Slurrie em “A Morte de um Político”. Falando sobre política e thrillers políticos, o Sr. Condon disse certa vez: “São os vilões que fazem boa literatura, porque são os únicos na história que sabem o que querem”.
Richard Condon morreu em 9 de abril de 1996, no Hospital Presbiteriano de Dallas. Ele tinha 81 anos.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1996/04/10/nyregion – New York Times/ NOVA IORQUE/ por Mel Gussow – 10 de abril de 1996)
© 1996 The New York Times Company

