RAOUL SALAN; CONSPIRAÇÃO NA ARGÉLIA
Raoul Salan (nasceu em 10 de junho de 1899, na vila de Roquecourbe, perto de Toulouse – faleceu em 3 de julho de 1984, em Paris, França), general francês que, em abril de 1961, liderou um golpe contra a independência da Argélia, então possessão francesa.
Desbaratado pelo presidente Charles de Gaulle, o movimento evoluiu para a fundação do grupo terrorista Organização do Exército Secreto, cujo comando foi entregue a Salan e cuja conotação mais e mais foi atingido tons ultradireitistas. Aos comandados do general são atribuídas mais de 500 mortes por atentados. Preso e condenado à morte, teve a pena capital comutada para prisão perpétua, que cumpriu até 1968, quando o próprio De Gaulle o indultou.
O general Raoul Salan, outrora o soldado mais condecorado da França, que liderou uma tentativa de golpe de Estado contra o presidente Charles de Gaulle em 1961 e que organizou um grupo terrorista contrário à independência da Argélia, havia sido perdoado pelo presidente De Gaulle em 1968, após cumprir seis anos de uma pena de prisão perpétua, e em 1982 o presidente François Mitterrand o reintegrou ao posto de general e restabeleceu sua pensão.
A carreira de 44 anos do General Raoul Albin Louis Salan no Exército Francês não foi marcada por extravagância ou mesmo imprudência até meados da década de 1950, quando, pouco depois de sua última missão na Guerra da Indochina, que acabara de terminar com a derrota da França, ele foi encarregado de comandar os esforços franceses para sufocar a revolta rebelde na Argélia. Serviu na Primeira Guerra Mundial.
Nascido em 10 de junho de 1899, na vila de Roquecourbe, perto de Toulouse, o General Salan era filho de um médico. Formou-se na academia militar de St. Cyr e foi para a guerra em 1917, aos 18 anos. Recebeu a Cruz de Guerra e, nos anos seguintes, outras 35 condecorações.
Posteriormente, ele serviu na infantaria colonial na Argélia, Marrocos, Oriente Médio e Indochina.
Até a rendição da França na Segunda Guerra Mundial, o Coronel Salan comandou um batalhão de tropas senegalesas. Inicialmente, ele se aliou ao governo de Vichy, mas quando a maré virou a favor dos Aliados, ele lutou bravamente e obteve sucesso no sul da França com as tropas do General Jean de Lattre de Tassigny (1889 – 1952).
Após a guerra, o General Salan comandou todas as tropas coloniais francesas até 1950, quando o General de Lattre, então Alto Comissário da França para a Indochina, o convocou para lá como comandante-em-chefe das forças francesas que lutavam contra os rebeldes nacionalistas no Vietnã e em outros lugares. Recebeu ordens para retornar a Paris.
O general recebeu ordens para retornar a Paris antes da queda das forças francesas em Dien Bien Phu.
Nessa altura, a Quarta República já vinha fazendo esforços sistemáticos para conceder aos territórios ultramarinos franceses alguma autonomia e um grau de independência, sem, contudo, renunciar à sua soberania. Mas era evidente que o Império Francês, tanto na África e no Oriente Médio quanto na Indochina, estava ruindo.
Apenas seis meses após a conferência de Genebra sobre a Indochina, rebeliões contra o controle francês eclodiram em Marrocos, Tunísia e Argélia, países onde mais de um milhão de colonos europeus haviam se estabelecido e deixado claro que pretendiam permanecer.
Salan morreu dia 3 de julho de 1984, de insuficiência cardíaca, em Paris, França. Ele tinha 85 anos.
O general Salan, que esteve internado durante várias semanas no Hospital Val de Grâce, em Paris, “morreu de causas naturais”, disse um porta-voz do hospital.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1984/07/04/archives – New York Times/ Arquivos do The New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times/ Por Albin Krebs – 4 de julho de 1984)
Uma versão deste artigo foi publicada na edição impressa de 4 de julho de 1984 , Seção D , Página 15 da edição nacional, com o título: RAOUL SALAN; CONSPIRAÇÃO NA ARGÉLIA.
© 2000 The New York Times Company
(Fonte: Revista Veja, 11 de julho de 1984 – Edição 827 – Datas – Pág; 92)

