Mino Carta, foi jornalista fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, criou e dirigiu algumas das revistas mais influentes do país, como Quatro Rodas, lançada em 1960, Veja (1968), Isto É (1976) e Carta Capital (1994)

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Mino Carta, jornalista e fundador da Carta Capital

Diretor de redação da revista, sendo um dos jornalistas mais influentes do Brasil.

O jornalista Mino Carta, fundador e diretor de redação da CartaCapital (Foto: Celso Junior/Estadão / Estadão)

 

 

Mino Carta (nasceu em 6 de setembro de 1933, em Gênova, Itália — faleceu em 2 de setembro de 2025, em São Paulo, São Paulo), foi jornalista fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, sendo um dos jornalistas mais influentes do Brasil.

Nascido em Gênova, na Itália, Mino veio para São Paulo ainda jovem, acompanhando a família que deixou a Itália após a Segunda Guerra Mundial. Após a mudança para o Brasil, começou a escrever, aos 16 anos, o que abriu caminho para a carreira jornalística que faria dele um dos nomes mais influentes na imprensa brasileira.

O jornalista criou e dirigiu algumas das revistas mais influentes do país, como Quatro Rodas, lançada em 1960, Veja (1968), Isto É (1976) e Carta Capital (1994).

Com uma trajetória marcada pela criação e direção de algumas das publicações mais emblemáticas do país, fundou as revistas Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e, em 1994, a CartaCapital. Também esteve à frente da equipe que lançou o Jornal da Tarde, em 1966.

Também esteve à frente do Jornal da Tarde, criado em 1966, considerado revolucionário pela linguagem e diagramação.

A publicação lembra que até mesmo o maior fracasso de Mino, o Jornal da República, de 1979, em meio à abertura política, é visto como marco da imprensa nacional. Ao longo da carreira, enfrentou embates com a ditadura militar, especialmente quando a Veja publicou denúncias de tortura, o que resultou em censura e pressões.

Durante a ditadura militar, Mino enfrentou pressões e censura. Em 1968, a Veja, sob sua direção, publicou capas e reportagens que irritaram os militares, incluindo a denúncia de 150 casos de tortura. A edição foi apreendida, mas provocou impacto no debate público.

O jornalista também foi interrogado por agentes do regime, incluindo o delegado Sérgio Fleury, e manteve relação próxima com o general Golbery do Couto e Silva, que era contra a censura. Mesmo assim, deixou a revista após recusar imposições dos militares, renunciando a indenizações trabalhistas.

Após esse período, decidiu criar seus próprios espaços de trabalho. A CartaCapital nasceu em 1994, fruto da colaboração de amigos e familiares, e se consolidou como uma revista crítica. A publicação completou 31 anos, com reportagens emblemáticas sobre casos de corrupção, abusos de poder e disputas políticas.

Além da atuação em redações, Mino também foi autor de romances como Castelo de Âmbar, de 2000, A Sombra do Silêncio, de 2003, e A Vida de Mat, de 2016. Também recebeu o título de doutor honoris causa, pela Faculdade Cásper Líbero, e o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano, da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).

Em entrevistas recentes, Mino demonstrava desencanto com a política brasileira e criticava os impactos da tecnologia sobre o jornalismo, afirmando que a imprensa estava “escravizada pelas novas mídias”.

De acordo com a Carta Capital, o jornalista dizia que sua maior realização foi a própria revista que fundou em 1994, construída sobre três pilares: fidelidade aos fatos, espírito crítico e fiscalização do poder. A publicação completou 31 anos em 2025.

Além da carreira editorial, Mino se dedicou à literatura, com romances como Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016), que misturam memórias pessoais e reflexões filosóficas.

Mino Carta faleceu na terça (2) no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Segundo a revista, ele ‘lutava contra problemas de saúde’.

Mino Carta faleceu no Hospital Sírio-Libanês, onde nas duas últimas semanas esteve internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O velório do corpo começou às 12h desta terça no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, Zona Oeste da capital.

