Foi o primeiro a fazer uma importante descoberta de fósseis no Brasil
Peter Lund: descobertas em Lagoa Santa contribuíram para legitimar a teoria de Darwin
Peter Wilhelm Lund (Copenhague, Dinamarca, em 14 de julho de 1801 – Lagoa Santa, 25 de maio de 1880), cientista dinamarquês, é considerado o pai da paleontologia brasileira, o ramo da ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir dos seus fósseis.
Um brilhante e milionário cientista europeu, amigo de famílias como a do filósofo Sören Kierkegaard (1813-1855), que recolheu-se, durante quase cinquenta anos, no interior selvagem de Minas Gerais, passando a maior parte desse tempo praticamente sem trabalhar para a ciência.
Como um protestante fervoroso, crente na Bíblia, reagiria, no século XIX, à prova evidente de que a Bíblia não tinha razão? Pois foi esse susto que sofreu o dinamarquês Peter Wilhelm Lund em 1840, quando, na gruta do Sumidouro, perto de Lagoa Santa, no município de Minas Gerais, descobriu ossos de dois esqueletos humanos fossilizados.
Analisando os resíduos encontrados no local, chegou à conclusão de que o homem tinha sido contemporâneo de animais extintos que viveram até 20 000 anos atrás, ou seja, na era Pleistocênica. Abalado nas convicções antievolucionistas que adquirira de seu mestre Cuvier, Lund parou de pesquisar – mas, ao mesmo tempo recusou-se a voltar ao seu país.
Nascido em Copenhague, na Dinamarca, em 14 de julhod e 1801, Lund formou-se em Medicina. Ao mesmo tempo, já demonstrava sua predileção pela Botânica e pela Zoologia. Tuberculoso, e já tendo perdido dois irmãos com a mesma doença, achou que o clima do Brasil, poderia curá-lo, e em dezembro de 1825 chegava ao Rio de Janeiro.
Estabeleceu-se em Niterói, fez pesquisas durante quatro anos e depois voltou para a Dinamarca. Com a morte da mãe, decidiu vir de novo ao Brasil e em 1833 desembarcou pela segunda vez no Rio de Janeiro. Em companhia do botânico alemão Riedel partiu para uma viagem até Goiás, mas uma doença os obrigou a parar em Curvelo, no sertão mineiro. Ali Lund conheceu um fazendeiro da região, que o levou a conhecer as grutas das redondezas. Fascinado pelo local, Lund decidiu morar em Lagoa Santa, dando início às pesquisas que o levaram a ser considerado o “pai da paleontologia brasileira” e criando ao seu redor um mundo misterioso e fascinante.
Lund teve sua trajetória marcada por duas espécies de frustração – a amorosa, decorrente do fato de não conseguir se relacionar com as mulheres, e a científica, originária da consideração de que suas descobertas contrariavam a sua fé. É isso que faz Lund, mais e mais, isolar-se em Lagoa Santa.
Peter Wilhelm Lund faleceu em 25 de maio de 1880, aos 79 anos, viveu em sua casa olhando a Lagoa Santa, como um simples habitante da vila, e terminou sua vida personificando um enigma.
(Fonte: Veja, 8 de junho de 1983 – Edição 770 – LIVROS – Pág; 125)
- Peter Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira.


