Paulo César Pereio, ícone do cinema brasileiro
Nome histórico do cinema brasileiro

Paulo César Pereio como Da Mata em ‘Partido Alto’ — (Foto: TV GLOBO / Nelson Di Rago)
Ator fez mais de 60 filmes e também teve atuação marcante na TV.
Paulo César Pereio na novela ‘Partido Alto’ — (Foto: TV Globo / Cedoc)
Paulo César Pereio (nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1940 – faleceu em 12 de maio de 2024, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro), ator reconhecido por sua voz marcante e presença intensa nas telas, ícone do cinema e teatro.
Pereio teve trabalhos marcantes na TV, teatro e no cinema, com mais de 60 filmes, alguns de grandes cineastas brasileiros como Glauber Rocha e Hector Babenco.
Ícone de rebeldia
Paulo César Pereio nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1940. Tem trabalhos marcantes na TV, no teatro e no cinema.
Considerado um ícone da rebeldia, atuou em mais de 60 filmes e trabalhou com cineastas importantes como Glauber Rocha, Hector Babenco, Arnaldo Jabor, Hugo Carvana e Ruy Guerra.
Pereio atuou em “Terra em transe”, de Glauber Rocha, em “Toda Nudez Será Castigada” e em “Eu te amo”, ambos de Arnaldo Jabor.
Também integrou o elenco de “Roda Viva”, peça de Chico Buarque encenada por Zé Celso Martinez Corrêa no fim dos anos 1960.
Nascido em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1940, Pereio se destacou em mais de 60 filmes, colaborando com diretores renomados como Glauber Rocha, Hector Babenco, Arnaldo Jabor, Hugo Carvana, Carlos Diegues e Ruy Guerra. Inspirado por Humphrey Bogart, Pereio era conhecido pelo seu estilo rebelde e imprevisível, características que lhe renderam papéis memoráveis e uma carreira marcada tanto por aclamações quanto por controvérsias.
Fora de cena, sua vida foi marcada por polêmicas. Ele frequentemente ocupava as manchetes por seu estilo de vida boêmio, marcado por festas e um círculo social vibrante que incluía muitas figuras proeminentes da cena artística brasileira. Além disso, suas opiniões fortes e frequentes desentendimentos com colegas e diretores geravam tanta controvérsia que, por vezes, eclipsavam sua própria obra. Ele tinha uma reputação de ser um ator desafiador e, às vezes, entrava em conflito com os diretores com quem trabalhava. Ele era conhecido por seus sumiços e atrasos, o que às vezes causava tensão nos sets de filmagem.
Contribuições Artísticas
Sua trajetória no cinema se intensificou após a colaboração com Ruy Guerra em “Os Fuzis” (1964), e apesar de desentendimentos frequentes com diretores, formou laços duradouros com os cineastas de sua geração, incluindo uma longa amizade com Hugo Carvana, com quem filmou o clássico “Vai Trabalhar Vagabundo” (1973). Sua participação em “Terra em Transe” (1967) de Glauber Rocha e outros filmes icônicos do Cinema Novo, como “Os Inconfidentes” (1972) de Joaquim Pedro de Andrade, além de “Toda Nudez Será Castigada” (1973) e “Eu Te Amo” (1981), ambos de Arnaldo Jabor, e “Chuvas de Verão” (1978), de Cacá Diegues, consolidou sua posição como um dos atores mais influentes de sua geração.
Além do cinema, Pereio teve uma carreira prolífica no teatro, atuando em produções como “Esperando Godot” e “Roda Viva”. Ele ainda trabalhou em importantes novelas brasileiras, como “Gabriela” (1975), “Partido Alto” (1984) e “Roque Santeiro” (1985), e usou sua voz distinta em diversas narrações e propagandas.
Toda a complexidade de Pereio foi explorada no documentário “Pereio, Eu Te Odeio” (2023), dirigido por Tasso Dourado e Allan Sieber, que retratou as excentricidades e o impacto profundo que ele teve sobre colegas e admiradores.
Personagem controverso
Em entrevista concedida em 2010 ao jornalista Geneton Moraes Neto, na GloboNews, Pereiro afirmou que construiu a própria imagem pública de pessoa controversa.
“Construo este mito, para ser pouco incomodado. É uma espécie de self-art. Pereio, na terceira pessoa, é obra minha. Posso ser considerado no Brasil uma celebridade. As pessoas me reconhecem na rua. Mas posso me dar ao direito de sair sozinho por aí, subir morro, andar na banda podre e na baixa sociedade, tranquilamente. Sei como não ser vítima disso. Conheço atores brasileiros que têm de fingir que são outra pessoa para sair na rua”, disse o ator.
Sobre a convivência com Nelson Rodrigues, ele reunia histórias.
“Às vezes, Nelson ia ao meu camarim para fumar e tomar cafezinho escondido, porque tinha uma médica que não deixava. Mas ela não podia entrar nos camarins e ele podia. Aí ele ia no meu camarim e dizia barbaridades assim: ‘Pereio, todo canalha é magro!’. Respondi: ‘Isso é arbitrário!’. E ele: ‘Em 97% das vezes em que sou arbitrário, eu estou certo’. Ele deu 3% de gorjeta.”
