Padre Jesús Hortal Sánchez, ex-reitor da PUC-Rio
Foi um de seus principais líderes acadêmicos e religiosos.
Nascido na Espanha, foi jesuíta, teólogo, jurista e educador
Padre Jesús Hortal Sánchez, foi jesuíta, teólogo, jurista e educador, era reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) entre 1995 e 2010.
Jesuíta profundamente dedicado ao serviço à Igreja e ao diálogo com a sociedade, padre Hortal teve atuação decisiva no fortalecimento institucional da universidade.
Nascido na Espanha, o religioso foi fundamental para o avanço da pesquisa acadêmica, com destaque para o crescimento da pós-graduação, além do fortalecimento do compromisso social da universidade.
Também com a liderança de padre Hortal houve expansão das relações com o setor produtivo, por meio de projetos patrocinados, inovação e empreendedorismo.
Reitor que marcou a história da PUC-Rio
Jesús Hortal construiu uma trajetória acadêmica e institucional que deixou marcas profundas no ensino superior brasileiro — especialmente à frente da PUC-Rio, onde foi reitor.
Ele ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus em 1950 e foi ordenado sacerdote em 1961. Sua formação acadêmica é extensa e internacional. Graduou-se em Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, em 1949, e concluiu a licenciatura em Filosofia pela Universidade Pontifícia de Comillas, em 1956. Obteve ainda licenciatura em Teologia pela Faculdade de Teologia do Colégio Cristo Rei, em 1962.
Padre Hortal também conquistou licenciatura e doutorado em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, em 1967, e doutorado em Filosofia pela Universidade de Santo Tomás, em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1958.
Na PUC-Rio, padre Jesús Hortal ocupou cargos estratégicos antes de assumir a Reitoria. Foi diretor do Departamento de Teologia entre 1986 e 1992 e vice-reitor para Assuntos Acadêmicos entre 1992 e 1995. Em 1995, assumiu como reitor, cargo que ocupou por 15 anos.
Durante sua gestão, a universidade passou por um período de forte expansão acadêmica, estrutural e tecnológica. Em 1996, foi implantado o Programa de Avaliação Institucional e criado o Mestrado em Metrologia, pioneiro no Brasil. No ano seguinte, a PUC-Rio inaugurou o prédio da Incubadora de Empresas do Projeto Gênesis e firmou convênio com a Petrobras para a criação de um Centro de Excelência em Pesquisa de Petróleo em Águas Profundas.
Outras iniciativas marcaram o período, como a transformação do curso de Tecnólogo em Processamento de Dados em Bacharelado em Informática, a criação da Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD), em 1999, e a oferta do primeiro curso de graduação a distância da universidade, em 2005, em parceria com o Ministério da Educação.
Em 2000, foi inaugurado o novo Centro Cultural e Esportivo, e, cinco anos depois, a nova igreja da PUC-Rio. Em 2001, a universidade recebeu as melhores avaliações da Capes em cursos de pós-graduação stricto sensu. Já em 2007, foi considerada a 8ª melhor universidade do Brasil e a melhor do Estado do Rio no Enade.
Entre outros marcos estão a inauguração do Instituto São Bento, em Duque de Caxias, a expansão de cursos de pós-graduação na Barra da Tijuca, a aquisição de área para novos cursos na área de saúde, e a criação do Instituto de Mídias Digitais, em 2009.
Ainda sob sua liderança, a PUC-Rio participou de um projeto, em parceria com o governo do Estado, que implantou acesso gratuito à internet sem fio em comunidades como Dona Marta, Cidade de Deus, Manguinhos, Rocinha e Complexo do Jacarezinho.
Atuação acadêmica no Brasil
Ao longo das décadas seguintes, o jesuíta construiu carreira sólida como professor universitário. Entre 1960 e 1962, lecionou Biologia Educacional e Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Cristo Rei, em São Leopoldo (RS).
Atuou também como professor de Direito Canônico e Cultura Religiosa na Universidade Católica de Goiás, entre 1968 e 1973, e na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), entre 1970 e 1979.
Entre 1968 e 1982, foi professor de Direito Canônico e Eclesiologia na Faculdade de Teologia do Colégio Cristo Rei, além de ter dirigido o Instituto de Teologia e Ciências Religiosas da PUC-RS, entre 1980 e 1985. Também atuou como professor visitante em Belo Horizonte e, desde 1986, é professor do Instituto Superior de Direito Canônico da Arquidiocese do Rio.
Atualmente, padre Jesús Hortal Sánchez era professor associado do Departamento de Teologia da PUC-Rio.
O religioso morreu na segunda-feira (2).
A morte foi confirmada pela universidade. O padre faleceu em São Paulo de causas naturais.
O religioso completaria 99 anos no dia 14. Em comunicado, a PUC-Rio destacou que a universidade “amanheceu mais triste” com a perda de um de seus principais líderes acadêmicos e religiosos.
Em comunicado, a PUC-Rio destacou que a universidade “amanheceu mais triste” com a perda de um de seus principais líderes acadêmicos e religiosos.
A nota ressalta ainda que a liderança de padre Hortal foi fundamental para o avanço da pesquisa acadêmica, com destaque para o crescimento da pós-graduação, além do fortalecimento do compromisso social da universidade.
“Expressamos profunda gratidão pela convivência duradoura com Pe. Hortal, em sua missão voltada para a formação integral da pessoa humana; e pela amizade, determinação e inspiração presente e futura”, diz o texto divulgado pela PUC-Rio.
Atual reitor da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso conheceu padre Hortal logo que chegou à universidade, onde assistiu suas aulas sobre judaísmo:
— Ele trabalhava muito com diálogo inter-religioso. Depois, me acompanhou. Inclusive, como reitor, tirei dúvidas com ele, que vibrava muito com as reformas que a gente está fazendo na PUC. Então, posso dizer, que ele foi um amigo. Estava consciente, lúcido, trabalhando. Só não caminhava mais. Mas estava trabalhando como consultor de alguns temas. E tinha um site, em que respondia perguntas.
Padre Anderson destaca ainda a conexão de padre Hortal com o mundo atual, mesmo estando próximo dos 100 anos de idade:
— Ele foi um um grande reitor da PUC, porque foi capaz de adaptar a instituição a seu tempo, de 1995 a 2010. Ele levou a PUC para o século XXI. Fez reformas acadêmicas, administrativas e também estruturais na universidade.
O atual reitor cita ainda padre Hortal como “o decano dos canonistas”, porque ele comentou o Código de Direito Canônico, que é o código das leis da Igreja Católica.
PUC-Rio divulgou nota de pesar, na qual destaca que a gestão de padre Hortal “foi marcada por avanços acadêmicos, institucionais e sociais relevantes, deixando um legado sólido e duradouro para a universidade”. Sob sua liderança, acrescenta a nota, “a PUC-Rio consolidou importantes iniciativas nas áreas acadêmica, cultural e institucional, bem como políticas voltadas à inclusão social e à formação integral da pessoa”.
O velório foi realizado na terça-feira (3), no Cemitério da Consolação, às 16h.
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