Miguel Proença, foi pianista brasileiro de renome internacional, era um dos maiores nomes da música erudita brasileira, reconhecido internacionalmentese, concentrou-se em tocar compositores nacionais, como Alberto Nepomuceno, César Guerra-Peixe, Edino Krieger, Ernesto Nazareth, Oscar Lorenzo Fernández, Radamés Gnattali e Heitor Villa-Lobos

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Miguel Proença, pianista brasileiro prestigiado fora do país, pianista de prestígio internacional e divulgador da música erudita brasileira

Músico foi secretário de Cultura da cidade do Rio e dirigiu a Sala Cecília Meireles e a Funarte, e legado como educador e gestor na área cultural

Gaúcho contribuiu para o reconhecimento da música clássica brasileira no mundo e gravou mais de 30 discos na carreira

 

 

Miguel Proença (nasceu em 27 de março de 1939 em Quaraí, RS – faleceu em 22 de agosto de 2025, no Rio de Janeiro), foi pianista brasileiro de renome internacional, era um dos maiores nomes da música erudita brasileira, reconhecido internacionalmente.

Além do trabalho como músico, também ocupou cargos relevantes como presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), secretário de Cultura do Município do Rio de Janeiro e diretor da Sala Cecília Meireles e da Escola de Música Villa-Lobos.

Miguel Proença foi um pianista de concerto de repertório amplo, com atuação como camerista e solista. Além do Brasil, fez sucesso no exterior. Também se notabilizou pelo destaque dado ao legado de compositores brasileiros do passado.

Miguel Proença, um amante e estudioso da música
Miguel Angelo Oronoz Proença, seu nome completo, nasceu em Quaraí, no Rio Grande do Sul, em 1939. Estudioso de sua área, fez doutorado pela Escola Superior de Música de Hannover e foi professor na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e na Universidade de Música de Karlsruhe, na Alemanha.

Entre 1995 e 1998, em parceria com a Capes, proporcionou bolsas de estudo para brasileiros na Europa, Rússia, Japão e Brasil. Décadas antes, ele próprio havia sido bolsista da Pró-Arte e da Deutscher Akademischer Austuschdienst.

 

Como destaca reportagem do crítico musical Caldeira Filho, do Estadão, publicada em 1972, Miguel Proença já conquistava destaque há muito tempo. “Apresentou-se em várias cidades da Europa como recitalista e, como solista, tocou com a Orquestra Sinfônica Brasileira e Nord Deutscher Rundfunk, da Alemanha. São excelentes as críticas de que foi objeto, reproduzidas no programa impresso”.

“Miguel não fez sentir ao ouvinte o calor da interpretação. Revelou, porém, possuir talento, técnica ampla e caminho de autêntica virtuosidade, e inegável disposição pianística. Fundamentalmente, falta-lhe uma consciente e mais convicta auto-afirmação”, escrevia o crítico na época. Nada que o tempo não tratasse de aperfeiçoar nas cinco décadas seguintes.

Miguel Proença: secretário de Cultura e presidente da Funarte

Na década de 1980, ganhou repercussão no meio musical e político ao ser nomeado secretário de Cultura do Rio, cargo em que atuou de 1983 a 1988. À época, já era diretor da Escola de Música Villa-Lobos, também no município fluminense.

A intenção pública em incentivar a arte à população vinha desde muito tempo antes. Em 1979, por exemplo, Miguel Proença deu uma entrevista ao Estadão falando a respeito da Sala Guiomar Novaes, em São Paulo – o espaço era mantido pelo Instituto Nacional da Música, da Funarte.

À época, ele valorizava o projeto que pretendia “aumentar a faixa do público, o mercado de trabalho para o artista nacional e estimular o compositor brasileiro, executado em 30% das apresentações”.

Após ter sido diretor da Sala Cecília Meireles, no Rio, entre janeiro de 2017 e janeiro de 2019, em fevereiro de 2019, Proença assumiu como presidente da Funarte. A entidade é responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de fomento ao teatro, circo, dança, música e artes visuais no Brasil.

O convite teria sido feito por Osmar Terra, então ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, que seria um admirador de seu trabalho como músico e também como gestor da área cultural. Sobre a relação com o presidente, Proença evitava críticas e dizia: “A palavra dele é definitiva”. Também afirmou que sugeriu a Bolsonaro que ouvisse “pessoas do setor” e que a cultura poderia melhorar “se houver mais calma, se não houver corte de projetos”.

