Pela primeira vez, uma mulher assumiu a presidência do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES)

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‘Temos muitos avanços, mas caminho ainda é longo’, diz 1ª mulher a presidir o TJES

A desembargadora Janete Vargas Simões assumiu a presidência do Tribunal de Justiça em cerimônia realizada na quinta-feira (11)

Janete Vargas Simões assume a presidência do TJES no lugar de Samuel Meira Brasil Jr. (Crédito: Carlos Alberto Silva)

 

 

A nova Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) tomou posse na tarde da quinta-feira (11), durante sessão solene realizada na sede do Poder Judiciário, em Vitória. A desembargadora Janete Vargas Simões assumiu oficialmente a presidência da Corte, inaugurando um capítulo inédito na história do Judiciário capixaba: pela primeira vez, em 134 anos, uma mulher ocupa o comando do tribunal.

O fato histórico foi lembrado por Janete em seu discurso de posse, citando as conquistas dos últimos anos e os desafios ainda existentes para as mulheres nos espaços de poder. “Temos conquistado muitos avanços, com as mulheres em espaços de liderança, mas o caminho ainda é longo”, frisou.

Os desafios de assumir a presidência do Tribunal também foram citados por Janete, sobretudo relacionados às tensões políticas e também aos embates e ataques nas redes sociais.

“Assumo o TJ no momento mais complexo para as instituições públicas, desde a redemocratização. Vivemos um período de profunda complexidade, com aumento da violência e da desigualdade e as tensões cada vez mais presentes no ambiente digital”, destacou a desembargadora.

As pressões enfrentadas pelos Poderes foram outro problema mencionado pela nova presidente do TJES, que reforçou o entendimento sobre o papel da Justiça nesse cenário. “O Judiciário não legisla nem governa, mas garante que a Constituição seja cumprida.”

Durante coletiva realizada na terça-feira (9), Janete Simões afirmou que a principal meta da nova gestão será melhorar a produtividade da Corte, especialmente diante do diagnóstico do relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que colocou o TJES entre os tribunais com maior taxa de congestionamento processual do País.

Ela reconheceu o desafio e garantiu que os indicadores serão tratados como prioridade absoluta do biênio 2026/2027. “A produtividade foi um dos eixos que ainda não conseguimos superar na avaliação do CNJ, e temos plena consciência disso. Vamos trabalhar com foco na melhoria dos indicadores do tribunal. Recebemos o selo prata e vamos atuar nos ajustes necessários para manter esse patamar e avançar. Eu prometo que, no final do próximo ano, teremos índices melhores — muito melhores —, tanto no primeiro quanto no segundo grau. Pode anotar”, afirmou.

No discursos de posse, Janete voltou a destacar esse compromisso, apontando a forma como pretende presidir o Tribunal. “Transparência, diálogo e humanização. Pretendo conduzir essa Corte com firmeza, mas sem deixar de olhar para o lado humano. Assumo o comprisso de trabalhar pela eficiência do TJ”, afirmou.

A eleição que a conduziu ao cargo ocorreu em outubro, em votação secreta — formato adotado pelo TJES a partir de novembro de 2024. Ainda na sessão solene desta quinta-feira (11), foram empossados o desembargador Fernando Zardini Antônio na vice-presidência e o desembargador Everton Pinto Júnior na Corregedoria-Geral da Justiça.

Janete Vargas Simões assume a presidência no lugar do desembargador Samuel Meira Brasil Jr., que esteve no comando do Judiciário capixaba durante o biênio 2024-2025.

(Direitos autorais reservados: https://www.agazeta.com.br/es/politica – A Gazeta/ POLÍTICA/ por Tiago Alencar/ Repórter – 11 de dezembro de 2025)

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