Fotógrafo britânico, famoso por suas fotos com cores saturadas e sua perspectiva irônica sobre a sociedade de consumo

Foto da mostra ‘Covers Exhibition’, de Martin Parr, que ocorreu em SP em 2015 — Foto: Martin Parr/Covers Exhibition/Divulgação
Britânico é um dos mais famosos fotógrafos de seu país, cujo trabalho ficou marcado por imagens que retratavam com humor o cotidiano.
Martin Parr durante sessão de fotos em Paris, no dia 31 de outubro de 2025 — (Foto: Joel Saget/AFP)
Martin Parr (nasceu em Surrey em 23 de maio de 1952 – faleceu em 6 de dezembro de 2025, em Bristol), fotógrafo britânico, ficou famoso por suas fotos que retratavam com humor o cotidiano de seu país, com cores saturadas e sua perspectiva irônica sobre a sociedade de consumo.
Parr alcançou a fama com uma estética com inspiração publicitária, com primeiros planos e cores saturadas, seu toque britânico e temas atuais, como o turismo em massa e o consumismo.
Sua reputação como observador da vida britânica se estende muito além do círculo dos apaixonados por fotografia, e seu trabalho, às vezes rotulado como kitsch, lhe rendeu tantos admiradores quanto detratores.
Ao começar sua carreira na década de 1970, após estudar na Universidade de Manchester, ele tirou fotografias em preto e branco, seguindo os passos dos grandes mestres da época, como Henri Cartier-Bresson.
Contudo, sentia-se irresistivelmente atraído por objetos incomuns, como cartões-postais e cores. “Depois que experimentei as cores, não voltei atrás”, declarou à AFP em 2022.
Parr alcançou a fama com uma estética muito reconhecida de primeiros planos, cores saturadas e um toque britânico marcante. Seus temas preferidos, como o turismo de massa e o consumismo, lhe deram projeção além do mundo dos aficionados pela fotografia.
Em 2015, ele falou com o g1 na abertura de sua primeira exposição individual no Brasil. Na ocasião, ele recusou o título de “herói” da fotografia. “Vi a comparação [no texto da curadoria impresso na parede] quando cheguei à galeria hoje cedo. Achei ótimo, mas foi um exagero”.
Sua obra, de caráter quase documental e às vezes tachada de “kitsch”, lhe rendeu tanto admiradores quanto críticos.
Ao todo, Parr tem mais de 100 livros publicados, e seu trabalho faz parte dos acervos de museus como o Tate, de Londres, o Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York, e o Centre Pompidou, de Paris.
Nascido em Surrey em 23 de maio de 1952, foi iniciado na fotografia por seu avô, um apaixonado pelo meio.
Em meados da década de 1980, o fotógrafo ficou conhecido com a série “Last Resort”, dedicada aos turistas de classe média em Brighton. Estas imagens marcaram o rumo de seu trabalho posterior, com o uso do flash mesmo em ambientes externos.
Foi em meados da década de 1980 que alcançou o reconhecimento com ‘Last Resort’, uma série de fotografias de turistas de classe média em Brighton, que incluíam o típico fish and chips (peixe com batatas fritas), banhistas bronzeados e parques de diversões infantis.
– Bom e mau gosto –
Esta série antecipa o restante da sua obra, com o uso do flash mesmo em ambientes externos, e marcou um ponto de virada no estilo da fotografia documental britânica, apesar de alguns terem criticado sua perspetiva sobre a classe trabalhadora.
“Amo e odeio a Inglaterra ao mesmo tempo”, declarou após o Brexit em 2016, ao qual se opôs. “O que faço na minha fotografia é capturar esta ambiguidade… quero poder expressar as contradições inglesas: há bom gosto e mau gosto, e tento fundi-los nas minhas fotografias”.
Após um caminho repleto de obstáculos, Martin Parr tornou-se membro efetivo da Magnum em 1994.
O britânico tornou-se membro da agência Magnum em 1994, apesar da rejeição inicial do histórico fotógrafo Henri Cartier-Bresson, que considerava o trabalho de Parr ofensivo às personagens retratadas. Mais tarde, ele dirigiu a agência entre 2013 e 2017.
Henri Cartier-Bresson inicialmente se opôs à sua admissão, mas depois mudou de ideia. “Pertencemos a dois sistemas solares diferentes, e por que não?”, ele finalmente escreveria a Parr, que dirigiria a Magnum de 2013 a 2017.
Preferindo capturar a vida cotidiana em vez das frequentes zonas de guerra, este fotógrafo, conhecido por usar sandálias com meias, também desenvolveu o hábito de tirar selfies muito antes da chegada das redes sociais.
O turismo de massa foi, sem dúvidas, o tema central de sua carreira, e suas fotografias de visitantes fingindo sustentar a Torre inclinada de Pisa ou de japoneses amontoados em uma praia artificial tornaram-se mundialmente famosas.
“Somos muito ricos. Estamos consumindo todas essas coisas do mundo”, observou o fotógrafo em entrevista à AFP no início de novembro, por ocasião do lançamento de sua autobiografia visual com 150 fotografias, intitulada ‘Utterly Lazy and Inattentive’ (‘Completamente preguiçoso e desatento’, em tradução livre).
Martin Parr morreu no sábado (6) aos 73 anos, anunciou sua fundação no domingo (7) em um comunicado.
O fotógrafo havia sido diagnosticado com mieloma, um tipo de câncer no sangue, em maio de 2021.
Parr deixa a esposa, Susie, uma filha, Ellen, e um neto, George.
“É com grande tristeza que anunciamos que Martin Parr (1952-2025) faleceu em sua casa em Bristol [na Inglaterra]”, informou a fundação, simultaneamente à Magnum Photos, agência para a qual o fotógrafo trabalhou por muitos anos.
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(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2025/12/07 – Globo/ G1 Pop e Arte Cinema/ Por Redação g1 – 07/12/2025)