A morte de Mino Carta foi confirmada às 5h59 pela revista que ele criou. A Carta Capital informou no seu site oficial e em suas redes sociais que a trajetória de seu fundador se confunde com a história do jornalismo brasileiro.

Amizade com o presidente Lula

Ao criar a revista Isto É, o jornalista estreitou as relações com o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao publicar a primeira grande entrevista com o líder sindical em 1978. Na época, Lula presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Desde então, Mino Carta e Lula nutriram uma relação de profunda amizade. O último encontro público deles aconteceu em São Paulo, em junho de 2024, e foi registrado pela assessoria de imprensa da Presidência da República (veja foto abaixo).

Por meio de nota, Lula se disse muito triste com a morte do amigo e relembrou a relação de mais de 50 anos entre os dois. O presidente brasileiro afirmou que “Mino foi – e sempre será – uma referência para o jornalismo brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um país justo e igualitário para todos os brasileiros e brasileiras”.

“Recebi com muita tristeza a notícia da morte de meu amigo Mino Carta, ocorrida na madrugada deste 2 de setembro. Ele fez história no jornalismo brasileiro: criou e dirigiu algumas de nossas principais revistas (Veja, Isto é, Quatro Rodas, Carta Capital, Jornal da Tarde, Jornal da República) e formou gerações de profissionais e, sobretudo, mostrou que a imprensa livre e a democracia andam de mãos dadas. Em meio ao autoritarismo do regime militar, as publicações que dirigia denunciavam o abuso dos poderosos e traziam a voz daqueles que clamavam pela liberdade”, escreveu o presidente.

 

 

 

Jornalista Mino Carta, fundador da revista Carta Capital, tinha uma relação muito próxima com o presidente Lula (PT), de quem era amigo pessoal. Na foto, o encontro deles em 24.06.2024, em Brasília. — Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

 

 

“Conheci Mino há quase cinquenta anos, quando ele, pela primeira vez, deu destaque nas revistas semanais para as lutas que nós, trabalhadores reunidos no movimento sindical, estávamos fazendo por melhores condições de vida, por justiça social e democracia. Foi ele quem abriu espaço para minha primeira capa de revista, na Istoé, em 1978. Desde então, nossas trajetórias seguiram se cruzando. Eu, como liderança política, ele, como um jornalista que, sem abdicar de sua independência, soube registrar as mudanças do Brasil. Vivemos juntos a redemocratização, as Diretas Já, as eleições presidenciais e as grandes transformações sociais das últimas décadas”, declarou o petista.

E emendou: “Estas décadas de convivência me dão a certeza de que Mino foi – e sempre será – uma referência para o jornalismo brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um país justo e igualitário para todos os brasileiros e brasileiras. Se hoje vivemos em uma democracia sólida, se hoje nossas instituições conseguem vencer as ameaças autoritárias, muito disso se deve ao trabalho deste verdadeiro humanista, das publicações que dirigiu e dos profissionais que ele formou. À sua filha Manuela e a todos os seus familiares e os inúmeros amigos que construiu ao longo de sua vida, deixo um forte e carinhoso abraço”.

O Palácio do Planalto anunciou que Lula deve vir a São Paulo na terça-feira (2) para o velório e as despedidas finais à Mino Carta.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também publicou uma mensagem nas redes sociais lamentando o falecimento do jornalista.

“O Brasil perdeu hoje um de seus maiores jornalistas. Mino Carta dedicou toda sua vida à criação e ao desenvolvimento de publicações que fizeram história na imprensa brasileira, dando voz à defesa dos valores democráticos. Que seu exemplo siga inspirando as novas gerações de jornalistas”, disse Alckmin na rede social X.

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/09/02 – SÃO PAULO/ NOTÍCIA/ Por Redação g1 SP — São Paulo – 02/09/2025)

(Direitos autorais reservados: https://www.terra.com.br/noticias/brasil – NOTÍCIAS/ BRASIL/ Redação Terra – 2 set 2025)

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