PRIMEIRO HOMEM A SER CANDIDATO DE ESQUERDA E GOVERNANTE DE DIREITA POR TRÊS MANDATOS

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O retorno. Guma, o oráculo de Palomas, está de volta. Foi tirado dos seus afazeres campeiros pela última do presidente Lulla: a intenção de proibir o direito de greve para vários setores do funcionalismo público. Gumercindo admira as pessoas que mudam de idéia e que não sofrem do complexo de mandioca. Mesmo assim, ficou mobilizado. No passado, o oráculo previu que o presidente, aconchegado no poder, renegaria os seus ideais de esquerda, viraria o aluno
modelo do FMI e enrolaria a massa com jogadas para a torcida. Guma, porém, é um oráculo com senso crítico e sabe reconhecer os seus limites. Por exemplo, não previu que o ex-sindicalista, campeão da defesa das greves, cuspiria
no cocho do seu currículo e tentaria bancar o que a direita não ousou. A verdade é que o oráculo ficou chocado. Uau!
Em todo caso, os poderes sobrenaturais do bombachudo foram reativados e, entre dois mates e um palheiro, ele botou as cartas do truco na mesa: Lulla ainda vai propor uma reforma da legislação trabalhista para acabar com a era Vargas e com os principais direitos dos trabalhadores, entre os quais quatro semanas de férias pagas, FGTS, proteção contra demissões sem justa causa e aposentadoria pelo sistema atual, apostando tudo na privatização da previdência.
O Brasil, segundo Gumercindo, é um país tão original que o melhor representante da esquerda virou o pior presidente de direita e, ainda assim, faz mais do que os outros, embora esse mais seja infinitamente menos do que o prometido e menos ainda do que o necessário.
Como que picado por uma mutuca, o oráculo despejou um balde de previsões: o presidente ainda vai tentar um terceiro mandato. Se não der para mudar a lei de modo a garantir-lhe mais uma reeleição, ele passará quatro anos em casa e retornará em 2014 como candidato de uma frente de direita liderada pelo PMDB. Embora velho, Lulla se tornou definitivamente moderno e pretende entrar para a
história como o primeiro presidente neoliberal de esquerda ou, mais precisamente, como o primeiro homem a ser candidato de esquerda e governante de direita por três mandatos.
Tudo isso continuando amigo de Chávez e fã de Fidel Castro. Conforme o oráculo, FHC morre de inveja, pois, comparado a Lulla, não passou de um candidato neoliberal e de um governante de centro-esquerda apoiado pela direita.
(Fonte: Correio do Povo – ANO 112 – NO 165 – Pág; 4 — quarta-feira, 14 de março de 2007 – OPINIÃO – Juremir Machado da Silva escritor e jornalista)

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