 

 

 

Miguel Proença durante cerimônia de entrega do prêmio APCA em março de 2000, em São Paulo. (Foto: JF Diorio/Estadão / Estadão)

 

 

Miguel Proença e a ‘Guerra ao Tablet’

Uma de suas primeiras medidas foi levar um piano para seu gabinete. Miguel Proença também trazia várias intenções. “Pretendo criar uma grande corrente de participação, incluindo na equipe realizadores que produziram experiências artísticas vitoriosas em suas regiões”, prometia.

“Pretendo fazer o projeto Cine Paradiso – Guerra ao Tablet, ou algo assim, com os mais belos filmes para jovens, para aproximá-los da arte, afastando-os um pouco do excesso de uso dos celulares e outros dispositivos digitais”, prometia na época.

“Os [nossos]músicos vão muito para a Europa. Onde está nossa América, que tem tantos talentos? Quero que a Funarte faça essa união”, propunha.

Saída da Funarte

Ele ficou apenas alguns meses no cargo, tendo sido exonerado em novembro daquele mesmo ano. Em entrevista ao Estadão, revelou que acreditava que sua defesa da atriz Fernanda Montenegro teria sido determinante para o fato.

Na ocasião, Roberto Alvim, então diretor do Centro de Artes Cênicas (Ceacen), também da Funarte, havia chamado a atriz de “mentirosa”, “sórdida” e “intocável”, entre outras ofensas. Miguel Proença defendeu-a.

“Irritou profundamente [defender Fernanda Montenegro]. A pessoa devia estar contrariada com ela. Não sei o porquê. Fui um dos primeiros a me manifestar. Não pensei em política, pensei em mandar um abraço a uma amiga. O que fazer com pessoas que não entendem esse relacionamento com outros artistas e querem impor uma maneira de salvar o mundo através só da religião?”, explicava. Em seguida, Miguel Proença encerrava: “Minha religião é agradar o público”.

 

Pianista brasileiro de reconhecimento internacional no campo da música erudita, Miguel Proença costumava dizer que sentiu paixão à primeira vista pelo piano, ainda criança, ao ouvir o som do instrumento vindo de um casarão na interiorana cidade gaúcha de Quaraí (RS), onde nasceu e onde começou a ter aulas de piano, ainda na infância.

Proença contribuiu para o prestígio da música erudita brasileira em outros países, nascido em Quaraí (RS), Proença apaixonou-se pelo piano ainda na infância ao ouvir o som que vinha de um casarão. Tocou em bares, clubes e festas gaúchas e também nos mais prestigiosos palcos internacionais. Trabalhou com afinco para popularizar a música clássica no país.

Ao sair de cena, após mais de 60 anos de atividade profissional, Proença deixa também expressivo legado como educador musical e difusor de obras de artistas brasileiros.

Antes de chegar às salas de concerto mais prestigiadas do Brasil e do mundo, Miguel Proença pôs os pés na profissão de músico tocando em bares, clubes e festas do sul do Brasil. O pianista depurou o estilo na adolescência e juventude em estudos em Hamburgo e Hannover, cidades da Alemanha, país onde fez concertos antes de voltar ao Brasil e se fixar no Rio de Janeiro (RJ).

Como pianista, Proença deixa expressiva discografia pautada por abordagens de obras de compositores brasileiros como Alberto Nepomuceno (1864 – 1920), César Guerra-Peixe (1914 – 1993), Edino Krieger (1928 – 2022), Ernesto Nazareth (1863 – 1934), Oscar Lorenzo Fernández (1897 – 1948) e Radamés Gnattali (1906 – 1988), além, claro, do compositor e maestro carioca Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), de cuja obra o pianista registrou cirandas e serestas, entre outros temas. Em 2005, lançou “Piano brasileiro”, uma série de dez CDs que apresentam sua interpretação de autores clássicos.

“Sempre fui um batalhador quando o assunto é divulgar a música brasileira. Certa vez, o pianista Jacques Klein (1930 — 1982) chegou a brincar comigo, dizendo: ‘Miguel, como você gosta de Xangô!’”, disse o pianista à revista Concerto em 2006. Ao longo da carreira, Proença gravou mais de 30 discos e colaborou com músicos renomados, como o violinista italiano Salvatore Accardo e o flautista francês Jean-Pierre Rampal (1922 – 2000). Também trabalhou com a atriz Bibi Ferreira. O pianista também chamava atenção pela semelhança com o ator britânico Anthony Hopkins.

