O PRIMEIRO VEÍCULO DE PASSEIO MONTADO NO BRASIL
O primeiro carro nacional foi o VW 1200? Não. Nem o primeiro, nem o segundo. Sem contar os carros produzidos pela FNM em 1951, o primeiro veículo de passeio montado no Brasil, com boa parte de componentes nacionais, foi um carrinho fora dos padrões convencionais, para dizer o mínimo: o Romiseta, contração fonética do nome Romi-Isetta. Fora dos padrões por vários fatores, sendo que alguns deles saltavam à vista: o Romiseta tinha quatro rodas que pareciam três (as duas traseiras eram quase juntas); sua única porta ficava na parte frontal (é como se, hoje, a gente entrasse num carro levantando o capô); a coluna de direção e o volante eram fixados nessa porta (logo, quando a porta abria, o volante ficava do lado de fora do carro); e ele só tinha um banco, onde cabiam o motorista e um passageiro.
Seu formato era o de uma bola, seu comprimento pouco inferior a 2,30m e suas rodas eram pequenas (30cm de diâmetro). O motor tinha uma potência de 9,5 cavalos, o que lhe permitia atingir 80 km/h e fazer 25 quilômetros com 1 litro de gasolina. Era portanto, pouco mais que um quadriciclo, motorizado e coberto. Tecnicamente, só não era um auto de passeio por um simples detalhe: tinha apenas uma porta (e um carro precisa ter pelo menos duas, segundo a legislação brasileira).
A marca Romi-Isetta veio da combinação do nome da fábrica brasileira licenciada para produzir o carro, a Romi, e do nome da empresa italiana que desenvolveu o veículo em 1952, a Iso (Isetta era o diminutivo). A Romi era uma fabricante de máquinas operatrizes com sede em Santa Bárbara do Oeste, SP. Seu proprietário, o comendador Américo Romi, vira o carrinho na Europa, encantara-se com ele e conseguira a licença para produzi-lo no
Brasil. Cerca de 3 mil Romisetas foram fabricados entre 1956 e 1959, dos quais 300 sobrevivem até hoje, cuidadosamente conservados por seus proprietários.
(Fonte: Revista QUATRO RODAS ESPECIAL Edição Especial 0418 N.º 507B Editora ABRIL A Revolução Industrial Capítulo III -O Carro no Brasil Pág. 44)

