O CRIADOR DO MASP
Bardi: busca ousada para compor o acervo do Masp
Pietro Maria Bardi (La Spezia, Itália, 21 de fevereiro de 1900 – São Paulo, 1.º de outubro de 1999), diretor e criador do Museu de Arte de São Paulo, o MASP. “O meu museu.” Era assim que Pietro Maria Bardi costumava referir-se ao Museu de Arte de São Paulo. E ninguém reclamava. Afinal, o maior e mais importante acervo de quadros e esculturas da América Latina dificilmente teria tomado forma sem a obstinação e o olho aguçado desse professor de origem italiana, que o dirigiu até 1990. Foi na condição de marchand que ele visitou o Brasil pela primeira vez, em 1945. Conheceu então o magnata da imprensa Assis Chateaubriand, que acalentava o desejo de fundar um grande museu e o chamou para a empreitada.
Bardi aceitou e mudou-se acompanhado da mulher, a arquiteta Lina Bo. Ele fez a coleção crescer rapidamente nos primeiros anos. Realizou compras importantes na Europa, às vezes de maneira audaz, confiando em seu faro diante de obras de autoria duvidosa. O primeiro endereço do Masp foi na Rua Sete de Abril. Em 1968, Bardi comandou a mudança da sede para sua localização atual, na Avenida Paulista. O projeto do prédio coube a sua mulher e permanece como um dos marcos da arquitetura modernista no Brasil. Dela também é a vanguardista Casa de Vidro, onde o polêmico, irreverente e ousado Bardi terminou seus dias. Bardi morreu no dia 1º de outubro de 1999, vítima de acidente vascular cerebral. Tinha 99 anos e será lembrado como personagem fundamental da cultura brasileira no século XX.
(Fonte: Veja, 6 de outubro de 1999 – ANO 32 - N.°40 – Edição 1618 - DATAS/LUPA – Pág; 130/131)
- Pietro Maria Bardi
Quando chegou ao Brasil em 1946 para formar – a pedido do então poderoso comandante dos Diários Associados, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello – a coleção de um novo museu, que seria o Museu de Arte de São Paulo, o crítico e galerista Pietro Maria Bardi, italiano de Liguria, já trazia no porão do navio, em dois enormes containers, uma seleção de pintura europeia que formava a sua coleção particular.
Bardi gostava de afrescos do século XIII, de pintura barroca de Veneza, de telas com um toque de exotismo e isto não fazia parte das ambições de um grande museu nos anos 40/50.
(Fonte: Veja, 6 de março de 1985 – Edição 861 – ARTE – Pág: 104/105)



