Maurice Goldhaber, físico atômico
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Maurice Goldhaber (nasceu em Leópolis, em 18 de abril de 1911 — faleceu em Condado de Suffolk (Nova Iorque), em 11 de maio de 2011), físico que se aprofundou nas complexidades dos átomos e chefiou o Laboratório Nacional de Brookhaven em Long Island por mais de uma década.
O Dr. Goldhaber foi diretor do laboratório de Brookhaven de 1961 a 1973, supervisionando experimentos que resultaram em três Prêmios Nobel.
Sua contribuição mais famosa para a compreensão básica do funcionamento do universo envolveu as partículas subatômicas fantasmagóricas e enigmáticas conhecidas como neutrinos. Os neutrinos, produzidos na fusão do Sol e de outras estrelas e no decaimento radioativo de elementos, inundam o universo; trilhões deles atravessam cada pessoa a cada segundo.
No final da década de 1950, os físicos descobriram que os neutrinos, diferentemente de qualquer outra coisa conhecida no universo até então, pareciam violar a simetria especular.
O Dr. Goldhaber concebeu um experimento simples, elegante e excepcionalmente pequeno; ao contrário da maioria das pesquisas em física de partículas, que empregam aceleradores gigantescos e caros, este cabia em uma mesa. Observando as transmutações produtoras de neutrinos entre dois elementos cuidadosamente escolhidos, o Dr. Goldhaber e seus colaboradores mostraram que os neutrinos, diferentemente das flechas, sempre giram em uma direção (no sentido anti-horário, como se constatou) e nunca na outra.
Para os físicos que buscam catalogar e explicar as partículas que preenchem o universo, “Isso esclareceu a situação de forma inequívoca”, disse Peter Bond, físico sênior em Brookhaven.
Maurice Goldhaber nasceu em 18 de abril de 1911, em Lemberg, Áustria. Após iniciar seus estudos de física na Universidade de Berlim, obteve seu doutorado em Cambridge em 1936. Ele e outro cientista de Cambridge, James Chadwick, foram os primeiros a medir com precisão a massa de um nêutron.
Ele se mudou para a Universidade de Illinois em 1938 e ingressou em Brookhaven em 1950.
O Dr. Goldhaber foi membro da Academia Nacional de Ciências e membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Entre suas honrarias, destacam-se a Medalha Nacional de Ciências, recebida em 1983, o Prêmio Wolf de Física, em 1991, e o Prêmio Enrico Fermi, em 1999.
A física corre nas veias da família Goldhaber. Seu irmão mais novo, Gerson , que faleceu em 2010, fazia parte da equipe do Laboratório Lawrence Berkeley, na Califórnia, que confirmou a descoberta do antipróton.
Sua esposa, Gertrude Scharff Goldhaber (1911 — 1998), também era uma física nuclear de renome. Um dos motivos pelos quais se mudaram para Brookhaven foi que o laboratório oferecia emprego para ambos; em Illinois, as leis antinepotismo impediam sua contratação pelo corpo docente.
O Dr. Goldhaber aposentou-se oficialmente em 1985, mas continuou trabalhando em Brookhaven até bem depois dos 90 anos. “Ele tinha uma ideia a cada minuto”, disse Martin Blume, então editor-chefe dos periódicos publicados pela Sociedade Americana de Física. De 2000 até 2008, ele levava o Dr. Goldhaber de carro até o laboratório todas as manhãs.
O Dr. Goldhaber também era conhecido entre os físicos por uma aposta que perdeu. Em uma festa em 1954, ele discutiu com o anfitrião, Hartland Snyder, um físico teórico, sobre a existência de antiprótons — a versão de antimatéria dos prótons. “Não acredito até que seja comprovado”, disse o Dr. Goldhaber ao Dr. Snyder.
O Dr. Snyder agarrou a mão dele e disse: “Aposto 500 dólares que o antipróton existe”, lembrou o Dr. Goldhaber. “Sem pensar, eu disse: ‘OK’”.
Os antiprótons foram descobertos no ano seguinte, e o Dr. Goldhaber cumpriu a aposta.
Maurice Goldhaber faleceu na quarta-feira 11 de maio de 2011 em sua casa em East Setauket, Nova York. Ele tinha 100 anos.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/2011/05/18/science – New York Times/ CIÊNCIA/ por Kenneth Chang – 18 de maio de 2011)
© 2011 The New York Times Company