Educador e gestor cultural, dirigiu a Sala Cecília Meireles em 1987 e novamente entre 2017 e 2018. Também comandou a Escola de Música Villa-Lobos e foi secretário municipal de Cultura do Rio entre 1983 e 1988. Nesse período, fundou a Orquestra de Câmara da Cidade do Rio de Janeiro. Proença ainda deu aulas no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade de Música de Karlsruhe, na Alemanha.

Há 20 anos, a discografia do músico foi sintetizada na coletânea Piano brasileiro, editada em 2005 com dez CDs que ofereceram bela amostra da técnica e da sensibilidade do pianista.

Miguel Proença admirava o estilo nacionalista e alta qualidade das obras para piano criadas por esses compositores. Como educador e gestor na área de cultura na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o artista se tornou diretor da Sala Cecília Meireles em 1987, voltando a ocupar o cargo entre abril de 2017 e dezembro de 2018. Também dirigiu a Escola de Música Villa-Lobos e foi Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro entre 1983 e 1988, período em que fundou a Orquestra de Câmara da Cidade do Rio de Janeiro.

Dono de sonoridade singular no toque do piano, Miguel Proença difundiu a música clássica em todo o país através do projeto Piano Brasil, criado com o objetivo de promover masterclass e recitais em cidades e ambientes onde o acesso à música erudita é mais restrito.

Ao sair de cena aos 86 anos, Miguel Proença deixa legado que extrapola a própria obra, abarcando a difusão do piano brasileiro em todo o solo nacional. Esse trabalho como músico e educador regeu a vida de Miguel Proença, vivida com fidelidade e dedicação ao cultivo da paixão à primeira vista que teve pelo som do piano quando andava com a mãe pelas ruas da cidade natal em rota que definiu o caminho do artista.

Em 2019, no governo Jair Bolsonaro, assumiu a Funarte, mas foi demitido em novembro daquele ano. A exoneração se deu após o pianista ter se unido a outros representantes da classe artística em defesa da atriz Fernanda Montenegro, que havia sido atacada pelo dramaturgo Roberto Alvim, então diretor do Centro de Artes Cênicas da instituição. Alvim chamou a atriz de “sórdida” e “mentirosa”.

“Ao sair de cena aos 86 anos, Miguel Proença deixa legado que extrapola a própria obra, abarcando a difusão do piano brasileiro em todo o solo nacional”, escreveu o crítico musical Mauro Ferreira. “Esse trabalho como músico e educador regeu a vida de Miguel Proença, vivida com fidelidade e dedicação ao cultivo da paixão à primeira vista que teve pelo som do piano quando andava com a mãe pelas ruas da cidade natal de Quaraí (RS) em rota que definiu o caminho do artista”.

Miguel Proença morreu na sexta-feira (22), aos 86 anos.

Proença teve falência múltipla de órgãos e morreu no Hospital São Vicente, no Rio de Janeiro, cidade onde vivia.

A morte do pianista foi confirmada ao blog do crítico musical Mauro Ferreira, do g1, pelo cantor Márcio Gomes. O velório foi no domingo (24) na Sala Cecília Meireles, no Rio, das 10h às 14h.

Proença deixa três filhos: Paulo, Daniel e Laura.

“Miguel foi uma das pessoas mais queridas que já conheci, respirava arte”, escreveu Márcio Gomes nas redes sociais. “Foi sempre um amigo fiel, incentivador. Sua carreira foi brilhante como pianista clássico, mas amava a música popular. Suas gargalhadas estão presentes no coração de quem o conheceu. Você deixará muita saudade! Siga em paz, ao som das mais belas melodias”, homenageou o cantor.

Colegas de longa data de Miguel Proença, como a produtora Gloria Guerra e o cantor Márcio Gomes, lamentaram o fato.

“Foi o maior divulgador dos compositores brasileiros, com aproximadamente 30 gravações. Na sua casa conheci Nelson Freire, Maria Lucia Godoy, Edino Krieger, Mindinha, Villa Lobos, Bidu Sayão, e tantos outros”, publicou Gloria.

(Direitos autorais reservados: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/08/23 – O Globo/ CULTURA/ NOTÍCIA/ Por O GLOBO — São Paulo – 23/08/2025)

(Direitos autorais reservados: https://www.terra.com.br/diversao – Estadão conteúdo/ DIVERSÃO/ ENTRETÊ/ por André Carlos Zorzi – 23 ago 2025)

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