Pereio afirmou que, ao longo do tempo, transformou-se em uma mais tranquila e equilibrada. Principalmente após os 60 anos.
“Não me lembro de ter sido tão equilibrado. O desequilíbrio sempre produz certa ansiedade. Tenho momentos de calmaria que são muito bons. Baboseiras de que minha infância foi uma coisa muito boa. A juventude só é boa porque a gente tem tesão e não brochou. Mas serenidade, tranquilidade e a ideia de momentos felizes passei a ter depois dos 60 anos. E tenho melhorado! Tenho muito orgulho de ter saúde, apesar de tudo o que fiz”, afirmou.
No documentário “Tá rindo de quê?”, sobre o humor na ditadura militar, Pereio falou sobre a dificuldade para driblar a censura.
“Eu improvisava muito. Eu vou improvisar? Tem que dizer um texto enviado para a censura, carimbado, e tem que ser aquele texto. E qualquer improviso será castigado”, disse Pereio.
Entre os trabalhos na televisão, Pereio atuou em “Partido Alto”, “Roque Santeiro”, “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “A Viagem” e “Duas Caras”.
Conhecido pela voz grave, Pereio fez muitos trabalhos na publicidade.
“É um trabalho que eu levo muito a sério e considero tão artístico como qualquer outro. De vez em quando, os publicitários fazem obras de arte em 30 segundos. E acho que a publicidade influencia a linguagem de cinema e televisão”, disse Pereio em entrevista ao programa TV Mulher, em 1981.
Mudança em 2020
Pereio vivia no Retiro dos Artistas desde 2020, no começo da pandemia de Covid-19. Em entrevista ao Jornal Extra, ele disse que deixou São Paulo e buscou a entidade no Rio de Janeiro para se sentir protegido.
“Estou aqui desde o começo da pandemia, dessa crise do coronavírus. Achei que vir para cá seria uma maneira de me salvar. Vim para sobreviver. Eu moro em São Paulo, tenho meu apartamento lá. Não teve outro jeito. Mas estou bem de saúde. Nunca na minha vida trabalhei por dinheiro. Trabalhei bastante e nunca fiquei nem estou na penúria. O fato de eu estar aqui pode dar a ideia de que o cara está retirado, mas não estou. Ando aqui com uma tranquilidade absoluta, o que eu não poderia fazer na rua. Aqui tenho comida, sou bem cuidado e estou protegido”, afirmou Pereio.
Paulo César Pereio faleceu no domingo (12/5) aos 83 anos, devido a complicações de uma doença hepática avançada. Ele estava internado em estado grave no Hospital Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, desde a madrugada.
Paulo César Pereio foi casado três vezes e teve quatro filhos, dois deles com a atriz Cissa Guimarães.
Stepan Nercessian, amigo de longa data e presidente do Retiro dos Artistas, onde Pereio residia desde 2020, refletiu sobre a despedida: “O Pereio foi o ator que mais trabalhou nessa vida. Onde estivesse, estava o Teatro.”
Diretor do documentário “Peréio, Eu Te Odeio”, Allan Sieber celebrou a trajetória do ator e se solidarizou com a família: “Peréio odiaria odes sentimentaloides nessa hora. Tava ruim pra ele e ele saiu de cena. Timing perfeito. Coisa de grande ator. Triste aqui, e ao mesmo tempo feliz por ter tido a oportunidade de conviver e aprender com ele. O último de uma espécie. Meu abraço na família linda”.
Homenagens da família
Pereio foi casado três vezes e teve quatro filhos, dois deles com Cissa Guimarães. A atriz e apresentadora postou uma homenagem ao ex-marido neste domingo.
“Eu era uma menina e você me mostrou o mundo e o amor pelo nosso ofício. Fizemos filhos e história, meu amor, e agora temos nossos netos lindos para continuar nosso amor, que será sempre eterno!”, escreveu Cissa.
O ator João Velho, filho dos dois, agradeceu as mensagens de apoio e destacou a importância do pai.
“Morre com ele um pouco da história do cinema, da nossa cultura. Ao mesmo tempo [em]que é um dia de tristeza, também é de celebração, pois o meu pai sempre viveu a vida com muita intensidade”, afirmou João.
A atriz Zezé Motta também lembrou o legado de Pereio.
“Perdemos um ícone do nosso cinema. Descansa meu amado Pereio. Quantos trabalhos icônicos e marcantes na TV, teatro e no cinema. Paulo César Pereio era residente no Retiro dos Artistas. Foi muito bem cuidado e amado. Já deixa saudades”, afirmou a atriz.
(Créditos autorais: https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/noticias – Pipoca Moderna/ ENTRETENIMENTO/NOTÍCIAS/ História de Pedro Benjamin Prado – 13/05/2024)
(Créditos autorais: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2024/05/12 – Globo Notícias/ RIO DE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por g1 Rio e TV Globo –

