Paulo Prado: ensaio que resume nossos males de origem
“Numa terra radiosa vive um povo triste.”
Paulo Prado (São Paulo, 20 de maio de 1869 – Rio de Janeiro, 3 de outubro de 1943), mistura de intelectual e milionário, membro de uma das mais aristocráticas famílias paulistas. É autor do livro Retrato do Brasil, originalmente publicado em 1928.
Como se fosse uma sinfonia em quatro movimentos, o livro de Paulo Prado reparte-se em quatro capítulos: “A luxúria”, “A cobiça”, “A tristeza” e “O romantismo”.
Termina-se a leitura de Retrato do Brasil às voltas com duas perplexidades. A primeira vem da tendência um pouco da época, mas muito do autor, à complicação. Por que não explicar a indigência do matuto paulista pelo simples fato de ser desnutrido, mal educado? Não. O autor inventa uma complicada teoria segundo a qual da mescla original do branco com o índio – que ele considera uma “mestiçagem apropriada”, responsável pelo tipo viril e voluntarioso do bandeirante – foi-se decaindo, após sucessivos cruzamrntos, até chegar ao “caboclo miserável”.
A segunda perplexidade é que Paulo Prado pretendeu escrever uma sociologia, ou uma psicologia social, ou talvez uma literatura histórica, mas acabou numa teologia. Seu livro cumpre o exato percurso que vai do pecado original – a luxúria – ao juízo final – a guerra, a revolução.
(Fonte: Veja, 23 de abril de 1997 – ANO 30 – N° 17 – Edição 1492 – CULTURA/ Por Roberto Pompeu de Toledo – Pág: 146/147)
- Paulo Prado, membro de uma das mais aristocráticas famílias paulistas.


